Blog do Desemprego Zero

Entrevista BOMBÁSTICA de FHC a João Moreira Salles

Posted by imprensa2 em 21 agosto, 2007

O assunto é a entrevista que o FHC deu ao cineasta João Moreira Salles publicada na revista Piauí desse mês. O cineasta é o mesmo que filmou o documentário “Entreatos” que retrata os últimos momentos da campanha de Lula nas eleições de 2002.

DETALHE: Essa “entrevista” com o FHC, e o documentário “Entreatos” são os melhores registros feitos dessas duas figuras elementares para compreender o nosso país. Ali estão as pessoas não os políticos. É o Luiz Inácio e é o Fernando Henrique.

A “entrevista” não é bem uma entrevista, é praticamente um documentário escrito. Eu achei sensacional. Sempre tenho ressalvas quando leio algo sobre FHC. E dessa vez creio ter reconhecido um pouco do homem por trás do “mi(n)to”. O Cineasta perseguiu FHC por alguns dias nos EUA, país onde está radicado atualmente.

A rotina dele é simples. Atende alguns alunos (na maioria brasileiros), poucas reportagens e alguns deslocamentos para dar palestras. Nada de crise aérea, buraco no metrô, sucessão presidencial. NADA.

FHC parece resignado. Conformado (e até um pouco triste) em ter uma popularidade infinitamente menor do que a do Lula, mesmo tendo o último continuado com o plano neo-liberal que tanto criticou por diversos anos.

Talvez se tivesse sido uma entrevista “com hora marcada” FHC tivesse se preparado para dizer tudo aquilo que estamos acostumados a ouvir. O eterno disco arranhado dos políticos. Mas não. Ao optar por acompanhar a rotina do ex-presidente, Salles pescou frases que dificilmente teriam sido ditas.

Algumas delas: “A única coisa que organiza o Brasil hoje é o mercado. E isso é um desastre.”

“A parada de 7 de setembro é uma palhaçada.”

“Parada militar no Brasil é pobre pra burro. Brasileiro não sabe marchar. Eles sambam … “

“Quais são as instituições que dão coesão à sociedade ? Família, religião, partido, escola. No Brasil, tudo isso fracassou.”

“O Dirceu é o Putin que fracassou.”

“O que houve não foi uma ruptura epistemológica no meu projeto intelectual, mas uma ruptura ontológica do mundo… No final da década de 80, não estávamos mais enfrentando teorias, mas a realidade. Olhamos o que existia e estava tudo em pedaços. Estávamos falidos. Fomos forçados a privatizar, não havia outro jeito.”

E a que eu mais gostei:“Em restaurantes em Buenos Airessou aplaudido quando entro. É que eu traí os interesses da pátria, então eles me adoram.” (sempre soube que os argentinos eram mais politizados que os brasileiros)

O que fica da entrevista é um FHC diferente. Não humilde, mas diferente. Sincero talvez. O homem por trás do personagem. Difícil de saber o que se passa na cabeça dele realmente. Por horas parece que ele se arrependeu um pouco da maneira como governou o país. Outras horas parece demonstrar que a única opção que ele teve foi a que implantou, o que de fato deve ser um fantasma pesado para um ex-sociólogo de esquerda cassado pelo regime militar.

João Moreira Salles define com perfeição: “Ele pertence a uma geração que teve a ambição de mudar a história. Ao chegar ao poder, constatou que as possibilidades de transformação eram limitadas; acertadamente ou não, julgou que inexistiam alternativas. Levou adiante seu projeto de governo com convicção pragmática, mas sem adesão ideológica — é o que se infere. “Fiz o que fiz faute de mieux”, afirma. “Lamento não ter podido contar com melhores instrumentos. Imagine, eu ser confundido com a idéia de Estado mínimo…”

Com certeza ele falou como o sociólogo, e não como o presidente de honra do PSDB. Os caciques inclusive devem estar com os cabelos em pé, tanto que a entrevista foi retirada do site da revista menos de 24hs depois de colocada.

Mas quem sabe isso não seja um marco. Ao invés dos ex-presidentes falarem a verdade, gostaríamos de ver os futuros candidatos com um discurso assim, menos demagógico.Estou ansioso para ver a repercussão dessa entrevista. O que dirá José Serra? Geraldo Alckmin? Lula??? Qual será o próximo movimento?

É altamente recomendável a leitura dessa reportagem na íntegra. Tá nas bancas. Revista Piauí. É uma com um fundo vermelho e o Stalin dando um aperto de mão em Mao-Tsé-Tung (sugestivo???).

Henrique Amorim Máximas e Mínimas 611 .

Reproduzimos a seguir alguns trechos da reportagem de João Moreira Salles sobre e com Fernando Henrique Cardoso, publicada na revista Piauí de agosto..

O Conversa Afiada considera estarrecedoras algumas das declarações desse ex-presidente do Brasil..

E encaminhou essas declarações ao presidente do PSDB, a dois candidatos do PSDB à Presidência da República (José Serra e Aécio Neves), a um ex-candidato do PSDB à Presidência (Geraldo Alckmin) e às lideranças do PSDB na Câmara e no Senado com a seguinte pergunta: o senhor concorda com essas afirmações do Presidente de Honra de seu partido, e que se diz “a única oposição” ?

Veja os melhores momentos de FHC, o Farol de Alexandria na Piauí: “Que ninguém se engane: o Brasil é isso mesmo que está aí. A saúde melhorou, a educação melhorou e aos poucos a infra-estrutura se acertará. Mas não vai haver nenhum espetáculo de crescimento, nada que se compare à China ou à Índia. Continuaremos nessa falta de entusiasmo, nesse desânimo.” Alguém duvida?

“Quais são as instituições que dão coesão à sociedade ? Família, religião, partido, escola. No Brasil, tudo isso fracassou.” É verdade: é quase o óbvio ululante!

“No meu governo universalizamos o acesso à escola, mas para quê ? O que se ensina ali é um desastre.” A mais pura verdade.

“A única coisa que organiza o Brasil hoje é o mercado. E isso é um desastre.” Verdade total: daí a insuficiente provisão de bens públicos.

“A parada de 7 de setembro é uma palhaçada.” Toda parada militar é, por definição. Aqui não há mérito.

“Parada militar no Brasil é pobre pra burro. Brasileiro não sabe marchar. Eles sambam … A cada bandeira de regimento a gente tinha que levantar, era um senta levanta infindável. Em setembro venta muito em Brasília e o cabelo fica ao contrário.” Mas pelo menos se diverte…..

“Os americanos têm os founding fathers … A França tem os ideais da Revolução. Eu disse para os homens de imaginação, para o Nizan Guanaes: olha, a imaginação do povo é igual à estrutura do mito do Lévi-Strauss, ou seja, é binária: existem o bem e o mal. Eu fui eleito Presidente da República porque fiz o bem – no caso, o real. O real já está aí, eu disse. Chega uma hora em que a força dele acaba. O que vamos oferecer no lugar ? Ninguém soube me dar essa resposta. Eu também não soube encontrá-la.” Verdade.

“Essa coisa de ser brasileiro é quase uma obrigação.” ?? Não entendi. Culpa do Amorim.

“O problema do Brasil não é nem o esfacelamento do Estado. É algo anterior: é a falta de cultura cívica.” Perfeito: ainda somos uma colônia de exploração. Cada um por si.

“Como eu ia dizendo, é bom ser brasileiro: ninguém dá bola.” É bom sim: todo mundo gosta porque somos inofensivos.

(Ao sobrevoar Little Rock, no Arkansas, terra de Bill Clinton) “Parece o Mato Grosso …” disse com um muxoxo. A Polônia é uma sucursal de Minas hehehhehe diria eu.

(No aeroporto, ao sair da sala de espera dos viajantes de classe “econômica” e se dirigir para a sala reservada aos da classe “executiva”) “E eu sofrendo no meio do povo à toa.” Verdade: é incômodo.

“Não acredito que o Lula tenha práticas de enriquecimento pessoal… O que há é que ele é um pouco leniente.” Um pouco? Leniente aqui foi o FH.

“Já o Lula é o Macunaíma, o brasileiro sem caráter, que se acomoda.” Por isso, o povo se identifica.

“O que houve não foi uma ruptura epistemológica no meu projeto intelectual, mas uma ruptura ontológica do mundo… No final da década de 80, não estávamos mais enfrentando teorias, mas a realidade. Olhamos o que existia e estava tudo em pedaços. Estávamosfalidos. Fomos forçados a privatizar, não havia outro jeito.” Fato indiscutível.

“Sou mesmo a única oposição, mas estou me lixando para o que o Lula faz. O problema é a continuidade do que foi feito.” Tá certo.

” … no Governo Sarney. Foi quando começou o loteamento dos cargos … Com o PMDB, o que se loteou foi a máquina do Estado: ministérios, hospitais, todo tipo de órgão, até o mais insignificante, tudo. O Estado desapareceu, virou patrimônio dos políticos.” Nada de novo: o PMDB é pior que uma praga de gafanhotos…..

(Num discurso no Clube de Madri, de ex-presidentes) Passa então a rechear sua fala com a “coesão mecânica” e a “coesão orgânica de Durkheim (mais tarde no táxi: “é o bê-á-bá da sociologia. Olhei em volta, vi que não tinha nenhum sociólogo e mandei ver.”). C’est pour épater les bourgeois…

“Fiquei cliente do Harry Walker, o mesmo agente do Clinton. Em média me oferecem 40 mil dólares (por palestra); ele fica com 20%… Em Praga, uma vez, como éramos um grupo de palestrantes, não cheguei a falar nem vinte minutos – pagaram 60 mil dólares. O Clinton chega a ganhar 150 mil.” Ser palestrante é muito bom.

“Em restaurantes em Buenos Aires sou aplaudido quando entro. É que eu traí os interesses da pátria, então eles me adoram.”! A neta Julia, de 18 anos, balança a cabeça: “Como é que ele diz essas barbaridades …” Claramente fora de contexto para demonizar nosso querido ex-Presidente.

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6 Respostas to “Entrevista BOMBÁSTICA de FHC a João Moreira Salles”

  1. é um absurdo! eu sempre soube que esse homem é mediocre e megalomaniaco!

  2. Ezequiel said

    Tudo que ele falou é a mais pura realidade, não tem nada de mal nisso. Infelizmente, a verdade é dolorida para alguns hipócritas!!!

  3. gennaro portugal ciotola said

    O Brasil carece de liderancas fieis
    a seu povo….

  4. FHC pertence a uma geração que acreditou ser possível construir um país do zero. Não que o sociólogo acreditasse nisso. Seus livros, Dependência e Desenvolvimento na AL e Estado e Autoritarismo, são muito importantes para se compreender a concepção de nação dele. Realmente ele acredita que a única coisa que organiza o país é o mercado. O Estado teria representado o comitê da burguesia antinacional. Sabemos que a história não foi bem assim.
    Certo é que em seu governo a relação dívida/PIB dobrou, de 28% para 56%, a carga tributária subiu dez pontos percentuais, sua equipe econômica, hoje operando ativamente no mercado, viveu com o pires na mão atrás do FMI e o Brasil aumentou sua vulnerabilidade externa. O populismo cambial e a suposta compra de votos no Congresso Nacional ajudaram a reelegê-lo.
    FHC se engana ao dizer que é aplaudido na Argentina. Pode até que o seja nos circuitos dos salões. Com certeza não nas ruas e nos espaços públicos. Lá, ele é associado ao período menemista: neoliberalismo, desemprego e antinacionalismo. Não se pode mesmo esperar muito de uma pessoa tão superficial e descomprometida com o Brasil. Em sua defesa, deve-se reconhecer que ele nunca disfarçou o deslumbramento com os salões das elites.

  5. É um grande canalha, um apátrida! Imagine se o Lula dissesse tamanhas heresias. Seria estampado e repetido na grande mídia até cansar e ele não se sustentaria mais no poder. Mas um vendilhão desses, porque pertence à classe que está furiosa por ter perdido as tetinhas agarradas desde 1500, diz tamanhas barbaridades naturalmente, sendo aceitas como simples gestos de sinceridade… Que vergonha!

  6. Concordo!!
    só acho que eles ainda não largaram todas as tetinhas. gritam porque perderam algumas e temem peder mais.
    muito obrigado pelo comentário.
    abraços

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