Blog do Desemprego Zero

Recebível substitui captação externa

Posted by imprensa2 em 24 agosto, 2007

Os bancos médios nacionais encontraram uma alternativa para fugir às altas taxas cobradas nas captações externas, que se tornaram até duas vezes mais caras com o início da crise de crédito de alto risco nos Estados Unidos. Os Fundos de Investimentos em Direitos Creditórios (FIDCs) tornaram-se atraentes para o momento e deverão registrar maior procura, segundo essas instituições financeiras.

Em agosto, os FIDCs registraram R$ 64 milhões em novas captações. A expectativa é de que o volume mensal suba, já que, no ano, há oito ofertas em análise, que totalizam cerca de R$ 1,042 bilhão.Com a alta nos custos das emissões no exterior, os bancos médios decidiram congelar esse mecanismo enquanto esperam a turbulência passar. “Os bancos buscavam as captações externas porque era um momento favorável de mercado. Mas agora, a alternativa mais eficiente passa a ser a busca pelos FIDCs que, por enquanto, não estão sendo impactados com a crise”, analisa Daniel Szikszay, gerente de câmbio do banco Schahin. Para Luis Otávio de Souza Leal, economista-chefe do Banco ABC Brasil, os FDICs são uma boa alternativa aos momentos de crise no exterior. “Os bancos estão muito bem capitalizados, principalmente aqueles que fizeram IPO [oferta inicial de ações, da sigla em inglês] recentemente. Neste momento não há necessidade de buscar linhas internacionais. As empresas, por suas vez, podem agora intensificar a captação interna com os Certificados de Depósito Bancário (CDBs) e os FDICs”, salienta.

Custo alto

As emissões externas ficaram mais caras na medida em que os grandes bancos estrangeiros estão sendo mais criteriosos para a liberação de empréstimos e aplicando taxas altas devido à maior busca por liquidez.

Segundo informações do Banco Central, os impactos da crise externa nas captações só serão percebidos em setembro. No entanto, alguns bancos afirmam que as turbulências já afetam as decisões atuais dos bancos de médio porte. É o caso do Banco Mercantil, que informou que até junho captou um total de US$ 527,6 milhões no exterior, alta de 200% na comparação com o mesmo período do ano passado. Mas a instituição informou que a decisão de realizar novas captações vai depender do cenário internacional.

O vice-presidente do banco Sofisa, Gilberto Meiches, admitiu o “congelamento” das captações, mas salientou que o mês de agosto já é tradicionalmente fraco devido as férias no hemisfério norte. “Com a crise, estancou mais ainda. Agora é esperar para saber se continuarão em baixa em setembro. Se a crise não for controlada, aí os bancos terão de arranjar outros meios”, afirma o executivo. Segundo ele, os FDICs são uma alternativa, além da securitização de operações de crédito.

Na avaliação de Meiches, este é um momento de observação. “A maioria realizou IPO nos últimos tempos, já estão bem capitalizados”, destaca.

Já o Banco PanAmericano, do grupo Silvio Santos, informou que manteve a estratégia de diversificação de seu funding com a elevação das captações internas e externas. Neste ano, a instituição realizou quatro operações que somaram US$ 75 milhões. No primeiro semestre de 2006, porém, a empresa já havia captado US$ 200 milhões, o que mostra uma folga de caixa.

Procurado pelo DCI, o banco não se pronunciou se irá continuar captando no segundo semestre e se a queda está ligada às turbulências.

Contra a maré

Apesar do cenário negativo, há bancos médios que preferem enfrentar os altos custos e continuar captando para garantir recursos a exportadores. O Banco Paulista informou ter realizado no último dia 16 de agosto uma emissão de US$ 6 milhões a custos bem maiores. No ano, o banco já tomou US$ 40 milhões.

Em geral, as emissões têm diminuído, mas nós decidimos continuar. Esse custo de alguma forma está sendo repassado aos exportadores que tomam financiamentos. Só que eles também são beneficiados com a alta do dólar. Puseram na balança e perceberam que vale a pena”, diz Tarcísio Rodrigues, diretor de câmbio do Paulista.

Dados do Banco Central mostram que a média mensal de captações totais dos bancos no primeiro semestre deste ano foi de US$ 4,56 bilhões. No ano passado, o volume foi negativo em US$ 948 milhões porque houve mais bancos pagando dívidas do que contratando empréstimos. Até 15 de agosto deste ano, o Bradesco tinha uma dívida US$ 500 milhões no exterior, Itaú BBA, US$ 200 milhões, e Banco do Brasil, US$ 186,9 milhões. Para o terceiro trimestre, a expectativa do analista da assessoria Lopes Filho, João Augusto Salles, é de que as emissões caiam pela metade na comparação com o trimestre anterior, quando somaram US$ 14,8 bilhões. “O mercado ficou muito ruim nas últimas semanas e mesmo os grandes bancos decidiram esperar”, explica .

Altos custos

De acordo com o diretor de câmbio do Banco Paulista, as taxas de captação no exterior mais do que triplicaram nas últimas semanas de crise. “Antes, se pagava em média a taxa Libor mais 0,25% ao ano. Hoje, se paga taxa Libor mais 0,75% ao ano”, diz. “Apesar de não termos nada a ver com a crise, somos afetados com a baixa liquidez”, completa.

Como alternativa à baixa atratividade das captações no exterior, o executivo aponta o hedge cambial. Rodrigues admite que o próprio Paulista teve de recorrer a esse mecanismo. “Mas o banco não desistiu das captações. Tivemos de realizar uma no último dia 16 de agosto de US$ 6 milhões a um custo bem maior”, declara.

Para o analista da Lopes Filho, com a ampliação do risco-Brasil nos últimos dias e a alta do dólar, a demanda por emissões se recolheu. Mas é otimista com o futuro.

Luciana Bruno

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