Blog do Desemprego Zero

Câmbio gera déficit em conta externa

Posted by imprensa2 em 27 agosto, 2007

Gazeta Mercantil/Caderno A

Juliana Rocha

Em julho, pela primeira vez desde janeiro de 2006, o saldo em transações correntes ficou negativo, com um déficit de US$ 717 milhões. O resultado foi o pior desde abril de 2004, quando a soma resultou negativa em US$ 754 milhões. A principal contribuição para a inversão do saldo foi o aumento das importações, que no mês cresceram 35% em relação a igual período de 2006, ante exportações 3,7% maiores, gerando superávit comercial acumulado no ano de US$ 3,7 bilhões. No ano passado, esse valor chegava a US$ 5,8 bilhões.

Houve também a pressão dos gastos em viagens ao exterior – o saldo da conta turismo foi negativo em US$ 415 milhões, o maior desde outubro de 1998 -, das remessas de lucros e dividendos ao exterior e do pagamento de juros da dívida externa. A renda enviada ao exterior no mês de julho somou US$ 3,19 bilhões, 64,18% maior.

Segundo o BC, resultado não foi influenciado pelas turbulências no mercado financeiro. que em julho do ano passado, resultado da elevação de 81,78 % nas receitas e de 67,57% nas despesas. Já a remessa líquida de bônus negociados no exterior somaram US$ 1,7 bilhão, sendo o maior impacto os US$ 960 milhões dos bônus Global 07. A elevação das remessas de lucros e dividendos, de US$ 1,7 bilhão no sexto mês do ano para US$ 2,1 bilhões em julho e o pagamento de juros da dívida externa somou US$ 1,1 bilhão em julho.

No acumulado do ano, as transações correntes ficaram positivas em US$ 3,6 bilhões, 36,9% menores do que o superávit de US$ 5,82 bilhões apurados de janeiro a julho de 2006.

Além dos fatores que explicam a queda do saldo em transações correntes já mencionados, também há o crescimento nominal do PIB, que acumulado em 12 meses até julho de 2006 era de US$ 984,4 bilhões e agora, em julho passado, é de US$ 1,16 trilhão, com alta nominal de 18,16% em dólar.

Segundo o BC, o resultado divulgado ontem não foi influenciado pela turbulência no mercado financeiro internacional, que teve os primeiros sinais ao final do mês passado mas ganhou força a partir da primeira semana deste mês. O chefe do Departamento Econômico do Banco Central, Altamir Lopes, disse também esperar que as transações correntes fiquem estáveis em agosto, apesar da crise de liquidez externa. O BC manteve a projeção de saldo de US$ 10,7 bilhões até o fim do ano.

As importações aumentaram de US$ 9,3 bilhões, em junho, para US$ 10,7 bilhões.
A conta capital e financeira, por onde passam todo os investimentos pelo mercado financeiro e por onde entram os recursos que serão aplicados em investimentos diretos, entre outras, foi positiva em US$ 7,02 bilhões em julho; no ano o saldo está positivo em US$ 66,8 bilhões. Em 2006 inteiro, este saldo foi positivo em US$ 15,9 bilhões.

O Investimento Estrangeiro Direto (IED) de julho alcançou US$ 3,5 bilhões, totalizando US$ 24,4 bilhões no ano. A expectativa do Banco Central é de que em agosto a entrada de investimento de empresas estrangeiras seja de US$ 2 bilhões. Até ontem, já haviam sido computados US$ 1,5 bilhão em investimentos estrangeiros diretos. “Essa redução do IED também não é conseqüência da crise. Agosto é um mês tradicional de queda, por causa das férias escolares nos Estados Unidos e Europa, as empresas tomam menos decisões”, explicou Lopes. Ele admitiu, contudo, que as Ofertas Públicas de Ações (IPO) de companhias estrangeiras no Brasil podem cair. A autarquia não tem ainda a projeção desta queda. Em julho, os investimentos em ações no Brasil, dado que inclui os IPO, foi positivo em US$ 6,5 bilhões. No acumulado de janeiro a julho, soma US$ 14 bilhões, 196,4% maior que os US$ 4,7 bilhões nos sete primeiros meses de 2006.

O BC divulgou ainda que o estoque da dívida externa de médio e longo prazo aumentou de US$ 146,4 bilhões em junho para US$ 148,7 bilhões em julho. O estoque da dívida externa de curto prazo, por sua vez, caiu de US$ 49,9 bilhões para US$ 46,6 bilhões no mesmo período. A dívida externa total do País, que inclui os títulos públicos e privados, ficou em US$ 195,4 bilhões, menores que o estoque de US$ 196,4 bilhões de junho.

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