Blog do Desemprego Zero

Entrevista governador do Piauí

Posted by imprensa2 em 28 agosto, 2007

27/08/07 – 00:00 > POLÍTICA


Piauí aposta na bioenergia para se desenvolver
Filiado ao PT desde 1985, Wellington Dias iniciou suas atividades sindicais como integrante da Central Única dos Trabalhadores (CUT) e presidente da Associação de Pessoal da Caixa Econômica Federal (APCEF) entre 1986 e 1989. Estreou na vida pública em 1992, quando foi eleito vereador de Teresina e, em 1994, elegeu-se deputado estadual. Em 1998, foi o primeiro deputado federal eleito pelo PT no Piauí. Às vésperas das eleições de 2002, foi anunciado pelo PT como candidato ao Senado, mas uma articulação comandada pelo diretório nacional do partido o fez candidato ao governo do estado. Foi eleito em primeiro turno, com 50% dos votos para o cargo de governador do Piauí pela coligação A Vitória que o Povo Quer.Renunciou ao mandato de deputado federal em 29 de novembro de 2002, efetivando-se assim seu primeiro suplente Roberto John (PT). Em 2006 foi reeleito governador do Piauí, novamente em primeiro turno.DCI: Qual o balanço que o senhor faz de seu primeiro mandato? E quais as perspectivas para este segundo governo?

Wellington Dias: Iniciei o primeiro mandato, eleito em primeiro turno, com um sentimento de insatisfação da população. Para minha felicidade, ao final desta etapa o sentimento tinha se transformado em grande aprovação. E a população, ela melhor do que ninguém para avaliar, deu a meu governo a oportunidade de continuar um projeto que tem plano de metas até 2010. Todas as pesquisas realizadas no estado demonstram a aprovação, entre ótimo e bom, em torno de 73% em todas as classes. E essa é a opinião daqueles que acreditam que o governo está trabalhando em prol do desenvolvimento do estado, na melhoria da vida dos mais pobres e o melhor: aproximadamente 75% dos entrevistados diz e que no Piauí há um governo e um governador honestos. Eu só tenho a agradecer a Deus e ao apoio do presidente Lula e dos parlamentos estadual e federal que contribuíram para o avanço do Piauí.

DCI: O senhor acredita que o fato de ser aliado ao presidente Lula influenciou em sua gestão?

WD: Seria impossível ter o ritmo de obras e cumprir as ações e programas de governo voltados para o desenvolvimento e para a qualidade de vida se não fosse a ajuda do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. No governo anterior (de Fernando Henrique Cardoso, do PSDB), o Piauí recebia entre R$ 90 milhões e R$ 100 milhões em investimentos federais, por ano. Isso resultou em aproximadamente R$ 800 milhões em oito anos (1994-2002). Apenas de 2003 a 2006, o Piauí recebeu pouco mais de R$ 3 bilhões. No próximo mês, o presidente Lula deverá vir ao Piauí para inaugurar uma única obra que é um reforço energético na região sul do estado – que contribuirá e muito para o desenvolvimento do local, principalmente na área do agronegócio – e só essa obra está orçada em R$ 700 milhões. O equivalente ao que o governo anterior investiu em oito anos.

DCI: Quais os principais planos para o desenvolvimento do Piauí?

WD: Nós estamos trabalhando com um objetivo claro: modernizar o estado. O Piauí é um estado rico, com grande potencial, com um povo trabalhador, mas que precisa de oportunidades. Mas nós não queremos qualquer tipo de desenvolvimento. A meta é trabalhar um modelo de desenvolvimento que seja capaz de dar uma oportunidade aos mais pobres. Com isso, nossa grande prioridade é a educação. Pela minha própria experiência de vida, é a educação que traz alguém que está na pobreza e a oferece uma qualidade de vida melhor. A infra-estrutura, com ênfase no transporte, na energia, saneamento e assistência social completa são outros fatores que estão em primeiro plano. Tudo isso tem o objetivo de atrair mais investimento e, conseqüentemente, gerará mais emprego e renda. Só assim, essa grande fatia da população no Piauí, que é atendida por programas como o Bolsa Família, poderá se desvencilhar desse tipo de ajuda. Já estamos crescendo acima da média do Brasil.

DCI: Quanto cresce o Piauí atualmente?

WD: Hoje, o Piauí cresce acima de 5% ao ano, desde 2003, e temos condições de dobrar o PIB nominal que tínhamos em 2002 daqui a três anos. Temos bons indicadores também na área da educação, com a melhor escola do Brasil, eleita pelo Enen. Temos ainda o maior número de vagas proporcional à população na área do ensino superior do Brasil. Conseguimos sair da pior colocação, em termos de mortalidade infantil para a melhor do Nordeste e a 18% do País. A maior população economicamente ativa ocupada do Brasil, em termos proporcionais, está no Piauí. Ou seja, isso nos permite vislumbrar um futuro de recuperação do atraso e como dizia o poeta piauiense Torquato Neto, o estado só quer “saber do que pode dar certo e não temos tempo a perder”.

DCI: Dentro desse pacote de prioridades, o que o senhor destaca neste segundo mandato?

WD: Na área de infra-estrutura nosso principal problema é a área de transporte e, por isso, quero apostar no que temos de potencial natural. No setor de transporte marítimo, por exemplo, o objetivo é concluir o porto de Luis Correa. Falta muito pouco. Precisamos de R$ 25 milhões para fazer o porto funcionar. Esta é uma obra que começou a 40 anos atrás, voltou a ser federalizada e agora, com a iniciativa privada, poderemos chegar a sua conclusão. A hidrovia do Parnaíba – com mais de 1.500 quilômetros de extensão – nos daria condição de investirmos também em uma ferrovia que, em conjunto, seria capaz de ligar a região sul do estado e, por conseqüência a parte central do Brasil, a vários pólos econômicos. Essa esfera que compreende o oeste baiano, o norte do Tocantins e o sul do Piauí é a que mais cresce em todo o Brasil desde 2001, a uma média de 27,5% ao ano, impulsionado pelo algodão, soja e a mineração. Por isso, poder transportar esses, e outros produtos, ao Porto de Itaqui, Pecém e Luis Correa, por meio de uma hidroferrovia é um sonho que me empolga. Até 2002, o Piauí tinha seis das dez piores BRs do país. Hoje, já temos algumas das melhores estradas federais e estaduais, mas ainda temos muito o que fazer. Os aeroportos também precisam ser trabalhados. Não só o de Teresina, que deve ter suas obras iniciadas até o final do ano, como também o de Parnaíba, que precisa ser ampliado, uma vez que foi internacionalizado em nosso governo, pela Infraero. Esse aeroporto é estratégico porque é a porta de entrada de estrangeiros para as praias do Roteiro Integrado, que inclui ainda destinos do Ceará e Maranhão. Certamente, todas essas obras vão modificar completamente a qualidade de uma região que concentrava a população mais pobre do país.

DCI: Qual sua avaliação do PAC? Quais as obras previstas pelo PAC no Piauí?

WD: O PAC é uma idéia que só poderia ser concebida e praticada por uma pessoa com a experiência de vida do presidente Lula. Esse é primeiro plano implantado no País, legitimamente nacional, porque chega, não só a todos os estados, como atende as principais regiões econômicas do País. E o sentido maior do PAC é justamente essa integração entre cada obra e um programa econômico específico. A Transnordestina, por exemplo, está prevista é integrada, no Piauí, a BR 135 que, por sua vez, passa por pólos de desenvolvimento econômico no centro do Brasil. E não é só isso. Ao investir em infra-estrutura no geral, com foco em transporte, energia e saneamento, o poder público atrai capital privado e a renovação e o estímulo a esses ciclos econômicos é o principal mérito do PAC.

DCI: Quais os principais problemas do seu estado?

WD: Os baixos índices de escolaridade e a carência de pessoas qualificadas nas áreas necessárias ao desenvolvimento é a minha principal preocupação. Por isso, estamos investindo em criação de vagas de ensino, em todos os níveis e em todas as 11 regiões do estado. Nossa idéia é espalhar pelo Piauí cursos profissionalizantes de nível médio e de curto prazo. Além disso, a meta é expandir nossa oferta de cursos superiores e pós-graduação. Não há como imaginar desenvolver uma região como o Delta do Parnaíba – que tem um grande potencial turístico – se não há um curso de Turismo para oferecermos à população local. E outros cursos como Administração, Engenharia de Pesca e Hotelaria são necessários descentralizar a qualificação que, até pouco tempo atrás, estava concentrada em Teresina. E a meta é ampliar essa rede de ensino até 2010.

DCI: Quais as obras que o senhor vem tratando com maior atenção?

WD: Cuidar dos mais pobres, preferencialmente. Essa é a ação que mais requer a atenção de meu governo. Enquanto melhoramos o seu conhecimento, sua qualificação técnica e queremos alavancar a infra-estrutura de desenvolvimento para permitir cada vez mais a captação de investimentos externos. O Piauí, hoje, é um dos estados que mais recebem investidores nas áreas de bioenergia – onde já temos pesquisas bem evoluídas e grandes áreas de plantio, como cana-de-açúcar e mamona -, soja, algodão e mineração. A mineração, inclusive, vem se transformando em um dos carros-chefe da economia piauiense. Então, são essas e outras bases produtivas, e aí incluo o turismo, que são tratadas com maior apreço por nossa gestão.

DCI: O que o senhor acha da divisão do Piauí, que resultaria na criação do Estado do Gurguéia com a parte sul do estado?

WD: No Piauí esse movimento já vem há algum tempo. No último semestre, a Assembléia Legislativa aprovou uma comissão de parlamentares dos mais diferentes partidos para acompanhar essa discussão de tramitação no Congresso Nacional. Enquanto isso, manifestei minha posição que, inicialmente, é de cautela. Sendo aprovado o plebiscito no Congresso Nacional, e sendo eu o governador, encaminharei essa sondagem para subsidiar o povo do Piauí e as lideranças que são contrárias e favoráveis a essa proposta. Eu também assumi o compromisso do estado contratar um estudo, com a participação de entidades respeitadas, como a Fundação Getúlio Vargas, para que tenhamos mais pesquisas sobre os efeitos de uma divisão do Piauí.

DCI: Como seria a viabilização técnica e social do novo estado?

WD: Acredito que só um estudo mais aprofundado vai nos dar segurança para uma tomada de decisão como essa. Como sou governador do estado, prefiro ter primeiro o resultado desses estudos para só então ter um posicionamento mais concreto sobre a situação.

DCI: Como resolver a questão da guerra fiscal entre os estados?

WD: Eu creio que nós governadores temos que casar o projeto do fim da guerra fiscal com uma política de redução da carga tributária. A reforma fiscal tem um objetivo claro que é criar uma lógica que seja favorável aos investimentos e à sustentabilidade do setor público desburocratizando esse emaranhado de regras que temos hoje. O governo federal já tem uma proposta que unifica um conjunto de impostos federais e estaduais criando um imposto de valor agregado, possivelmente estadual e municipal, e um imposto de valor agregado federal. De outro lado, assegurando-se um o fim dos incentivos fiscais diferenciados entre os estados da federação – o que deve ser combinado entre os secretários de Fazenda estaduais -, qualquer novo incentivo deve ser aprovado previamente. A partir daí, nós teremos uma regra em que todos pagarão impostos e à medida que os estados ampliarão a receita, com os tributos decorrentes da não isenção fiscal, ganha-se a possibilidade de haver uma redução na carga tributária. Já que não podemos acabar com a guerra fiscal de uma só vez, é possível que se tenha, ao mesmo tempo em que se reduzam as concessões fiscais, uma diminuição de carga tributária.

DCI: O que o senhor acha das parcerias público-privadas? Muita gente no PT tem restrição a elas…

WD: Sou completamente a favor. Creio que precisamos ter a coragem de perceber que a legislação que foi feita é tímida e de fato há dificuldades em sua aplicabilidade. Por exemplo, o Piauí sofre porque o valor mínimo estabelecido para uma empresa fazer uma PPP é de R$ 20 milhões. São raros os investimentos com esse valor no meu estado. Então, são regras como essa, e esse é só um exemplo, que precisam ser revistos para dar segurança total ao investidor e poder facilitar essa relação.

DCI: Na sua opinião, quais são as principais reformas pelas quais o País deve passar?

WD: O Brasil precisa ter a coragem de fazer quatro grandes reformas. A Reforma Política – apesar de estar numa esfera específica – influencia todas as outras. É da política que sai o Congresso Nacional e são das regras políticas, portanto, que surgem os responsáveis pela elaboração das leis. A Reforma Tributária, que seja casada, como eu disse, com o fim da guerra fiscal, e que também permita a redução, a médio e longo prazo, da carga tributária, também é fundamental. A Reforma da Previdência, creio eu, é a mais urgente, depois da Reforma Política. O País vai viver um drama muito grande com a incapacidade dos estados de muitos municípios e da União de ter que, todo mês e todo ano, ter um volume muito grande de verbas para completar um compromisso com brasileiros aposentados. Por último, é fundamental a Reforma Trabalhista, observando demanda de ambos os lados. Com a garantia da preservação de direitos básicos, mas que não sejam amplos o suficiente para inviabilizar uma política de emprego realmente eficaz.

DCI: O senhor é a favor da reeleição ou defende um mandato mais longo?

WD: Eu defendo o fim da reeleição e um mandato único de cinco anos, com a unificação das eleições para todos os níveis do governo.

DCI: Como estão as alianças do PT piauiense para as eleições municipais de 2008? Será possível juntar os partidos da base aliada do presidente Lula nas principais cidades do estado?

WD: O Partido dos Trabalhadores no Piauí amadureceu e hoje há um consenso de que temos de buscar uma base política definida e alicerçada no apoio dos partidos que formam a aliança de sustentação do governo Lula. O desafio é que a gente possa ter a capacidade de examinar onde cada partido tem o melhor candidato. Onde não for possível a base sair junta, que tenhamos a nobreza de conduzirmos o processo eleitoral sem ameaçar uma parceria que foi firmada há tantos anos.

DCI: O senhor foi multado pelo Tribunal Regional Eleitoral, por unanimidade, em 100 mil UFIR’s, que corresponde a R$ 106 mil. Essa multa diz respeito a uma representação ajuizada pelo PMDB acusando o governador de utilização indevida do Programa de Formação de Condutores do Detran nas eleições de 2006. O que o senhor tem a dizer sobre isto?

WD: Antes das eleições de 2006, lançamos com muito orgulho no Piauí um programa que criou uma escola pública de educação de trânsito que permite às pessoas de baixa renda a fazerem o curso de habilitação gratuitamente. O mesmo até hoje existe e foi criado por lei. Lançamos isso no mês de junho, com o aval da Assembléia Legislativa, antes das convenções. Um partido ingressou com duas ações, alegando que essa proposta tinha fins eleitorais. Dessas duas ações, uma já foi julgada e foi arquivada, sem me impor qualquer punição. A outra resultou em uma multa por parte do TRE do Piauí no valor de 100 mil UFIRS. Agora, nós estamos encaminhando ao Tribunal Superior Eleitoral a nossa defesa e acreditamos que, a exemplo da primeira, que trata sobre o mesmo assunto, nós teremos o arquivamento.

Tatiana Assumpção

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Uma resposta to “Entrevista governador do Piauí”

  1. Alessandra said

    Queria saber do Excelentíssimo Sr. Governador como ele consegue ficar em paz destruindo a vida de milhares de famílias que vivem do salário de um dos seus membros que trabalha há anos no TJ-Piauí e que agora foi demitido ou teve seu rendimento cortado pela metade? Como ele consegue colocar a cabeça no travesseiro, à noite, e dormir em paz?

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