Blog do Desemprego Zero

Dica de leitura : o novo livro organizado pelo Chico de Oliveira “A Era da Indeterminação”

Posted by imprensa2 em 30 agosto, 2007

“As políticas assistencialistas, que são na verdade políticas de funcionalização da pobreza, são a contraparte desse movimento de verdadeira liquidação da classe em curso no desenvolvimento brasileiro. (…)

A erosão da base classista e a não-representatividade dos partidos e outras organizações políticas, como os próprios sindicatos, produzem um curto-circuito que é fatal para a política e para o exercício de governo.”
– Francisco de Oliveira

Desmanche. Da representação, da política, do público, da sociedade, das instituições, da democracia e da participação justamente quando estas pareciam mais próximas do que nunca, com o fim da ditadura militar. O novo livro da coleção Estado de Sítio, A era da indeterminação, é um projeto do Centro de Estudos dos Direitos da Cidadania (Cenedic), que investiga a privatização das decisões, a redução da esfera pública e o estado de exceção como paradigma de governo. Inspirado nas idéias de Francisco de Oliveira, autor de dois artigos e co-organizador, com Cibele Saliba Rizek, o livro avança sobre o campo de compreensão das contradições da realidade brasileira, aberto a partir do ensaio “O ornitorrinco”, publicado em 2003 pela Boitempo. Percebe-se, nos vários fragmentos do quebra-cabeça brasileiro analisados na obra, a sombra do peculiar animal, que para Oliveira simboliza o estranhamento em relação ao estágio de desenvolvimento atual. A era da indeterminação é justamente a ruptura da possibilidade de uma dinâmica que ligue classes, interesses e representação nas formas da política e nas ações de governo. O desligamento da economia da política. E uma crise de representatividade cuja solução decididamente não se encontra em uma discussão cosmética e oportunista de reforma política.

Na primeira parte do livro, Francisco de Oliveira define e mostra as
origens desse cenáriona economia, na política e na cultura. Roberto Véras
de Oliveira e Leonardo Mello e Silva analisam, na segunda parte do livro,
as mudanças no mundo do trabalho e o esvaziamento do papel político dos
sindicatos como representantes da classe trabalhadora. Na terceira parte, o
alcance limitado e a tímida bandeira ? hoje esquecida ? do orçamento
participativo aplicado pelo PT na Prefeitura de São Paulo contrastam com a
forte repressão governamental, ao tratar como caso de polícia
reivindicações políticas organizadas por movimentos sociais.
Maria Célia Paoli analisa os mecanismos que, por meio de ONGs e programas
focalizados, produzem e fazem a “gestão” das populações “supérfluas” nas
cidades e nas ações sociais, míseros grãos de areia em um cenário de enorme
desigualdade como o da sociedade brasileira. A autora aborda também a
questão da “manutenção da insegurança”, por meio da ação de repressão e
contenção da violência dentro dos limites de áreas onde ela é “aceitável”
para o Estado.
Francisco de Oliveira, em “O momento Lenin”, seu segundo ensaio na
coletânea, faz uma análise aguda do governo Lula e da maçaroca
político-econômica em que surfa o presidente. Laymert Garcia dos Santos, a
partir do conceito de estado de exceção, discutido por Giorgio Agamben em
outro título dessa mesma coleção, explora as questões de fundo da relação
entre tecnociência e capital global para discutir a validade do conceito
como paradigma de governo no mundo contemporâneo.

Encerra o livro o original ensaio de Luiz Roncari, que relaciona análise
literária (nesse caso a poesia de Carlos Drummond de Andrade) com história
e política (o Onze de Setembro e a guerra ao terror), motivado pela
circulação na internet do poema “Elegia 1938”, em que o poeta itabirano
enunciava: “não podes, sozinho, dinamitar a ilha de Manhattan”. Um texto
que retrata a tensão de um mundo entre bombas, muros, condomínios fechados,
força militar e ações desesperadas e suicidas, políticas e/ou poéticas.
Ficha Técnica do Livro

Título: A era da indeterminação
Organizadores: Francisco de Oliveira e Cibele Saliba Rizek

Autores: Ana Amélia da Silva, Carlos Alberto Bello, Cibele Saliba Rizek,
Francisco de Oliveira, Laymert Garcia dos Santos, Leonardo Mello e Silva,
Luiz Roncari, Maria Célia Paoli, Roberto Véras de Oliveira, Vera da Silva
Telles
Páginas: 376
Editora: Boitempo

SUMÁRIO

Apresentação
Depois do desmanche
Maria Célia Paoli e Cibele Saliba Rizek

1. A política na era da indeterminação
Política numa era de indeterminação: opacidade e reecantamento
Francisco de Oliveira

2. Trabalho e sindicalismo na era da indeterminação
Sindicalismo e a questão democrática na história recente do Brasil: O que
sepode esperar?
Roberto Véras

Trabalho e reestruturação produtiva: o desmanche da classe: apontamentos em
torno de uma pesquisa
Leonardo Mello e Silva

3. Gestão, participação e violência: cenas e postos de observação
Orçamento participativo em São Paulo: uma invenção de limitado alcance
Carlos Alberto Bello

São Paulo: orçamento e participação
Cibele Saliba Rizek

Teatro da exceção (figurações)
Ana Amélia da Silva

Transitando na linha de sombra, tecendo as tramas da cidade
Vera da Silva Telles

4. Política, indeterminação e exceção
O mundo do indistinto: sobre gestão, violência e política
Maria Célia Paoli

O momento Lenin
Francisco de Oliveira

Brasil contemporâneo: Estado de exceção?
Laymert Garcia dos Santos

O terror na poesia de Drummond
Luiz Roncari

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