Blog do Desemprego Zero

Securitização cresce. Vai ela acabar com os spreads?

Posted by imprensa2 em 30 agosto, 2007

(Gazeta Mercantil/Finanças & Mercados – Pág. 1)(Léa De Luca)

Cédulas roubam espaço dos FIDC

São Paulo, 28 de Agosto de 2007 – Instrumento começa a se destacar como principal fonte de financiamento para empresas brasileiras. O volume de Cédulas de Crédito Bancário (CCB) registrado na Câmara de Custódia e Liquidação (Cetip) superou os lançamentos de fundos de recebíveis (FIDC): até o último dia 21, havia R$ 7,88 bilhões em CCB ante R$ 5,96 bilhões em fundos. Na estatística, estão apenas CCB que representam empréstimos para empresas – mas também são negociados no mercado CCB que representam crédito consignado para pessoas físicas, por exemplo.

“As cédulas estão se revelando o principal instrumento de captação de recursos para financiamento das empresas”, diz Jorge Sant’Anna, superintendente de produtos da Cetip. “Excluindo da base de debêntures o montante relativo a emissões de empresas de leasing – que não são propriamente recursos para investimento produtivo – as CCB já empatam com as debêntures também”, observa.

E o mercado de CCB está em franca expansão. O estoque total na Cetip neste ano já representa em oito meses mais de 80% de tudo que foi registrado em 2006. Sant’Anna estima que somente 20% das CCB emitidas sejam hoje registradas na Cetip – a maior parte fica na própria carteira dos bancos. Só é registrado na Cetip o que é renegociado no mercado secundário, ou seja, o que é “vendido” pelos bancos a investidores como fundos de pensão e fundos de investimento – os próprios FIDC também começam a investir nesses títulos.

A Austin Rating já fez avaliações e concedeu notas para 157 emissões de CCB, no valor total de R$ 1,85 bilhão, nos últimos dois anos. “O potencial de crescimento é muito grande”, diz Erivelto Rodrigues, presidente da Austin.

A tendência, acredita, é de que as CCB se popularizem porque são mais simples e baratas do que FIDC e debêntures, uma vez que não são valores mobiliários e, portanto, não precisam de registro na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) – que custam caro e podem demorar até três meses para serem aprovados. E também custam menos do que descontos de duplicatas e capital de giro comuns – empacotados sob a forma de CCB, os empréstimos podem ser negociados no mercado secundário e acima de tudo, são muito mais fáceis de cobrar na Justiça em caso de inadimplência.

O crescente interesse pelas CCB derrubou os spreads em cerca de 20% em dois anos, de CDI mais 1% ao ano para CDI mais 0,8%. Hoje um investidor recebe pelo papel algo entre 105% e 130% do CDI, dependendo do volume, prazo e garantias (que podem variar de recebíveis a simples aval bancário). Os bancos ficam com uma taxa pela estruturação do negócio (quando repassam o crédito imediatamente a um investidor) ou pela diferença de spread (quando dão o crédito antes de repassá-lo).

Os entrevistados são unânimes em afirmar que as CCB facilitam muito a vida de empresas e bancos. “Quando um banco estoura o limite que pode emprestar a uma empresa, e quer continuar atendendo o cliente, estrutura CCB e tira a operação do balanço”, explica Rodrigues. Por isso os bancos mais ativos nas CCB são os que tem capital pequeno – os médios e também estrangeiros como o Credit Suisse. No Prosper, CCB é o principal negócio do banco. Eduardo Duarte, diretor de tesouraria e captações do Prosper, diz que no ano passado gerou R$ 1,5 bilhão em CCB, dos quais vendeu R$ 1,4 bilhão. Mas a concorrência vem aumentando: Duarte calcula que sua participação neste mercado caiu de aproximadamente 20% em 2006 para 13% este ano. Duarte no entanto aponta um problema em relação às CCB: o fato de elas não entrarem na central de risco do Banco Central. Mas isso, segundo ele, seria facilmente resolvido com uma resolução do BC: “Basta incluir na Central os volumes que estão registrados na Cetip”.

O problema é que muitas empresas estão mais alavancadas do que parece. Ele explica que quase todo crédito bancário hoje está empacotado sob a forma de CCB – quando eles são vendidos pelo banco a um investidor saem dos seus balanços, mas a empresa continua endividada. “O risco é uma empresa tomar mais empréstimos do que pode, sem que o mercado fique sabendo”.

Anúncios

3 Respostas to “Securitização cresce. Vai ela acabar com os spreads?”

  1. Não sei responder se a securitização irá acabar com os elevados spreads praticados no Brasil. Sou da opinião, pelo que li de textos acadêmicos, que se trata de uma modalidade interessante para as empresas.

    Os custos dos serviços da elevada concentração bancária no Brasil não deverão ser abalados.

    Cordialmente,

    Rodrigo L. Medeiros

  2. Gustavo said

    Rodrigo,
    acabar com os elevados spreads não vai, porque eles são decorrentes dos juros básicos elevadíssimos. Mas podem reduzí-los significativamente e forçar a queda quando a SELIC cair, pois aumentam a baixíssima concorrência na concessão de crédito no país. E de fato, cobram taxas de juros que são às vezes quase a metade da praticada pelos grandes bancos.
    abraços

  3. Concordo contigo. Creio ser importante ressaltar que o spread bancário brasileiro, a expressiva parcela dos juros cobrados junto aos tomadores de recursos financeiros, é, em média, o dobro do praticado no mundo.

    A taxa Selic influencia certamente, porém existem outros fatores que mantêm o spread elevado. A concentração bancária e a regulação do mercado financeiro pelo BC e a CVM, por exemplo, merecem atenção.

    Um abraço,

    Rodrigo L. Medeiros

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

 
%d blogueiros gostam disto: