Blog do Desemprego Zero

Indústria tem papel-chave, diz economista

Posted by imprensa2 em 6 setembro, 2007

 De Brasília 

O economista-chefe do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), Edgard Pereira, afirma que é cedo para concluir que a indústria deixou de ser o motor da economia. Segundo ele, a indústria, pressionada pelo ambiente de alta competição, buscou cortar custos por meio da terceirização de mão-de-obra. Assim, parte dos empregos da indústria migrou para o setor de serviços.  

 Pereira diz que o deslocamento de empregos para os serviços transmite a impressão, equivocada, de que os serviços foram bem mesmo quando a indústria foi mal. “Quando o processo de terceirização se esgotar, os empregos no setor de serviços voltarão a crescer no mesmo ritmo que os da indústria”, diz Pereira.   

Ele pondera que a redução do peso da indústria na economia, que vem ocorrendo desde a década de 1990, compromete a capacidade de crescimento do país. “Uma coisa é os Estados Unidos, com a sua renda per capita entre as maiores do mundo, ter a economia liderada pelos serviços, outra é o Brasil”, afirma ele.   

Em países com renda mais baixa, a demanda por produtos industrializados cresce mais rapidamente quando a renda é puxada pelo aumento da produtividade dos serviços. Sem uma indústria local para suprir essa demanda, há pressão por importações, provocando desequilíbrio externo.   

O professor David Kupfer, coordenador do Grupo de Indústria e Competitividade da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), afirma que é bem-vinda a ênfase que o BC anuncia que dará ao setor de serviços. Mas ressalva que o papel da indústria continua chave.    

Kupfer diz que, ao contrário da indústria, que sofreu grande competição nos últimos 15 anos, os serviços ainda têm baixa produtividade no Brasil. “Esse é um fato positivo para a política monetária, já que há espaço para ganhos de produtividade nos serviços, que vão aumentar o PIB potencial”, disse, referindo-se à capacidade de a economia crescer sem pressionar a inflação.   

O professor da UFRJ diz que, por estar submetida a maior competição, a indústria sempre será o principal celeiro de inovações. Ele não concorda com a tese de que alguns serviços estão puxando a indústria. No caso da telefonia móvel, afirma, foi o desenvolvimento de aparelhos celulares e torres de comunicação mais eficientes que permitiram o barateamento e a difusão dos serviços telefônicos, e não o contrário. “A industria puxa a demanda por serviços de maior valor agregado.” (AR)    

VALOR – 03/09/2007 

Serviços crescem e dão peso ao desemprego na política do BC  

Alex Ribeiro 

O  Banco Central está investigando como o crescimento do setor de serviços e a perda de importância da indústria afeta o controle da inflação. Uma das conclusões é que, a exemplo do que ocorre nos Estados Unidos, a taxa de desemprego passou a ser uma variável essencial nas decisões de política monetária.   

A participação dos serviços na economia cresceu de 56,3% para 66,7%, de acordo com a nova metodologia de cálculo do Produto Interno Bruto (PIB), divulgada no início do ano pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No sentido inverso, o peso da indústria no PIB encolheu de 36,1% para 27,7%.  

 A primeira constatação da autoridade monetária é que o Brasil já não é mais a economia industrial da década de 1970. Hoje, o país mais industrializado do mundo é a Indonésia, onde o setor responde por 45% do PIB. Estamos mais próximos dos Estados Unidos, onde a indústria representa 23,7% do PIB.  

 O BC leva suas conclusões mais adiante: a indústria já não é mais o motor da economia, ou seja, aquele setor dinâmico que, quando entra em declínio, a economia como um todo afunda junto. Na sua visão, não há nada de errado com isso. O setor de serviços caminha com as próprias pernas e, em alguns casos, chega a funcionar como o indutor da atividade industrial.   

Os economistas do BC fizeram recentemente uma pesquisa para checar o que puxa a criação de empregos na economia brasileira – algumas das conclusões estão no texto “Geração de Postos de Trabalho por Atividade Econômica”, disponível no site da instituição. Ficou constatado que, de 1997 a 2004, os setores de serviços e de comércio foram capazes de gerar postos de trabalho em todos os anos, mesmo em 1998 e 2001, quando o emprego no setor industrial encolheu.   

A conclusão, segundo esse estudo, é que os setores de comércio e de serviços tem “certa autonomia” em relação à indústria. E isso faz uma enorme diferença para quem é responsável por controlar a inflação por meio do manejo da política monetária.   

Até agora, o BC dedicava muita atenção ao setor industrial. Acompanhava muito de perto o crescimento da indústria, os aumentos de produtividade nesse setor, a evolução do emprego nas fábricas e, sobretudo, o nível de utilização da capacidade produtiva. Sinais de aquecimento nesse setor acendiam a luz amarela. Como se supunha que a indústria era o motor da economia, inferia-se que todos os setores haviam chegado perto do limite, inclusive os serviços, exigindo mais cuidado da política monetária. 

 Com os novos dados do PIB, toda essa preocupação em acompanhar a indústria continua válida. Mas a ordem, agora, é também checar o que acontece nos serviços – seu crescimento, o aumento da oferta e o nível de utilização da capacidade instalada.  

 O principal indicador do setor de serviços é justamente a taxa de desemprego. Essa será, daqui por diante, uma variável essencial a ser acompanhada pelo BC, replicando no Brasil o que já ocorre nos Estados Unidos. Lá, o principal indicador para a política monetária é o “non-farm payroll”, ou seja, os empregos de toda a economia, exceto agricultura. Os analistas que acompanham o Federal Reserve (Fed), o BC americano, dedicam um bom tempo investigando as relações entre o desemprego e a inflação.  

 No Brasil, os economistas do setor privado dão importância limitada para os dados de desemprego. O foco é a análise dos dados sobre a capacidade ociosa da indústria. O BC quer mudar isso. Além do estudo sobre os setores que geram mais empregos, vai publicar outros trabalhos, para estimular o debate sobre o tema.      

Redução da taxa de juros depende da capacidade de inovação do setor  

De Brasília 

O espaço para que o Brasil tenha juros menores, mais crescimento e inflação sob controle dependerá, em grande parte, da capacidade de o setor de serviços inovar e aumentar a produtividade. Economistas heterodoxos são céticos quanto à vocação de qualquer outro setor que não o industrial para liderar a economia. Mas o BC aposta nos serviços para puxar o desenvolvimento do país. Essa é uma visão compartilhada por economistas influentes do Ministério da Fazenda, que avaliam que as políticas públicas devem procurar ampliar a competitividade não só da indústria, mas também dos serviços.  

 A indústria é vista em círculos heterodoxos como o motor da economia, porque é um setor mais exposto à competição e, portanto, mais ávido por inovações. Mas, para o BC, a evolução recente da economia mundial aponta que é possível ter inovação também nos serviços, e, com freqüência, o setor de serviços é quem puxa a indústria.   

Um dos casos mais discutidos sobre inovações no setor de serviços é o da rede Wal-Mart, nos EUA. A empresa teve, por exemplo, papel decisivo para que as indústrias adotassem códigos de barra nos produtos. Também apostou no desenvolvimento de sistemas sofisticados de controle de estoques e utilização de bancos de dados sobre hábitos de consumo de clientes. Boa parte das tecnologias desenvolvidas no exterior – e outras criadas dentro do país – foi absorvida pelo comércio no Brasil, cuja participação no PIB cresceu de 7,1% para 10,6%.   

No setor de transportes, cuja participação no PIB aumentou de 2,6% para 4,9% na nova metodologia do IBGE, há exemplos de inovações que levaram a extraordinários aumentos de produtividade. Na aviação civil, as estimativas são de que, de 2003 para cá, o custo por passageiro transportado tenha caído entre 35% e 40%.   

“As empresas adaptaram para a realidade brasileira conhecimentos que já estavam disponíveis em outros países”, diz André Castellini, da empresa de consultoria Bain & Company. Parte dessa inovações é desenvolvimento tecnológico, como aviões mais eficientes que gastam menos combustível, mas houve mudanças na maneira como a prestação dos serviços é organizada, com a ajuda de “softwares” que racionalizaram a malha aérea e permitiram a adoção de políticas tarifárias mais eficientes.  

 As privatizações de serviços, como no setor ferroviário, também deram impulso à produtividade. As estimativas são de que a produção ferroviária nacional aumentou perto de 70%, passando de 137,2 bilhões para 232,3 bilhões de toneladas por quilômetro transportada, para uma mesma malha ferroviária. “As empresas investiram em locomotivas mais modernas e adotaram ‘softwares’ no gerenciamento dos serviços”, afirma o diretor-executivo da Associação Nacional de Transportadores Ferroviários (ANTF), Rodrigo Vilaça.   

A avaliação de economistas da Fazenda é que, embora algumas atividades tenham registrado avanços, ainda é baixa a produtividade em geral no setor de serviços – o que abre espaço para ganhos de eficiência, que, nos próximos anos, puxariam a capacidade de a economia crescer sem pressionar a inflação. Esse diagnóstico leva o governo a considerar a desoneração da folha de pagamento como prioridade na política de desenvolvimento econômico.   

Na visão do BC, ao mesmo tempo em que inova e produz ganhos de produtividade, os serviços são capazes puxar a indústria. O caso mais em evidência são os serviços de informações, cuja participação no PIB subiu de 2,6% para 3,6%. A difusão dos serviços de telefonia móvel, por exemplo, puxou a produção e a importação de aparelhos celulares. A privatização e a racionalização da malha ferroviária estimulou as encomendas de vagões, cujo numero em atividade saltou de 44 mil para 82 mil.   

Fonte da Fazenda pondera, porém, que um ponto vulnerável das economias baseadas em serviços é a capacidade relativamente baixa para gerar divisas. Ganhos de renda nos serviços, mesmo que sustentados por avanços na produtividade, estimulam a demanda por bens industriais. Um país com indústria fraca é obrigado a importar mais, criando desequilíbrios.   

É possível gerar divisas com a exportação de serviços, como fazem Irlanda e Índia, mas o Brasil ainda tem posição relativamente modesta na área. No balanço de pagamentos, a conta de serviços, excluindo pagamento de juros e outras remunerações de capital, registra déficit de US$ 11,228 bilhões nos 12 meses encerrados em julho.   

Um dos pontos fortes da Índia e Irlanda são os serviços de informações e computação, segmento em que o Brasil tem um desempenho fraco: déficit de US$ 2 bilhões, sempre no período de 12 meses terminados em julho.   

O Brasil vai bem num grupo de transações conhecido como serviços empresariais, profissionais e técnicos, com superávit de US$ 5,199 bilhões. Parte desse resultado é constituído pelos serviços de arquitetura, engenharia e outros, com superávit de US$ 1,796 bilhão – nele estão serviços prestados por empreiteiras no exterior. Honorários de profissionais liberais geraram superávit de US$ 1,258 bilhão. 

O que mais pesa no déficit de US$ 11,228 bilhões em serviços são as despesas com aluguéis de equipamentos, que respondem por quase metade do número. Em turismo, o Brasil registra déficit de US$ 2,242 bilhões, embora as receitas brasileiras obtidas de viajantes estrangeiros tenham quase duplicado desde 2003, chegando a US$ 4,628 bilhões. (AR)   

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