Blog do Desemprego Zero

Volta a Keynes?

Posted by imprensa2 em 17 setembro, 2007

Folha de São Paulo

12 de stembro de 2007

ANTONIO DELFIM NETTO

O BANCO Para Pagamentos Internacionais (Bank for International Settlements, BIS) foi criado em 1930 para ajudar a resolver alguns problemas relativos ao controle do pagamento das reparações alemãs da Primeira Guerra Mundial. Trata-se de um banco:
1º) cujos depositantes são quase exclusivamente Bancos Centrais. Por isso é freqüentemente chamado de “banco dos bancos”;

2º) e tem por objetivo promover a cooperação entre os Bancos Centrais e estabelecer regulação universal que aumente a segurança e diminua o risco operacional (a última é o Acordo de Basiléia 2, em via de aplicação no mundo).

O BIS é, ao mesmo tempo, uma sociedade privada cujos acionistas são hoje 55 Bancos Centrais e uma organização internacional. Os signatários originais (Alemanha, Bélgica, França, Itália e Reino Unido) pertencem, “ex-officio”, à diretoria, que hoje incorpora 14 diretores eleitos.

A qualidade das análises técnicas dos economistas do BIS é excepcional e compete (na minha opinião, com vantagem) com as realizadas por quaisquer outras organizações internacionais (Bird, FMI, OMC e Unctad). São aparentemente menos sofisticadas, mas mais seguras, cuidadosas, rigorosas, realistas e, principalmente, mais humildes em suas conclusões. O relatório anual da instituição, o 77º, que cobre o período 1º/4/2006 a 31/3/ 2007, publicado no final de junho, é um exemplo do que dissemos acima. Encerra-se com um capítulo (pág. 139) que deveria ser leitura obrigatória nas aulas inaugurais dos cursos de economia e de todo cidadão que se intimida diante do aparente rigor técnico (em letras gregas) cometido por alguns ingênuos (ou muito espertos?) analistas que se crêem portadores da “ciência econômica”.

Aqui vai, para servir de aperitivo e provocação, a tradução livre de algumas linhas: “A economia não é uma ciência, pelo menos não no sentido que a mesma experiência, repetida, produz sempre o mesmo resultado”… “as previsões econômicas são às vezes equivocadas, particularmente quando o ciclo está mudando, quando as informações são insuficientes, quando os modelos são deficientes e quando os choques aleatórios conspiram para gerar resultados insatisfatórios”… “Mais ardilosa ainda é a idéia de calcular probabilidades que encerram os riscos das previsões. De fato, isso é tão difícil que não é exagero dizer que vivemos num mundo fundamentalmente incerto -um mundo no qual as probabilidades não podem ser calculadas- e não num mundo apenas com riscos”. E completa: “A história econômica é um bom guia a esse respeito”.

Ah, o velho Keynes.

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