Blog do Desemprego Zero

Muita cautela na hora das previsões

Posted by imprensa2 em 19 setembro, 2007

10/09/07 – 00:00 > OPINIÃO

Delfim Netto

Quem disser que conhece a extensão ou sabe como vai terminar essa crise dos subprimes do mercado imobiliário americano está arriscando um chute, ou simplesmente mentindo. É curioso que não há muita novidade quanto às origens e ao próprio formato dessa crise, pois além de fartamente anunciada, ela é a repetição de outras “bolhas” que sabemos que existiram desde o século 17! A primeira de que se tem registro é a famosa febre das tulipas holandesas que se espalhou por várias regiões européias e a penúltima a do Fundo comandado pelos dois prêmios Nobel americanos, cuja quebra “alavancou” a crise do mercado financeiro em 1998.

A crise atual do mercado de hipotecas americano é mais uma vez fruto da falta de transparência e da própria irracionalidade imanente aos mercados. Acredito que o seu desenrolar ainda vai revelar coisas insuspeitadas em relação à atuação dos bancos que financiaram os mecanismos de colocação dos subprimes pelos fundos que agem sem nenhum controle. Da mesma forma que aquelas empresas americanas, Enron e outras que se valeram de fantasias contábeis, está se revelando que vários bancos utilizaram intermediários financeiros em operações que não estão em seus balanços e que agora vão ter de trazer para dentro. Suspeito que o desvendamento dessas patifarias está prestes a acontecer no sistema financeiro internacional.

O curioso é que há muito tempo todo mundo no mercado sabia que as hipotecas que alicerçavam o processo eram feitas sem maior cuidado, sem verificação da renda das pessoas, sem avaliação da capacidade de pagamento dos titulares e eram realizadas cada vez mais rapidamente. A própria facilidade das hipotecas fazia o preço dos imóveis subir, criando uma sensação de riqueza e atraindo cada vez mais as pessoas. Estima-se que 30% do crédito imobiliário americano está contaminado por hipotecas mal feitas, o que é uma coisa gigantesca. Serviram para alimentar a enorme bolha que agora estourou.

Quem vai pagar o prejuízo são as pessoas desavisadas que compraram os títulos do mercado subprime ou entraram em Fundos sem ter sido corretamente informadas de que eles movimentavam esses títulos sujos. Os operadores do mercado que já receberam polpudos bônus na venda dos títulos não vão devolver o que ganharam e muitos bancos que os financiavam também não vão devolver os lucros que pegaram nessas operações.

Não se tem ainda idéia da extensão dos prejuízos e dos efeitos que poderão causar na economia real dos países. Quanto ao Brasil, apesar de estarmos na melhor situação de muitos anos para enfrentar turbulências externas, é preciso se prevenir: de uma forma ou de outra a crise vai afetar o crescimento da economia americana e, em decorrência, o crescimento mundial. A redução do crescimento vai atingir os preços das matérias-primas que exportamos e a própria quantidade de nossas exportações, que poderão continuar crescendo, mas não na velocidade atual, pois o mundo estará reduzindo a sua demanda.

Temos hoje boas reservas para enfrentar turbulências nos mercados financeiros, mas devemos estar preparados para mudanças que diminuam nossas possibilidades de expansão das exportações.

Na verdade, ninguém tem idéia precisa sobre a limitação dos estragos e então é melhor observar a prudência revelada pelo presidente do Banco Central do Brasil quando disse que “não sabemos se pegamos uma gripe forte ou se escapamos só com um resfriado.”

Quem disser que conhece a extensão ou sabe como vai terminar a crise está arriscando um chute, ou simplesmente mentindo.

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