Blog do Desemprego Zero

EDITORIAL do Cadernos do desenvolvimento do centro Celso Furtado

Posted by imprensa2 em 20 setembro, 2007

?Eu me pergunto: quem manda neste país? Por que se conservam essas taxas de
juros de fantasia, que sangram o país, deixando pequena margem para o
crescimento? É difícil dirigir um país como este.?
É de contida indignação o tom das indagações de Celso Furtado no
documentário ?O longo amanhecer ? cinebiografia de Celso Furtado?, do
cineasta José Mariani. O filme teve sua pré-estréia na abertura do
seminário internacional Pobreza e desenvolvimento no contexto da
globalização, organizado pelo Centro Celso Furtado de 25 a 27 de julho de
2006, na sede do BNDES. São as atas desse encontro que publicamos neste
número de Cadernos do Desenvolvimento.

Durante três dias, professores e pesquisadores de universidades e
instituições do Brasil, dos Estados Unidos, da Europa, América Latina e
África debateram a liberalização financeira, as políticas tradicionais e as
novas iniciativas de combate à pobreza, a integração da América do Sul eo
futuro do Mercosul. Foi lida a Ccarta pelo Ddesenvolvimento, um documento
que, em doze pontos, apela para mudanças no modelo econômico e uma
democracia mais participativa, fundamentos do pacto político capaz de
instaurar uma nova agenda do desenvolvimento. A Carta, primeira
contribuição do Centro Celso Furtado ao debate político brasileiro, foi
entregue aos candidatos que disputaram a eleição presidencial.

A mesa-redonda organizada em parceria com o Processo de Helsinque de
Globalização e Democracia ? essa generosa iniciativa da Finlândia e da
Tanzânia, lançada em 2002, para aglutinar os interlocutores que questionam
uma globalização cada vez mais excludente ? concentrou-se na questão
central do debate sobre o desenvolvimento: como implantar mecanismos
inovadores que o financiem e pavimentem o caminho rumo aos objetivos de
desenvolvimento do milênio aprovados pelas Nações Unidas em 2000.

A indignação contida, mesclada de esperança, que Celso Furtado exprime no
documentário sobre sua vida permeia muitos dos trabalhos inéditos ora
reunidos. Quando um conferencista expõe as condições infra-humanas em que
vivem 300 milhões de pessoas condenadas à pobreza crônica, quando outro
calcula que as três maiores fortunas do planeta se equiparam aos PNBs dos
48 países mais pobres do mundo, quando um terceiro lembra que os ditames do
Consenso de Washington condenaram os países africanos a pagarem de mais e
comerem de menos, ouve-se o eco da recusa a este mundo de concentração de
riqueza e de pobreza. Mas quando se aprende, pelo último relatório da
Organização Internacional do Trabalho, que o Brasil foi o país que mais
avançou na supressão do trabalho escravo, quando se lê que a comunidade
internacional passou enfim a considerar o desenvolvimento como um dos
direitos humanos, brotam razões para a esperança. (RFA)

O QUE DISSERAM ALGUNS PALESTRANTES:

Há hoje entre 300 e 420 milhões de pessoas na pobreza crônica. Mulheres de
Uganda, entrevistadas para o primeiro relatório da pesquisa sobre a pobreza
crônica, disseram: pobreza crônica é a que está presente e jamais cessa, é
a que bate na gente com força, como a chuva da estação chuvosa, e por muito
tempo. Mas a chuva um dia pára, e a pobreza crônica, não. Tony Addison,
Universidade de Manchester

A globalização dominada pelo mercado financeiro tem sido excessivamente boa
para alguns. Todo ano, cresce a lista Forbes de bilionários no mundo. Um
analista calcula que as riquezas juntas desses 793 bilionários superam
facilmente os US$ 2,6 trilhões dos títulos das dívidas globais dos países
do Sul. Susan George. Transnational Institute, Amsterdam

Se o objetivo é possibilitar um crescimento global acelerado conjugado com
maior eqüidade e sustentabilidade ambiental, não podemos imaginar um
cenário otimista sem iniciativas políticas de envergadura. Não é possível
pensar que, deixando os ajustes necessários à mercê das forças de mercado
mundiais, conseguiremos reformular os graves desequilíbrios macroeconômicos
que desaceleram hoje o desenvolvimento econômico mundial. Terry McKinley,
Centro Internacional da Pobreza/PNUD

Este ano, pela primeira vez se detecta uma redução importante no trabalho
infantil em nível mundial: 11% a menos. Isso aconteceu muito mais na
América Latina, muito menos na África. Pelo segundo ano seguido, o Brasil
aparece como vanguarda desse movimento, como bom exemplo. Laís Abramo, OIT-
Brasil

O Mercosul continua a ser o empreendimento mais profundo da integração
latino-americana e conserva potencial de crescimento, sempre que se
sustente sobre o impulso ao pleno desenvolvimento de seus países-membros. É
preciso construir o Mercosul possível, avançando com firmeza nas amplas
fronteiras aberta à convergência entre nossos países.

Aldo Ferrer,
Universidade de Buenos Aires

 

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Uma resposta to “EDITORIAL do Cadernos do desenvolvimento do centro Celso Furtado”

  1. Leandro said

    Meu amigo, só comecei a ler….leitura dinâmica, mas não continuei porque senti de início a sua mensagem e aparente preocupação; então vou lhe responder. Não precisamos olhar para longe para vermos a pobreza. Olhe para logo ali perto que você vai enxergar e, o que você está fazendo de efetivo para diminuir isto ?

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