Blog do Desemprego Zero

Investimento em 2 anos é o maior desde o Real

Posted by imprensa2 em 22 setembro, 2007

O ESTADO DE SÃO PAULO

Domingo, 16 setembro de 2007

ECONOMIA & NEGÓCIOS

 

 

Nilson Brandão Junior

 

O crescimento do investimento no País acumulado entre 2006 e 2007 deverá ficar pouco acima de 18%, maior expansão em dois anos desde o Plano Real, no biênio 1994 e 1995 (25%). O levantamento é do Grupo de Conjuntura do Instituto de Economia (IE) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), com base nas duas vezes em que o investimento cresceu dois anos seguidos em ritmo forte no período. Um levantamento da Fundação Getúlio Vargas (FGV) a pedido do Estado mostra que setores ligados ao mercado interno estão investindo mais este ano.

 

Trata-se do maior ciclo de investimento desde o início do Real, na avaliação do economista do IE/UFRJ Marcos Felipe Casarin. Ele afirma que o investimento cresce, como naquela época, favorecido pelo dólar baixo, que estimula as importações de máquinas e equipamentos, mas também pelo crescimento da produção local de bens de capital. Estima-se que a taxa de investimento sobre o Produto Interno Bruto (PIB), que no ano passado estava em 16,8%, deverá ficar entre 17,5% e 18% este ano e poderia chegar ao nível de 21% até 2009, conforme projeção do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

 

A especialista do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Mérida Herasme, afirma que há um “cenário propício” para o investimento do setor privado. Os três motivos básicos são: expectativas favoráveis dos empresários captadas pelas sondagens de conjuntura, crescimento no uso da capacidade instalada, demanda interna crescente impulsionada por ganhos da massa de rendimento e do crédito e acesso mais fácil a maquinário importado. “Investimento e consumo são as parcelas que mais crescem no PIB.”

 

O levantamento da FGV mostra que setores mais voltados ao mercado interno investirão mais este ano, em relação às vendas totais. São os casos dos segmentos de material de transporte, material elétrico e de comunicações, vestuário e calçados e produtos farmacêuticos.

 

No setor de medicamentos, 75% das empresas planejam investir mais. No de material de transporte, o investimento deverá subir de 3,4% das vendas para 4,8%. Já em setores como celulose e metalurgia, que têm parcelas de investimento relativamente maiores, a perspectiva é de investimentos menores. As empresas de celulose, que investiram o equivalente a 26,3% das vendas no ano passado, aplicarão 17,8%.

 

O caso da Coca-Cola exemplifica bem a tendência. Depois de manter investimentos entre R$ 500 milhões e R$ 750 milhões de 2003 a 2006, a multinacional e seus engarrafadores no País projetam investir R$ 1 bilhão este ano. No segundo trimestre, o volume de vendas de bebidas cresceu 22%. Para o diretor de comunicação da Coca-Cola, Marco Simões, o crescimento reflete a expansão da renda.

 

Investimento em alta deve manter crescimento sustentado, diz BNDES

 

Para assessor de Planejamento do banco, taxa pode chegar a 21,5% do PIB e assegurar expansão de 5% ao ano

 

Nilson Brandão Junior

 

O Brasil tem condições de chegar ao fim da década com uma taxa de investimento do Produto Interno Bruto (PIB) perto de 21,5%, 4 pontos porcentuais acima da prevista para este ano. A estimativa é de Francisco Eduardo Pires de Souza, assessor da área de Planejamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Segundo Pires de Souza, nesse nível a economia brasileira teria chance de alcançar um crescimento sustentado de 5% ou mais ao ano. Ele também informa que muitas empresas estão recorrendo ao segundo ou terceiro turno de trabalho, para aumentar a capacidade de atendimento à demanda.

 

É o que fará o Grupo PSA Peugeot Citroën. A unidade de Porto Real, no sul fluminense, começará a trabalhar com o terceiro turno de produção a partir de dezembro. Para isso, já está contratando cerca de 700 pessoas. Apenas a ampliação de turno permitirá um aumento de 50% da capacidade de produção, dos atuais 100 mil para 150 mil veículos ao ano. A expansão, segundo a empresa, vai atender ao mercado interno. De janeiro a agosto, o grupo vendeu 77,6 mil carros, 27,6% acima do mesmo período em 2006.

 

Na visão do economista Paulo Gonzaga Mibielli, do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), o movimento é mais variado. “Há um pouco de tudo, commodities (metalúrgica e papel e papelão), setores relativamente intensivos em tecnologia (mecânica e material de transporte); e tradicionais (mobiliário e vestuário). Portanto, a diversificação é a tônica, não há concentração num setor ou num tipo de indústria.”

 

Há preocupações, contudo, de que os investimentos acabem sobressaindo nos setores ligados aos produtos básicos e venham a perder fôlego, com a possibilidade de um crescimento em 2008 menor do que o esperado para 2007. O diretor da RC Consultores, Fábio Silveira, explica que o investimento, de fato, está crescendo, mas tem baixo impacto em termos de empregos qualificados e sobre o restante da economia, já que o maior peso está ligado a cadeias produtivas “curtas”.

 

Silveira argumenta que a maior parte do investimento acaba indo para as áreas do agronegócio, minérios e petróleo. Sergio Vale, economista da MB Associados, também avalia que segmentos ligados a commodities, metálicas ou agrícolas, recebem a maioria dos investimentos. Segundo ele, grande parte da produção de bens de capital em São Paulo segue para atividades como açúcar e álcool, por exemplo.

 

Vale comenta, ainda, que um arrefecimento da atividade tende a cortar o incentivo que o mercado interno está dando a segmentos ligados à venda doméstica. De forma geral, os economistas prevêem que o Banco Central (BC) deverá parar, na próxima reunião, os cortes na taxa Selic. “Não acredito que o crescimento do investimento será tão sustentável. O avanço do investimento deverá ser menor no ano que vem, por causa de um mercado interno que pode perder espaço”, diz Vale.

 

 

 

Burocracia afasta setor privado

 

Investimentos de empresas no PAC ainda estão na estaca zero e PPPs não saíram do papel

 

Lu Aiko Otta

 

Os investimentos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) sob responsabilidade do setor privado ainda estão na estaca zero, disse o presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), Paulo Safady Simão. “Em obras de infra-estrutura, são aproximadamente R$ 200 bilhões do PAC que deverão ser feitas pela iniciativa privada, mas até agora não se contratou nem um centavo.” No total, o PAC prevê R$ 504 bilhões em investimentos até 2010, mas essa cifra mistura investimentos do governo, de estatais, dos Estados, dos municípios e do setor privado.

 

O governo vai apresentar na próxima quinta-feira o segundo relatório quadrimestral sobre o andamento do programa. Os números deverão mostrar avanço nos projetos tocados com dinheiro público, mas as parcerias com o setor privado ainda penam na burocracia.

 

A participação das empresas é prevista, por exemplo, na manutenção, recuperação e duplicação de estradas federais. Mas, segundo observou o presidente da CBIC, até o momento nenhuma delas foi entregue à iniciativa privada por meio de concessão.

 

As Parcerias Público-Privadas (PPPs) – sociedades entre o governo e as empresas para tocar obras menos rentáveis – tampouco saíram do papel. Pelo contrário, parecem ter sido abandonadas pelo governo federal.

 

O ritmo do PAC preocupa o setor produtivo, porque a expansão da infra-estrutura não está acompanhando o crescimento da economia. Semana passada, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que, no primeiro semestre, a economia brasileira cresceu 5,4% ante o primeiro semestre de 2006.

 

Esse crescimento forte, se mantido, vai esbarrar na falta de portos, ferrovias, rodovias, hidrovias e energia. O alerta foi feito pelo presidente da Associação Brasileira de Infra-Estrutura e Indústrias de Base (Abdib), Paulo Godoy, para quem o crescimento exigirá cada vez mais serviços em infra-estrutura. Na sua avaliação, o PAC não será suficiente para fazer frente a essa necessidade. “As ações precisam ser ampliadas.”

 

Ele acha que, mais importante do que constatar que o PAC está lento, é preciso atacar as causas da demora. “Elas, evidentemente, são mais complexas e vão exigir mudanças na legislação, mudanças na forma de licitar e de contratar. Precisamos ter uma agenda paralela para tratar dessas questões.”

 

 

SINAL VERDE

 

Na avaliação da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, as concessões rodoviárias deverão ser apresentadas, nesta semana, como projeto em dia. Provavelmente, estarão classificadas em verde, dentro do sistema com que o governo trabalha, no qual cada obra recebe um selo vermelho, amarelo ou verde conforme o andamento em relação à previsão. Elas já estavam em verde no mês passado, quando Dilma apresentou uma prévia do balanço do PAC em seminário promovido pela Abdib.

 

As concessões estão em verde porque o leilão, depois de adiado várias vezes, está marcado para 9 de outubro. A determinação do governo em fazer as concessões até pegou de surpresa algumas empresas candidatas, que não estavam prontas e pediram adiamento, mas não foram atendidas.

 

Assim, no início de outubro, irão a leilão os direitos de explorar sete trechos de rodovias federais importantes, como a Fernão Dias e a Régis Bittencourt. Ganhará quem aceitar cobrar o pedágio mais barato. “Vamos esperar para ver quem ganha e como se viabiliza isso”, comentou o presidente da Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias (ABCR), Moacir Servilha.

 

A estimativa é que os sete trechos rodoviários precisarão receber investimentos de R$ 19 bilhões durante os 25 anos de concessão. “O BNDES promete empréstimos por 2,5% ao ano mais TJLP, mas eles só vão emprestar para quem tiver condição de pagar”, observou. “Não quer dizer que vai dar o empréstimo a qualquer licitante.”

 

As PPPs foram apontadas no lançamento do PAC, em janeiro deste ano, como um instrumento a ser explorado para estimular os investimentos em infra-estrutura. Porém o mecanismo caiu numa área cinzenta depois que a obra que deveria ser a primeira PPP, a recuperação e duplicação de trechos de duas rodovias federais no interior da Bahia (BRs 324 e 116), se transformou em uma concessão. Estudos mostraram que, apenas com a cobrança de pedágio, já seria possível fazer as obras necessárias. Por isso, abandonou-se a PPP, que exigiria aportes do governo federal, e decidiu-se que a obra seria integralmente tocada pela iniciativa privada.

 

Desde então, ninguém sabe dizer qual é o próximo projeto de PPP do governo. Há estudos para entregar à iniciativa privada outros trechos rodoviários, como é o caso da BR-040, que liga Brasília a Belo Horizonte. Mas não está claro se o formato será PPP ou concessão. O ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento, já disse que prefere a concessão sempre que ela for possível.

 

Outro projeto emblemático a ser tocado pela iniciativa privada, que não saiu do papel mas já melhorou na classificação do governo, é o complexo hidrelétrico do Rio Madeira, em Rondônia, considerado essencial para afastar o risco de novo apagão.

 

No primeiro balanço do PAC, apresentado em abril, as usinas foram classificadas em vermelho. Na época, o Ibama ainda relutava em conceder a licença prévia para a obra, por temer seus efeitos sobre a reprodução dos bagres na região. No balanço de setembro, elas deverão aparecer em verde, como já estavam na exposição prévia feita por Dilma no evento da Abdib.

 

A classificação melhorou porque as licenças prévias já foram concedidas e o leilão para a instalação de uma das usinas, a de Santo Antônio, está marcado para 30 de novembro. O governo ainda tem de se entender com o Tribunal de Contas da União (TCU) sobre pontos do edital contendo as regras do leilão. Por enquanto, o cronograma está mantido, mas não está descartado o risco de algum adiamento.

 

Tanto no caso das estradas quanto no das usinas, tudo o que ocorreu até agora foram preparativos para passar o bastão à iniciativa privada. Os empresários lamentam a demora, mas há grande expectativa quanto ao início dos leilões. Se tudo ocorrer como planeja o governo, até o fim do ano obras importantes em infra-estrutura já estarão a cargo do setor privado. “Se tudo se confirmar, o ano que vem será aquecido”, diz Paulo Godoy.

 

 

Governo só concluiu 9,24% dos projetos do PAC este ano

 

Os investimentos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) controlados diretamente pelo governo estão ganhando volume. De acordo com levantamento do site Contas Abertas, dos R$ 17,8 bilhões previstos no Orçamento da União este ano para projetos do PAC, 44,74% já estão empenhados, ou seja, comprometidos com o pagamento de produto ou serviço que, provavelmente, já está em andamento. O volume de projetos concluídos e pagos, porém, é bem menor: 9,24% do total.

 

É uma boa e uma má notícia”, diz o economista Gil Castelo Branco, responsável pelo levantamento. “A boa é que os investimentos estão acelerando; a má é que eles continuam bem aquém do que o próprio governo esperava gastar.” O levantamento diz respeito a uma pequena parcela do PAC, a que é paga com recursos do orçamento federal e cuja evolução pode ser acompanhada pelo Sistema Integrado de Administração Financeira (Siafi). Ela corresponde a menos de um quarto do valor previsto no PAC para os próximos quatro anos (R$ 67,8 bilhões num universo de R$ 504 bilhões). O restante está a cargo de estatais, setor privado e governos estaduais e municipais, e o acompanhamento é mais difícil.

 

Aparentemente, os investimentos estão mais ágeis do que no primeiro balanço”, concorda o presidente da Associação Brasileira da Infra-Estrutura e Indústrias de Base (Abdib), Paulo Godoy. “Isso é natural, porque as pessoas responsáveis vão encontrando o caminho das pedras.” É o caso do Ministério dos Transportes, que recebeu a maior parte das verbas para investir R$ 7,4 bilhões este ano. Desses, 13,9% já foram pagos, o que quer dizer que a obra já foi concluída. Outros 58,55% estão empenhados.

 

O campeão de eficiência nos gastos é o Ministério da Defesa. A pasta dispunha de R$ 572 milhões para obras em aeroportos, e 56,02% já foram pagos. “Para ser justo com o governo, é preciso dizer que há uma atenuante para o fato de os pagamentos estarem ainda baixos”, diz Castelo Branco. Segundo ele, somente em julho foi tomada a decisão de reduzir a meta de superávit nas contas do setor público. Com isso, foram liberados mais R$ 6 bilhões – o que elevou o valor disponível a R$ 14,8 bilhões.

 

 

 

 

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