Blog do Desemprego Zero

Tirando a máscara

Posted by imprensa2 em 23 setembro, 2007

          (Publicado no Monitor Mercantil de 19/09/07)
     Sergio Ferolla, brigadeiro, membro da Academia Nacional de Engenharia

                           Paulo Metri, conselheiro do Clube de Engenharia

O ex-presidente FHC, em entrevista à revista Piauí de agosto de 2007, fez
uma série de declarações estarrecedoras, mostrando a que ponto são
pervertidas, as mentes de homens que dirigiram os destinos do nosso país.
Sem meias palavras, afirmou que: “Em restaurantes em Buenos Aires sou
aplaudido quando entro. É que eu traí os interesses da pátria, então eles
me adoram”. Condenou, também, o mercado como “único organizador do Brasil”,
assim como o conceito de Estado mínimo e a privatização na sua essência, só
tendo privatizado porque “estávamos falidos”. Circulando fagueiro e sempre
muito festejado, pelas terras daqueles aos quais prestou relevantes
serviços, chegou a ponto de achincalhar o desfile de sete de setembro,
definindo-o como “uma palhaçada”.

Sem qualquer intenção de julgamento, devemos considerar suas palavras como
altamente esclarecedoras e a merecer análise criteriosa, em razão de ter
partido do principal executor dos princípios neoliberais e que, agora,
confessa seus malefícios publicamente. A pretensa mudança de discurso de
FHC nos leva a pensar no que, realmente, aconteceu em nosso país, desde a
década de 90, e como a sociedade foi prejudicada, para que possamos
planejar, de forma correta, nosso futuro, como nação soberana.

Com Collor, foi iniciada a entrega, desordenada, do país aos investidores
externos, só suspendida graças à cassação do seu mandato. Já com FHC no
poder, fortes interesses econômicos atuaram no mais elevado nível da
República, impondo mudanças no capítulo da ordem econômica da Constituição
Federal e abrindo o caminho para uma verdadeira avalanche de concessões aos
interesses estrangeiros. Foram alienadas empresas que viabilizavam a ação
do Estado e desobstruíam gargalos ao desenvolvimento, deixaram de existir
os poucos privilégios para as empresas de capital nacional, foi criada a
possibilidade de empresas estrangeiras pesquisarem o subsolo brasileiro e
exportarem o petróleo encontrado, foi extinta a proteção das empresas
nacionais para a navegação de cabotagem e assim por diante. Sem necessitar
de maiores reformas e, às vezes, por ação direta do Executivo, foi
expandida a queda de barreiras alfandegárias, foi contido o desenvolvimento
de forma a sobrarem recursos para o pagamento de juros a investidores
estrangeiros, foi criado um exército de desempregados para dobrar os
sindicatos e foram criadas as tão mal faladas agências reguladoras, dentro
de um arcabouço institucional capaz de garantir ao capital, maiores
vantagens e lucros exorbitantes, por mais conflitantes que fossem com a
penúria da sociedade.

O resultado foi a repugnante tragédia neoliberal, agora reconhecida por
aqueles que, até recentemente, a endeusavam. Uma avaliação das
privatizações deveria ser feita, analisando as tarifas dos produtos e
serviços privatizados, a extinção de atividades em setores, como o
ferroviário, o crescimento do risco na atividade privatizada e o aumento da
desnacionalização da economia. No passado, ideólogos do neoliberalismo
apregoavam que ele era a única solução, pois a experiência socialista havia
fracassado. Hoje, tem-se certeza que ele não era solução e, sim, nada mais
que o acirramento do capitalismo.

O entulho neoliberal, principalmente aquele acoplado a roubos e injustiças,
deve ser corrigido e, por vontade da sociedade, devem ser revistas as
concessões e vantagens indevidas na privatização da Vale do Rio Doce, as
predatórias rodadas de licitação das reservas petrolíferas, executadas pela
ANP, os empréstimos vantajosos do BNDES para empresas não nacionais, com
recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador, a política econômica de viés
monetarista, que despreza o setor produtivo e causa um recuo na
industrialização do país, enfim, os muitos desacertos na condução da
questão nacional, diminuindo o Estado e o poder público, beneficiando
entidades e grupos, em detrimento dos reais interesses da sociedade
brasileira.

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