Blog do Desemprego Zero

Inimigo predileto

Posted by NOSSOS AUTORES em 21 dezembro, 2007

  Publicado no Jornal do Commercio de 19/12/07

Sergio Ferolla, brigadeiro, membro da Academia Nacional de Engenharia

Paulo Metri, conselheiro do Clube de Engenharia

Se observarmos o comportamento dos brasileiros frente à opção preferencial pelo capital ou o trabalho, poderemos classificá-los como conservadores ou progressistas, os primeiros privilegiando a competição sobre a solidariedade e os segundos buscando na solidariedade a razão motivadora da convivência no trabalho e na vida. Se trocarmos o ponto de vista da análise, teremos uma nova classificação dos brasileiros, identificando os que agem de forma a priorizar os interesses maiores da nossa sociedade, diferentemente daqueles que pregam ideologias “internacionalistas”, num teórico e hipotético mundo sem fronteiras, em benefício dos mais bafejados pela fortuna e sem considerar a localização de nossos domicílios e das nossas empresas.

Esses “internacionalistas” desprezam o fato de que, no médio e longo prazo, o fluxo de caixa de empresas estrangeiras sediadas no país, de capital, bens e serviços, com valores corretos e sem sub ou superfaturamentos, será sempre deficitário, saindo mais recursos para o exterior do que entrando no país. Enfim, por mais evidente e historicamente comprovado que há um pernicioso resultado, eles teimam em não aceitar que as empresas têm interesses arraigados com os Estados nacionais de onde são originárias, só priorizando, por exemplo, desenvolvimentos tecnológicos de ponta nos países que hospedam suas matrizes.

Deixamos claro não existirem, unicamente, esses dois ângulos para a análise da nossa sociedade, mas eles facilitam a compreensão de possíveis alianças estratégicas entre os quatro subgrupos de pessoas, obtidos da conjunção das duas classificações, a saber, os nacionalistas conservadores, os nacionalistas progressistas, os internacionalistas conservadores e os internacionalistas progressistas.

É importante ressaltar que, no Brasil, atualmente, os nacionalistas conservadores, em hipótese alguma, se compõem com os nacionalistas progressistas, devido a acontecimentos ocorridos 40 anos atrás, sendo a recíproca, também, verdadeira. Mas, esse fato não ocorre em outros países. Aqui, também, os mesmos nacionalistas conservadores não têm análoga aversão aos internacionalistas conservadores, podendo, conjunturalmente, compor com eles. Por outro lado, os internacionalistas progressistas têm grande desconfiança dos nacionalistas progressistas.

Tudo o que foi descrito tem relação com a “identificação do inimigo”, que, se realizada corretamente, permitirá a conquista de benefícios para toda a nação. Assim é que, a escolha criteriosa do “inimigo” acarretará alianças conseqüentes, com melhores frutos para a sociedade que a escolha sem compromisso de grupos para serem os “amigos”.

Por isso, nossos grupos sociais comprometidos com os interesses maiores da nação brasileira precisam, com urgência, superar possíveis traumas e cicatrizes deixadas pelos eventos que marcaram a história recente do nosso país, unindo esforços para a superação dos óbices existentes nos atuais caminhos disponíveis nesse moderno mundo globalizado, totalmente diversos daqueles existentes nos complexos momentos das antagônicas ideologias, da bi-polaridade e das ameaças da guerra fria. Já é passado o momento de uma aliança estratégica dos nacionalistas conservadores com os nacionalistas progressistas, priorizando o “nacional”, de tal forma que, sem se descaracterizarem e numa “união cívica” da família brasileira, englobando civis e militares, ricos e pobres, jovens e idosos, acima dos credos, ideologias, níveis de escolaridade e raízes raciais, seja colocado, prioritariamente, o interesse maior e sadio da sociedade.

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Uma resposta to “Inimigo predileto”

  1. Jefferson Porto Lucio said

    PEDIDO AO PRESIDENTE LULA.

    Não traia nossa esperança

    Por isso, presidente, rogo-te, renove, se for o caso, a concessão da rede Globo, deixa-a fazer o que quiser, em nome da liberdade de expressão dos ricos, que seja, mas não conceda à Globo, assim como aos demais canais abertos de televisão, o direito de se apossar, de seqüestrar e roubar os espectros, logo novos canais, possibilitados pela tecnologia das tevês digitais.

    Rogo-te a coragem para conceder esses canais para os movimentos sociais, as instituições e as pessoas que acreditam que o capitalismo não é o fim dos tempos, que nem tudo tem que ser baseado na competição mercadológica, que outro mundo é possível: um mundo em que as riquezas simbólicas e materiais, coletivamente produzidas, sejam cooperativamente distribuídas.

    Rogo-te coragem, presidente, para não deixar o seu medo, ou o sua vaidade de presidente, de pobre que mais não é, rogo-te para que não traia a nossa esperança, a única que te garante no poder, não tenha dúvida disso.

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