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Obama mostra que será um grande estadista: Ele capitaliza e inverte Efeito negativo do discurso do pastor!

Posted by Jean Datum em 19 março, 2008

Comentada por Eduardo Kaplan e Gustavo Santos

“A indignação é real, é poderosa, e simplesmente pretender que desapareça, sem compreender suas origens só serve para aprofundar o abismo da compreensão que existe entre as duas raças”.

Ele consegue rejeitar o confronto que o tal pastor queria criar, talvez até para ajudar o Obama pelo possível instigamento do votos dos negros ou captando votos de brancos “com consciência pesada”. Diz ainda que as palavras do pastor foram de divisão e o que “precisamos é de união”. Rejeita, mas deixa claro que existe um abismo racial a ser transposto.

Barack Obama critica discurso de seu líder espiritual e defende união racial nos EUA

Do Globo online

O pré-candidato democrata à Presidência dos EUA Barack Obama fez nesta terça-feira um contundente discurso sobre as divisões raciais explicitadas na corrida presidencial americana. O senador falou abertamente sobre o ressentimento entre brancos e negros no país e a controvérsia causada pelo discurso de um pastor negro ligado à sua campanha.

O reverendo Jeremiah Wright disse em discursos inflamados disseminados pelo site Youtube que os negros continuam a ser maltratados pelos brancos nos Estados Unidos. Obama reagiu afirmando que os sermões de Wright “ofendem tanto a brancos quanto a negros”. Entretanto, embora Obama tenha rechaçado os comentários do pastor, o senador por Illinois fez questão de ressaltar a figura do homem que inspirou sua fé cristã, realizou seu casamento com Michelle, batizou suas filhas e tem sido o seu guia espiritual por quase 20 anos e disse que não podia renegá-lo.

“A indignação é real, é poderosa, e simplesmente pretender que desapareça, ou condená-la sem compreender suas origens só serve para aprofundar o abismo da incompreensão que existe entre as raças”.

O senador, que tem esmagador apoio da comunidade negra, falou de sua própria herança racial – tem mãe branca e pai negro – e comentou que “talvez essa união não seja perfeita, mas geração após geração tem-se demonstrado que sempre se pode aperfeiçoá-la”.

– A indignação é real, é poderosa, e simplesmente pretender que desapareça, ou condená-la sem compreender suas origens só serve para aprofundar o abismo da incompreensão que existe entre as raças – declarou Obama, em tom sereno, no Centro da Constituição Nacional, em Filadélfia, no estado da Pensilvânia.

Assista abaixo a um dos discursos de Jeremiah Wright:

Wright, que se aposentou recentemente, disse certa vez que os atentados de 11 de setembro de 2001 foram uma vingança contra a política externa dos EUA. Em outra ocasião, afirmou que o governo americano é a fonte do vírus da Aids, e se manifestou contra o suposto racismo generalizado da sociedade. Para Obama, as declarações do pastor são não só polêmicas, mas também “expressam uma visão profundamente distorcida deste país – uma visão que vê o racismo branco como endêmico”.

“Temos uma escolha neste país. Podemos aceitar uma política que alimenta a divisão, o conflito, o cinismo. Ou, neste momento, nesta eleição, podemos nos unir e dizer: ‘Não desta vez'”.

– Temos uma escolha neste país. Podemos aceitar uma política que alimenta a divisão, o conflito, o cinismo. Ou, neste momento, nesta eleição, podemos nos unir e dizer: ‘Não desta vez’ – afirmou o candidato. – Mas não posso me dissociar dele da mesma forma que não posso me dissociar da comunidade negra.

Obama poucas vezes falou da questão racial tão abertamente. Desta vez, o pré-candidato democrata citou as divisões criadas desde a escravidão até o julgamento de O.J. Simpson, passando pelos esforços de recuperação depois da passagem do furacão Katrina por Nova Orleans. Assessores do candidato temem que a polêmica envolvendo o pastor lhe custe votos de brancos em Estados como a Pensilvânia, que realiza eleições primárias em 22 de abril.

– Eu sabia que ele era um crítico ocasionalmente feroz da política doméstica e externa americana? É claro. Já o ouvi fazer comentários que poderiam ser considerados polêmicos quando eu estava sentando na igreja? Sim. Discordo fortemente de muitas de suas visões políticas? Absolutamente [sim] – disse Obama.

Segundo o candidato democrata, os trechos polêmicos mostrados nos últimos dias em programas de TV e sites não refletem o caráter de Wright.

– Imperfeito como ele possa ser, é como alguém da minha família. Ele fortaleceu minha fé, oficializou meu casamento e batizou minhas filhas – declarou Obama.

“Imperfeito como ele possa ser, é como alguém da minha família. Ele fortaleceu minha fé, oficializou meu casamento e batizou minhas filhas”.

Na semana passada, a questão racial já havia entrado na campanha por causa de uma declaração de Geraldine Ferraro, ex-candidata à vice-presidente e seguidora de Hillary Clinton, rival de Obama pela indicação do partido. Ferraro sugeriu que Obama não teria ido tão longe se não fosse um homem negro. O senador lamentou que alguém veja sua candidatura “como um exercício de ação afirmativa”.

A campanha de Hillary pouco citou os sermões de Wright, mas disse que os eleitores deveriam ter essa questão em mente.

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Uma resposta to “Obama mostra que será um grande estadista: Ele capitaliza e inverte Efeito negativo do discurso do pastor!”

  1. Eduardo Kaplan said

    http://www.huffingtonpost.com/laura-j-mansfield/the-impact-of-obamas-spe_b_92244.html

    Esta entrevista me fez entender melhor o que eu senti depois de ler o discurso de Obama.

    Sem dúvida, o discurso de Obama foi desconcertante, fora da rotina dos discursos políticos.

    O entrevistado, Prof. Rogers Smith, aponta para uma mudança de paradigma das discussões raciais, tradicionalmente vinculada às duas formas de luta por cidadania, defendidas por Martin Luther King e Malcom X. Num momento de crescente desiguladade social nos Estados Unidos, ele quer criar uma terceira agenda, inclusiva para todos americanos, acima das disputas raciais.

    Obama desloca, assim, o foco do discurso político, ainda amarrado em divisões raciais, para uma agenda porpositiva de direitos para todos americanos.

    Tem elevado potencial de agradar imigrantes, que têm cidadania mais reprimida que os negros, mas são excluídos do debate racial. Agrada conservadores, pois descarta um discurso radical de embate racial, como Panteras Negras. E certamente cria simpatia com eleitorado não vinculado ideologicamente com partidos ou lutas sociais, pois há uma clara indicação de fortalecimento de identidade nacional norte-americana.

    (engraçado, mesmo grandes líderes como JFK tinham o dom de instigar o espírito nacional, mas não se propunham a recriá-lo, como Obama certamente faz…)

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