Blog do Desemprego Zero

Conversa Afiada, Somos todos PHA – Paulo Henrique Amorim

Posted by Beatriz Diniz em 21 março, 2008

O IG é uma empresa privada e tem direito de rescindir o contrato que quiser. Mas a forma grosseira com o que o fez, sem deixar na página nem um aviso aos internautas, sem permitir ao Amorim que transferisse, com tranquilidade, seus arquivos para o outro espaço, revela uma truculência que nos deixou, leitores e cidadãos, perplexos.

– por Miguel do Rosário, Blog Óleo do Diabo

Sabotaram o homem. Despejaram-no, sem aviso prévio, de seu endereço na web. Li por aí que apagaram seus arquivos antigos, o que me recuso a acreditar por enquanto, já que seria uma canalhice tão grande que deve constituir crime contra a propriedade intelectual.

A alegação de que o site do PHA não tinha visitação suficiente é ridícula. O Conversa Afiada era um dos sites mais conhecidos do país. Bem humorado, escrachado, franco, assertivo, original, foi um site que conseguiu conquistar um vasto segmento da opinião pública nacional. Através de sua linguagem direta e seu humor particularíssimo, Amorim agregava valor e graça aos grandes – e pequenos – debates políticos domésticos.

A explicação, aliás, é negada pelo IBEST, um concurso de internet patrocinado pelo próprio IG. O Conversa Afiada está em primeiro lugar no certame, à frente de sites dos maiores partidos políticos do país, como o Vermelho, o PT, etc. A única página do IG que me interessava era o site do PHA. Todos os meus amigos, de bar e de blog, também são leitores assíduos do PHA, um jornalista que, seguramente, causa inveja em muita gente por sua independência, espirituosidade e pela insofreável alegria que emana de seus textos irônicos e inteligentes.

Ainda contradizendo a tese do “baixo público”, PHA foi capa da revista Caros Amigos, devido justamente a seu trabalho no blog. Foi entrevistado pela Revista do Brasil, pela Trip, pela Folha de São Paulo, justamente por seu trabalho na internet. Que raio de critério é esse?

O fato pegou a blogosfera de surpresa e produziu uma justa onda de indignação. O IG é uma empresa privada e tem direito de rescindir o contrato que quiser. Mas a forma grosseira com o que o fez, sem deixar na página nem um aviso aos internautas, sem permitir ao Amorim que transferisse, com tranquilidade, seus arquivos para o outro espaço, revela uma truculência que nos deixou, leitores e cidadãos, perplexos. Essa truculência representou uma propaganda negativa fortíssima para o IG. Esse tipo de notícia costuma repercutir de forma muito intensa na internet. Até mesmo entre não leitores e não simpatizantes do PHA, uma atitude dessas é um escândalo. Existe uma espécie de pacto sagrado na web, que é o direito da expressão. Na web convivem os grupos mais radicais, mais extremistas, e ninguém cogita defender a censura de seus adversários, até porque isso representaria uma deslealdade, uma vitória sem valor. Os que não gostam do que PHA escreve ou pensa, devem vencê-lo através de argumentos, não puxando-lhe o tapete de maneira tão abjeta.

A sordidez do ocorrido é o rabo que a IG deixou à mostra sobre os interesses por trás da coisa. Amorim sempre foi muito transparente em relação a seus desafetos e, portanto, não é nada absurdo cogitar sobre figuras políticas e empresariais que estariam interessadas em sabotar seu trabalho.

Uma coisa é certa. Amorim fazia um belíssimo trabalho no Conversa Afiada. Tinha os escrachos, as piadas, mas havia também excelentes entrevistas com importantes autoridades estaduais, federais, com parlamentares, senadores, etc. Aliás, reitero: quero saber se os arquivos se perderam. Se os arquivos foram realmente apagados, vou defender que o Movimento dos Sem Mídia entre em ação contra o Portal IG por atentar contra a liberdade de expressão, a cidadania e os interesses nacionais, visto que as entrevistas constituem arquivos importantes para pesquisadores e pessoas comuns conhecerem mais o Brasil.

Outra coisa que chama atenção é sobre o silêncio constrangido, covarde, hipócrita, de jornalistas e jornais que vivem vociferando contra supostos atentados contra a liberdade da imprensa. Fiéis acionam jornais porque se sentem ofendidos com uma reportagem que apresenta sua religião sob um viés negativo e esses jornalistas e jornais logo dão início a protestos violentos contra o que seria uma agressão à liberdade. E agora, que um portal, sem aviso prévio ou pós, tira do ar um dos sites políticos mais visitados do país, ninguém fala nada?

Fora do mundo confortável dos portais corporativos, PHA, com 66 anos de idade, agora é – por enquanto – um guerrilheiro comum da web. Torço para que consiga desenvolver um trabalho que lhe proporcione retorno existencial e financeiro. Hoje somos todos Paulo Henrique Amorim. O Brasil precisa do contra-ponto midiático que ele representava.

Agora, o negócio é arregaçar as mangas e bola pra frente. Divulguem o novo site do PHA, linkem-no com destaque em seus blogs e sites. É o mínimo que podemos fazer.

http://www.paulohenriqueamorim.com.br/

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