Blog do Desemprego Zero

Por que o Brasil ainda é um dos que menos cresce entre os emergentes? Porque o Meirelles ainda não é Presidente da República

Posted by Gustavo dos Santos (meus artigos clique) em 22 março, 2008

Publicado originalmente no Crítica Econômica

Gustavo Antônio Galvão dos Santos *

Ao contrário do que tentam difundir certos candidatos a “sábios modernos”, economia não tem grandes mistérios. Qualquer estudante de economia sabe que existem 3 tipos de políticas macroeconômicas indutoras do crescimento: juros baixos, expansão dos investimentos e gastos públicos e câmbio desvalorizado.

Qualquer estudante sabe também que existem três tipos de políticas para redução da taxa de crescimento: juros altos, redução dos investimentos públicos e câmbio valorizado.

Qualquer estudante sabe também que, se os empresários estiverem muito otimistas e investindo muito, pode não ser necessário realizar políticas macroeconômicas adicionais indutoras do crescimento; mas se estiverem muito pessimistas ou não tão otimistas, será, sim, necessário colocar em prática políticas indutoras do crescimento. Desde que o governo tenha realmente como meta evitar a estagnação.

Essas proposições são matéria básica em qualquer curso de economia há pelo menos 55 anos. O jornalismo econômico e o debate político já as consideram triviais há ainda mais tempo.

Nesse sentido, o motivo pelo qual a economia brasileira segue semi-estagnada é cristalino. O governo mantêm há muito tempo fortes políticas de contenção do crescimento. Essas políticas são tão firmes que mantemos-nos semi-estagnados apesar de estarmos vivendo o período de mais rápido crescimento da história da humanidade. Nem a crise do subprime, que tem poucos meses, mas ainda não foi capaz de barrar o crescimento mundial. De qualquer forma, esta é uma análise que busca entender a política econômica desde o início do governo Lula.

As três políticas macroeconômicas são escancaradamente estagnacionistas no Brasil. A política monetária, com os maiores juros do mundo, é incrivelmente recessiva, restringindo não só os investimentos, como o consumo baseado em crediário. A política fiscal também é estagnacionista, pois ela é passiva e não permite expansões contra-cíclicas como em qualquer país civilizado.

A política cambial também é recessiva, pois manter o câmbio valorizado afunda a rentabilidade dos investidores potenciais na indústria e na agricultura. Com um câmbio super-valorizado, apenas a explosão do preço das commodities e o diferencial da taxa de crescimento brasileira com relação resto do mundo é capaz de sustentar o superávit em conta corrente.

É preciso ter claro que o câmbio brasileiro está muito valorizado e isso não pode ser captado pelo saldo em conta corrente, porque a taxa de crescimento do PIB – muito baixa para nossa necessidade – limita a taxa de crescimento das importações. Além disso, estamos vivendo um raríssimo processo de alta das commodities exportadas pelo Brasil. Esses fatores permitem que ocorra superávit em conta corrente, apesar da valorização cambial.

A elevada demanda por nossas exportações de commoditites normalmente promoveria crescimento. Porém, a reação do Banco Central (BC) de manter os juros elevadíssimos para valorizar o real e assim cumprir metas cada vez mais ambiciosas de inflação, está causando no país o chamado “mal holandês”. “Mal holandês” é um processo de desindustrialização e de recuo competitivo nos setores tecnológicos. Ele decorre da permissão de valorização cambial pelo BC em resposta a um crescimento das exportações de commodities e também, no caso brasileiro, aos maiores juros do mundo. Ele representa o efeito negativo da valorização cambial sobre o desenvolvimento, mesmo em situação de crescimento das exportações. É um mal muito comum na história da América Latina. Aos conhecedores dos princípios básicos da economia, é consensual, portanto, que as 3 políticas macroeconômicas estão direcionadas para restringir o crescimento, que seria normalmente inevitável na atual conjuntura internacional.

O recém-criado PAC é uma tentativa de alterar esse quadro. Infelizmente ele é insuficiente frente ao potencial contracionista das outras políticas. Essas políticas recessivas são todas resultado única e exclusivamente da opção do BC em manter por mais de 12 anos as maiores taxas de juros reais da história da humanidade. E, de forma oposta aos BCs do restante dos BRICs (Rússia, Índia e China), o BC não aproveita o contexto de saldo positivo em conta corrente e boom das exportações para acumular reservas no volume necessário, permitindo uma valorização cambial inédita.

A política monetária e cambial são soberanias exclusivas do BC. Em um contexto de autonomia prática para o BC, como o que estamos vivendo, a única política cujo controle estaria sob responsabilidade do governo democraticamente eleito é a política fiscal. Mas no Brasil atual, o governo não tem poder nem sobre essa política. Nesse aspecto, o governo está completamente refém do BC, pois a meta de superávit primário, tão duramente defendida pelo BC, faz com que a política fiscal seja totalmente passiva. E não é apenas a formalidade da meta de superávit que torna a política fiscal passiva. Com as taxas de juros extremamente elevadas, como as atuais, um aumento significativo do déficit nominal levaria, de fato, a dívida pública a uma trajetória explosiva, como aconteceu no primeiro mandado de FHC. O que comprometeria ainda mais a distribuição de renda. Além de colocar o governo sob pesada crítica por parte da mídia, da academia ortodoxa e dos sistemas empresariais e financeiros.

A falta de autonomia do governo em relação ao BC é agravada se levarmos em conta que qualquer crescimento acima de 4% é considerado exagerado e inflacionário pelo BC, que responde sempre a essa possibilidade com elevação contínua dos juros. Para ficar bem claro a indisposição a uma política fiscal autônoma, o BC aumentaria as taxas mais rapidamente do que usualmente faz, pois considera esse tipo de política uma desobediência às diretrizes ortodoxas que defende. Para o BC a “ousadia” fiscal precisaria ser respondida com rapidez para induzir o governo a recuar de qualquer autonomia. Recentemente, o BC demonstrou essa disposição ao cortar os juros em apenas 0,25, quando tudo indicava ampla margem para reduzir em 0,5.

Oscilar os juros dentro de um patamar ineditamente alto não é fazer política monetária ativa. Fazer política monetária significa adotar juros baixos quando o desemprego é elevado e juros um pouco maiores quando o desemprego é baixo e os salários estão crescendo rapidamente. Porém, a política monetária brasileira oscila entre juros estupidamente altos, próximo ou acima de 20%, para juros extremamente altos, como os atuais 11%.

O BC brasileiro reduz a taxa de juros como se fosse o BC suíço, desconsiderando que os juros vigentes são completamente anormais. Em qualquer país de baixas taxas de inflação, uma taxa de juros nominal de 6% é considerada substancialmente contracionista e raramente atinge esse patamar. Estranhamente, aqui o BC nem cogita aplicar esse patamar.

Nossa “política monetária” sempre é incrivelmente contracionista e, portanto, nunca impulsiona de fato o nível de atividade, que raramente passa de 4%, definido pelo BC como “teto inflacionário”. Como pode o BC estabelecer autonomamente um “teto” de 4% para o crescimento econômico quando o presidente democraticamente eleito procura atingir um crescimento de 5%? Com o controle total da política monetária e cambial e indireto da política fiscal, se for concedida autonomia formal ao BC que está aí, que autonomia terá o governo democraticamente eleito?

O Brasil não cresce porque o governo e toda a nação estão reféns de uma política monetária radicalmente conservadora. Com os juros extremamente elevados Meirelles é de fato quem determina nossa taxa de crescimento. Ele decidiu que a taxa não deve ser alta no governo Lula. Será que faria o mesmo com um correligionário?

CONTINUAÇÃO…

DEBATE: O BANCO CENTRAL DO MEIRELLES ESTÁ CERTO OU ESTÁ SEGURANDO O DESENVOLVIMENTO DO BRASIL

* Gustavo Antônio Galvão dos Santos: Editor.Mineiro de BH. Economista pela UFMG e mestre e doutor pelo Instituto de Economia da UFRJ. Meus artigos

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27 Respostas to “Por que o Brasil ainda é um dos que menos cresce entre os emergentes? Porque o Meirelles ainda não é Presidente da República”

  1. Caro Gustavo

    Penso que Lula não irá mexer no Meirelles. Se pararmos para refletir, essa parceria foi costurada no processo eleitoral de 2002 por gente que responde a processos na Justiça. São os tais compromissos de campanha de quem recebeu recursos da banca.

    Há por certo tensões no governo do presidente Lula. No entanto, com apenas dois orçamentos a serem elaborados, 2009 e 2010, não se pode esperar muito. Reconheço que vem ocorrendo uma melhora vegetativa dos indicadores sociais. Lembro que o IDH, índice de desenvolvimento humano, resulta da ponderação de três variáveis: (1) renda per capita; (2) anos de escolaridade formal; (3) expectativa de vida da população. Também não é necessário muito esforço para perceber como a justaposição de programas compensatórios (Bolsa Família), educação continuada (política do MEC desde o ministro Paulo Renato, do PSDB-SP) e progresso da Medicina (incluindo a distribuição gratuita de remédios) ajuda a melhorar o IDH de um país. Melhora estrutural? Não creio.

    Parabéns pelo artigo. Ele desnuda com muita clareza o que está rolando no campo da macroeconomia e como o Banco Central do Brasil está sendo administrado. Lula é o presidente da República e não pode ficar dizendo que não sabe de nada: 49% dos trabalhadores brasileiros estão desempregados ou na informalidade (Cf. CEPAL, 2007). Tal fato seria um escândalo em qualquer país sério.

    Um abraço,

    Rodrigo L. Medeiros

  2. Rodrigo,
    eu insisti como Roberto com relação à importância de ser otimista.
    http://desempregozero.org/2008/03/20/as-rendas-oclusas/#comment-1359
    Mas não dá para ser otimista no vazio. Talvez seja essa minha diferença com relação ao que ele pensa, semântica.
    Mas não acho que seja tão útil separar tipos diversos de pessimismo.
    prefiro trabalhar com os conceitos pessimismo e otimismo, apesar do segundo ser quase uma palavra proibida no Brasil. Se eu chamar alguém de otimista, é quase como xingar a mãe.
    Fiz essa introdução apenas para dizer que também não sou nem um pouco otimista frente à possibilidade do Lula tirar o Meirelles.
    Mas esse meu pessimismo decorre do fato de que todos nós, que sabemo o mal que o Meirelles no faz, ficamos calados, porque achamos que é impossível que ele caia.
    Primeiro ponto, não é impossível. só será se todos nós não movermos nenhuma palha contra ele.
    até agora foi assim, ninguém moveu uma palha contra.
    Este blog foi o primeiro a dizer explicitamente: É PRECISO TIRAR O MEIRELLES!!
    Lula não quer obviamente. Tem compromissos com o Meirelles? Muito provavelmente. Então vamos contrangê-los. A ambos.
    Meirelles trabalha contra o governo Lula e Lula não tem peito de tirar alguém que quer lhe prejudicar.
    Não vamos mais ficar calados.
    Fora Meirelles! Você trabalha contra o governo e contra o país!
    Não nos interessa sustentá-lo aí.
    Lula está errado em lhe sustentar!
    Rodrigo,
    ao menos podemos constrangê-los nos círculos pequenos em que estamos. quem sabe a idéia não espalha?
    muita gente é prejudicada pelo Meirelles!
    Governo, Trabalhadores, Indústria, Agricultura, Candidatos a presidente do lado do governo, o PT, etc.
    todo mundo está calado. apenas pedem timidamente para que o Meirelles reduza o juros, imploram, imploram e se humilham.
    Meirelles é funcionário do povo brasileiro, está fazendo sabotagem contra o povo brasileiro. Vamos demiti-lo!

  3. Gustavo

    Estamos buscando fazer exatamente isso neste blog. Sem apologias ao governo do presidente Lula – “nunca antes da história deste país (…)”. Até o Sarney tinha o slogan do ‘tudo pelo social’. Seu governo distribuía vale-leite como política social. As oligarquias se mostram sensíveis à questão social na Nova República. Principalmente se isso rende uma clientela de eleitores…

    Nas Américas, o Brasil possui o segundo PIB. Atrás dos EUA. Tudo bem, muito atrás. Se analisarmos três variáveis – demografia, PIB, extensão territorial -, assim como o fazem os adeptos da Realpolitik, o Brasil encontra-se entre os quinze países do mundo. Nada mal. No entanto, o capitalismo financeiro exógeno instalado aqui não tem interesse em desenvolver tamanho potencial. O que fazer? Capitular como o fizeram FHC e Lula?

    Não é essa nossa posição. O sistema financeiro brasileiro pode ser pressionado a elevar a oferta monetária (M3), de forma regulada, a partir da redução gradual da Selic. Tudo feito sem radicalizações e em consonância com o que se passa no mundo. Lembro ao amigo que pensamento keynesiano está renascido e até mesmo o FMI, sob a direção-geral de Dominique Strauss-Kahn, vem propondo uma agenda de regulação multilateral do capital financeiro.

    Uma conjuntura bem interessante.

    Um abraço,

    Rodrigo L. Medeiros

  4. Eduardo Alves said

    Amigos,

    Nós sempre criticamos aqui o Meirelles, mas penso que o Lula é ainda mais responsável por esses desatinos. É um absurdo essa média de crescimento pífia, depois de 6 anos de governo. Não dá mais para botar a culpa no “governo anterior”, como se fazia no primeiro mandato.
    Guido Mantega, que para mim é um dos melhores quadros do governo, já divergiu abertamente do Meirelles, em público. Internamente, as discrepâncias devem ser constantes. Como um Presidente de BC não atua em sintonia com o MF? É um pouco antilógico.

    Lula fez avanços importantes no país, mas nessa questão parece que está preferindo beijar a cruz do que arrancá-la de lá. A educação e a saúde estão deterioradas.

    Poderíamos estar crescendo tranquilamente a 6 ou 7% ao ano.

    Abraços,

  5. Bruno said

    Eduardo,
    Concordo com vc. Poderíamos estar crescendo pelo menos 7% ao ano. E o Lula quer isso. Quem não quer é o Meirelles. Minha intenção é derrubar o Meirelles. Utopia? Simplesmente, acho que é dever meu como cidadão tentar lutar para um país melhor. Com um presidente do BC que não boicote o país(pode até ser ortodoxo), o país vai estar bem melhor: crescendo mais, gerando emprego e as pessoas veriam que um superavit primário dessa magnitude é desnecessário. Para quem acha que somos pequenos demais para derrubar o Meirelles, só tenho uma coisa para responder: certeza só tenho de uma coisa, meu voto não muda eleição, mas continuo votando.

  6. Caros Roberto, Eduardo, Rodrigo,
    vcs estão certos, o Lula como presidente, é responsável.
    Mas não acho que o melhor caminho agora seja fazer oposição direta como faz o PSDB/DEM.
    E nem ficarmos calados.
    Vamos pressionar pela retirada do Meirelles. Lula é o chefe claro, mas se retirar o Meirelles muda tudo. Se não retirar, ele não poderá dizer que não estamos dando uma solução. Ele será o responsável se sofrermos uma crise externa antes de 2010.
    Quem avisa, amigo é.
    abraços,
    Gustavo

  7. Prezados

    O relatório de mercado do BC, o Boletim Focus (20/03), continua apontando na direção de déficits em transações correntes para 2008 e 2009 e o sistema financeiro exógeno instalado no Brasil deseja uma inflação inferior à prevista nos EUA, 4,44% contra 8,00% para 2008.

    A previsão do mercado do crescimento da economia para 2008 é de 4,5% e para 2009, 4,0%. Como se pode notar, aquém dos 5,4% de 2007. Onde estariam os efeitos multiplicadores do PAC?

    Quanto à Selic, “o mercado” aponta para 12,00%a.a., em 2008, e 11,75%a.a., em 2009. Profecias auto-realizáveis? Parece até um reforço, uma espécie de tropa de choque, para o Meirelles elevar a taxa básica de juros brasileira.

    Lula já passou do ponto de demitir Meirelles. Penso ser muita desfaçatez do presidente da República dizer que o Brasil está sendo bem conduzido no campo monetário. Lula pode novamente alegar que não sabe de nada e que não está sendo avisado? Difícil, mas haverá sempre gente para fazer apologia de seu desarticulado governo.

    A conjuntura econômica e política internacional ajuda, mas Lula rasga efetivas oportunidades de desenvolvimento socioeconômico.

    Um abraço,

    Rodrigo L. Medeiros

  8. Eduardo Alves said

    Amigos,

    A questão me parece é derivada de um empirismo compreensível. O Lula não teve a formação acadêmica que transmite segurança e constrói a idéia. Isso, claro, não o diminui em nada como ser humano, mas prejudica dramaticamente o país em questões delicadas como essa. Associe isso à falta completa de projeto e o resultado são essas impertinências.

    Rodrigo, quando o presidente se refere a “boa condução” do campo monetário, não creio ser desfaçatez. Penso que ele esteja se referindo ao controle da inflação, ao equilíbrio nas contas externas, às transações correntes, etc. Claro que isso não põe panos quentes na prática ortodoxa e neoliberal de um pedaço da sua equipe, com a complacência dele próprio.

    O mais lamentável que percebo é o PT ter adentrado no governo sem projeto, e depois de 8 anos sairá dele sem projeto. Não conseguiram construir uma plataforma para o país.

    Bruno, gostei da frase: “meu voto não muda eleição, mas continuo votando”.

    Concordo perfeitamente,
    abraços,
    Eduardo.

  9. Prezados

    A epidemia de dengue no Rio de Janeiro deveria figurar mais nas postagens deste blog. Trata-se de uma demonstração clara do modelo macroeconômico estruturado na combinação juros altos e superávit primário.

    Lula resolveu elevar voluntariamente o superávit primário de 3,75% para 4,25% do PIB antes mesmo de assumir a Presidência da República. Decidiu isso no vôo para os EUA, nas alturas… Não havia pressão da banca e nem do FMI neoliberal dirigido pelo espanhol Rodrigo de Rato. Lula queria causar impacto na sua viagem aos EUA na condição de presidente eleito. Apresentou Palocci como novo ministro da Fazenda em Washington e buscou acalmar “os investidores estrangeiros”. Meirelles seria o xeque-mate em qualquer pretensão desenvolvimentista.

    Voltando à dengue, os casos já ultrapassam em cinco vezes o padrão de normalidade estabelecido pela Organização Mundial de Saúde (OMS). As autoridades tiraram o feriado para descansar e passar a Páscoa junto aos seus familiares. Afinal, são todos bons cristãos. Enquanto isso o mosquito botou para quebrar.

    Cesar Maia, prefeito do Rio, acusou em nota o ministro Gomes Temporão, da Saúde, de “incompetente e preguiçoso”. Este, por sua vez, preferiu não rebater as críticas pessoais e levantou pontos fracos da gestão Maia na saúde coletiva, a prevenção. Nelson Jobim, um dos quarenta ministros do desarticulado governo Lula, afirmou que as Forças Armadas estão de prontidão para combater o mosquito. Mais um factóide.

    Quando se entra para governar é necessário um projeto mínimo de governo. “Mas Lula tem a área social (…)” Bom, o José Sarney também tinha o vale-leite e o FHC o bolsa escola. O PT alijou as suas melhores mentes do processo eleitoral de 2002 e prestigiou gente que ilustrou os noticiários policiais brasileiros nos últimos tempos. Alguns ainda respondem a processos na Justiça.

    Aos números. O relatório de mercado do BC, o Boletim Focus (20/03), continua apontando na direção de déficits em transações correntes para 2008 e 2009.

    A previsão do mercado do crescimento da economia brasileira para 2008 é de 4,5% e para 2009, 4,0%. Como se pode notar, aquém dos 5,4% de 2007. Onde estariam os efeitos multiplicadores do PAC?

    Quanto à Selic, “o mercado” aponta para 12,00%a.a., em 2008, e 11,75%a.a., em 2009. Profecias auto-realizáveis? Parece até um reforço, uma espécie de tropa de choque, para o Meirelles elevar a taxa básica de juros brasileira.

    Lula dificilmente pode agora dizer que não sabe de nada. Marcio Pochmann, um dos melhores quadros do seu governo, vem travando uma batalha heróica contra o enclave estabelecido pela FEBRABAN no Estado brasileiro. Quem mandou o comitê de campanha de Lula aceitar dinheiro da banca para campanha de 2002?

    O conceito de estratégia busca alargar margens de manobra, não reduzí-las. Mas a ânsia por poder era tanta…

    Um abraço,

    Rodrigo L. Medeiros

  10. Eduardo,
    vc foi perfeito!
    só acho que o PT apesar de ainda não ter tido coragem de assumir um projeto (assumir um projeto significa abondonar certas posições), está começando a entender o que a gestão do Estado e já está começando a se mostrar disposto a assumir um projeto. Está começando a aprender pela prática. mas não culpo só o PT, tudo o que eu digo vale para toda a esquerda brasileira que ainda não teve peito de assumir o desenvolvimentismo como caminho (é o único caminho democrático para o desenvolvimento).
    abraços,
    Gustavo

  11. Pedro said

    Caro,

    senti falta de alguns pontos na sua análise. Se possível, gostaria de conhecer sua posição.

    1) vc não mencionou em nenhum momento a palavra “poupança”. Na China e nos demais caso de sucesso na Ásia (Japão e tigres), a taxa de poupança interna é muito mais alta do que no Brasil (note que não se trata de poupança bruta, mas de taxa, que é determinada por fatores estruturais e não é signitivamente afetada pelo investimento prévio, como na análise keynesiana de curto prazo). Como a taxa de poupança baixa limita o crescimento, o quanto esse fator é que vem determinando o baixo crescimento brasileiro, e não o BC?

    2) vc não menciona “produtividade” ou “educação”. Novamente, o Brasil investe muito pouco em educação (e, consequentemente, em produtividade) quando comparado aos países asiáticos que têm alcançado maior crescimento.

    3) vc não mencionou os efeitos benéficos da alta de juros (ainda que considere que os custos superem tais efeitos). O ritmo de crescimento do consumo entre as famílias mais pobres do Brasil vem crescendo em ritmo chinês há alguns anos – mesmo quando o PIB cresceu pouco (ver os trabalhos do M.Neri no CPS). Em grande parte, isso se deve à inflação baixa, grande redutora da desigualdade.

    3) não entendi qd vc disse que o BC estabeleceu um teto para o crescimento. Em geral, o BC sobe os juros quando seus modelos indicam pressão inflacionária. Ainda que você ache que os modelos estão errados, ou que a taxa de juros é o instrumento errado para lidar com o problema, ou mesmo que deveríamos aceitar uma inflação maior, isso é diferente de dizer que o BC estabeleceu um teto. Até onde a informação disponível permite inferir, o BC segura a demanda para respeitar a meta determinada pelo CMN. Gostaria de saber se há alguma informação em sentido contrário.

    4) Não conheço qualquer evidência de desindustrialização. Por exemplo, o índice firjan de produção exportada, um índice de quantum que avalia a produção industrial exportada para RJ e Brasil, aumentou fortemente nos últimos anos e está estável próximo à máxima histórica. A produção industrial teve forte expansão em 2007, e não parece ter seguido uma trajetória descendente nos últimos anos. Da mesma forma, a participação da indústria no PIB não parece ter declinado nos últimos anos. Gostaria de conhecer qualquer evidência em sentido contrário (assim como uma definição precisa de “desindustrialização”, se houver).

    Agradeço e aproveito para cumprimentar pelo espaço de debate.

  12. Prezado Pedro,
    Agradeço pelo comentário e pela forma tão educada de expor uma posição que é visivelmente tão divergente da minha. Não é fácil. Dou grande valor a isso.
    O debate nos faz crescer a todos que participam. Vamos os pontos. Vou escrever em CAIXA ALTA minhas posições, no meio de uma cópia do seu comentário.
    Leia ABAIXO, por favor:
    Caro,
    senti falta de alguns pontos na sua análise. Se possível, gostaria de conhecer sua posição.
    1) vc não mencionou em nenhum momento a palavra “poupança”. Na China e nos demais caso de sucesso na Ásia (Japão e tigres), a taxa de poupança interna é muito mais alta do que no Brasil (note que não se trata de poupança bruta, mas de taxa, que é determinada por fatores estruturais e não é signitivamente afetada pelo investimento prévio, como na análise keynesiana de curto prazo). Como a taxa de poupança baixa limita o crescimento, o quanto esse fator é que vem determinando o baixo crescimento brasileiro, e não o BC?
    OS ECONOMISTAS ORTODOXOS CONFUNDEM O CONCEITO DE POUPANÇA. NO DEBATE MAIS POLÍTICO TRATAM O CONCEITO QUASE COMO O SENSO COMUM TRATA, COMO ESTOQUE DE ATIVOS, COMO UMA CADERNETA DE POUPANÇA. MAS NA ECONOMIA POUPANÇA É FLUXO.
    NÃO CITEI A PALAVRA POUPANÇA PORQUE ELA É INÚTIL. NA VERDADE, POUPANÇA NO SENTIDO QUE OS ECONOMISTAS USAM SIMPLESMENTE NÃO EXISTE. ELA É UM NADA. NO SENTIDO MACROECONÔMICO POUPANÇA É APENAS A CONTRAPARTIDA CONTÁBIL DOS GASTOS QUE SÃO CONTABILIZADOS COMO INVESTIMENTO. A CONTABILIDADE NACIONAL TAMBÉM É DE PARTIDAS DOBRADAS, CRÉDITO E DÉBITO. QUANDO VOCÊ REGISTRA UM GASTO COMO INVESTIMENTO A CONTRAPARTIDA NÃO PODE SER REGISTRADA COMO CONSUMO. INVENTARAM UM NOME: POUPANÇA. MAS É SÓ UM DÉBITO, DIZER QUE POUPANÇA EXISTE É COMO DIZER QUE O DÉBITOS EXISTEM OU QUE A CHINA ESTÁ SE DESENVOLVIMENTO POR CAUSA DOS DÉBITOS CONTÁBEIS. EM UM SENTIDO, VAMOS DIZER, MICROECONÔMICO POUPANÇA CONTINUA SENDO NADA, MAS É UM NADA UM POUCO DIFERENTE, ELA É A UMA CONTA DE RESÍDUO DA CONTABILIDADE DO FLUXO DE RENDA. É CALCULADA DA SEGUINTE FORMA SUBTRAÍ-SE A RENDA DO CONSUMO E SE OBTÊM A POUPANÇA. ELA É APENAS A RENDA INDIVIDUAL QUE NÃO FOI GASTA NAQUELE PERÍODO EM QUE O FLUXO É MEDIDO. MAS UMA COISA É PRECISO ESTAR CLARA, É IMPOSSÍVEL AUMENTAR A POUPANÇA DA SOCIEDADE REDUZINDO O CONSUMO. SE VOCÊ TEM R$ 100 GASTA COMPRANDO UM CAIXA DE BANANA DO JOÃO, O JOÃO TERÁ UM RENDA DE R$ 100 E TAMBÉM UMA POUPANÇA DE R$ 100. SE O JOÃO GASTA R$ 60 COMPRANDO UM INGRESSO PARA UM SHOW DO ZECA PAGODINHO, SUA POUPANÇA PASSARÁ A SER R$ 40. O ZECA TERÁ UMA RENDA DE R$ 60 E UM POUPANÇA IMEDIATA TAMBÉM DE R$ 60. MAS SE O JOÃO DESISTIR DE IR AO SHOW E GUARDAR OS R$ 60, ZECA NÃO TERÁ RENDA E POUPANÇA, MAS JOÃO CONTINUARÁ COM R$ DE POUPANÇA. OU SEJA, NÃO IMPORTANTO O QUANTO O JOÃO CONSUMA DE SUA RENDA A POUPANÇA TOTAL DA SOCIDEDADE SERÁ SEMPRE IGUAL. NINGUÉM NÃO PODE REDUZI-LA OU AUMENTÁ-LA COM GASTOS OU NÃO-GASTOS DE CONSUMO. JÁ, SE O INVESTIMENTO AUMENTAR, ELA AUMENTA POR TAUTOLOGIA, PORQUE ELA É APENAS A CONTA DE DÉBITO CONTÁBIL DO INVESTIMENTO NA CONTABILIDADE NACIONAL
    A CHINA TEM UMA PRONPENSÃO A CONSUMIR BAIXA E UM INVESTIMENTO QUE CRESCE MUITO RAPIDAMENTE, POR ISSO É CONTABILIZADO NO FINAL DO ANO COMO TENDO UMA ALTA RELAÇÃO INVESTIMENTO/RENDA E, PORTANTO, POR TAUTOLOGIA POUPANÇA/RENDA (TEM OUTRAS QUESTÕES TAMBÉM, POIS A POUPANÇA É A CONTRAPARTIDA CONTÁBIL TAMBÉM DO DÉFICIT PÚBLICO E DO SUPERÁVIT EM CONTA CORRENTE, QUE É ALTO NA CHINA). SE A CHINA TIVESSE UMA ALTA PROPENSÃO A CONSUMIR E MANTIVESSE O MESMO NÍVEL DE INVESTIMENTO, A TAXA DE CRESCIMENTO DA ECONOMIA SERIA MAIOR.
    O INVESTIMENTO NÃO PRECISA DE POUPANÇA. ISSO É COMPLETAMENTE ILÓGICO, COMO VC DEVE TER ENTENDIDO NA EXPLICAÇÃO ACIMA. PARA SER VIABILIZADO O INVESTIMENTO PRECISA DE DINHEIRO OU CHEQUE. SE AS PESSOAS QUE QUEREM COMPRAR MÁQUINAS TEM DINHEIRO OU CRÉDITO NO BANCO ELAS COMPRAM E PONTO. A “TAXA DE POUPANÇA” (QUE É NA VERDADE A TAXA DE INVESTIMENTO) NÃO TEM NADA COM RELAÇÃO A ISSO. NA CHINA TER DINHEIRO OU CHEQUE PARA COMPRAR AS MÁQUINAS NUNCA FOI UM PROBLEMA PORQUE OS BANCOS SÃO PÚBLICOS E EMPRESTAM SEM MUITA EXIGÊNCIAS DE GARANTIAS.
    E ENTÃO PORQUE O INVESTIMENTO É TÃO GRANDE NA CHINA E TÃO BAIXO AQUI? SIMPLESMENTE PORQUE LÁ É LUCRATIVO INVESTIR E AQUI NÃO É. SE É LUCRATIVO, HÁ PERSPECTIVAS DE LUCRO, OS EMPRESÁRIOS ACABAM CONSEGUINDO DINHEIRO OU CRÉDITO PARA INVESTIR, PRINCIPALMENTE LÁ, REPITO, ONDE OS BANCOS SÃO PÚBLICOS.
    E PORQUE OS INVESTIMENTOS LÁ SÃO TÃO LUCRATIVOS? PORQUE LÁ A DEMANDA CRESCE MUITO RÁPIDO INTERNAMENTE E NO EXTERIOR (EM DECORRÊNCIA DA ALTA COMPETITIVIDADE). NINGUÉM INVESTE PARA FICAR COM AS MÁQUINAS PARADAS. AS PESSOAS INVESTEM PARA ATENDER A DEMANDA PELOS PRODUTOS QUE PRODUZEM E ASSIM GANHAR DINHEIRO QUE VAI SERVIR ATÉ PARA PAGAR O EMPRÉSTIMO QUE PAGOU A MÁQUINA.

    2) vc não menciona “produtividade” ou “educação”. Novamente, o Brasil investe muito pouco em educação (e, consequentemente, em produtividade) quando comparado aos países asiáticos que têm alcançado maior crescimento.
    NÃO MECIONO, PORQUE ESTOU FALANDO DE POLÍTICA ECONÔMICA DE CURTO PRAZO. ISSO É LONGO PRAZO. NÃO MENCIONO TAMBÉM MAIS UNS 2500 CONCEITOS. TINHA QUE ESCREVER EM MENOS DE 5000 CARACTERES E PORTANTO TIVE QUE ME RESTRINGIR A UM ASSUNTO.
    A CHINA CRESCE VELOZMENTE HÁ 30 ANOS E O ANALFABETISMO DELES É MUITO MAIOR DO QUE O NOSSO E HÁ TRINTA ANOS ERA AINDA MUITO MAIOR. NA ÍNDIA É AINDA PIOR DO QUE NA CHINA, MAS ELES CRESCEM. NOS ANOS 50, QUANDO CRESCÍAMOS ERA TAMBÉM MUITO GRANDE. A EDUCAÇÃO É ABSOLUTAMENTE FUNDAMENTAL QUANDO AS EMPRESAS NÃO ESTÃO ENCONTRANDO PESSOAS CAPAZES DE OPERAR O MAQUINÁRIO.
    NO BRASIL EXISTEM MILHÕES DE PESSOAS COM GRAU SUPERIOR OU 2º GRAU COMPLETO DESEMPREGADAS. APENAS DAR EDUCAÇÃO PARA MAIS PESSOAS NÃO VAI AUMENTAR OS EMPREGADORES. FALTA DEMANDA POR PRODUTOS E PORTANTO POR EMPREGO PARA FABRICÁ-LOS.

    3) vc não mencionou os efeitos benéficos da alta de juros (ainda que considere que os custos superem tais efeitos). O ritmo de crescimento do consumo entre as famílias mais pobres do Brasil vem crescendo em ritmo chinês há alguns anos – mesmo quando o PIB cresceu pouco (ver os trabalhos do M.Neri no CPS). Em grande parte, isso se deve à inflação baixa, grande redutora da desigualdade.
    NÃO CONHEÇO EFEITOS BENÉFICOS DE JUROS REAIS ACIMA DE 10%. E MAIS NINGUÉM NO PLANETA, POIS O PADRÃO NORMAL É DE JUROS SEMPRE MUITO INFERIORES A ISSO. BOA PARTE DOS PAÍSES HOJE, INCLUSIVE OS EUA, ESTÃO COM JUROS REAIS NEGATIVOS. ESSE TAL “RITMO CHINÊS” (SIC) DE CRESCIMENTO DO CONSUMO ENTRE AS FAMÍLIAS MAIS POBRES DO BRASIL É CLARAMENTE POUCO. O CRESCIMENTO TOTAL DA NOSSA ECONOMIA MAL CHEGA A 5%, MUITO POUCO MESMO. SE OS MAIS POBRES CRESCEM MAIS RÁPIDO, TEMOS QUE DAR GRAÇAS A DEUS!! VC NÃO ACHA? MAS É POUCO, PORQUE A RENDA BRASILEIRA É TÃO CONCENTRADA QUE ELES HOJE SÃO UMA PEQUENA FRAÇÃO DO CONSUMO E PORTANTO O CRESCIMENTO MAIS RÁPIDO DELES NÃO PERMITE QUE NOSSA TAXA DE CRESCIMENTO SEJA DIGNA DE UM PAÍS QUE QUER SER DESENVOLVIDO.
    3) não entendi qd vc disse que o BC estabeleceu um teto para o crescimento. Em geral, o BC sobe os juros quando seus modelos indicam pressão inflacionária. Ainda que você ache que os modelos estão errados, ou que a taxa de juros é o instrumento errado para lidar com o problema, ou mesmo que deveríamos aceitar uma inflação maior, isso é diferente de dizer que o BC estabeleceu um teto. Até onde a informação disponível permite inferir, o BC segura a demanda para respeitar a meta determinada pelo CMN. Gostaria de saber se há alguma informação em sentido contrário.
    EXISTE O QUE O BANCO CENTRAL DIZ FAZER E O QUE O BANCO CENTRAL REALMENTE FAZ. MAS NÃO TENHO NENHUM DOCUMENTO PROVANDO QUE ELES ESTÃO FAZENDO CORRUPÇÃO OBVIAMENTE PORQUE ESSES DOCUMENTOS NEM MESMO PODERIAM EXISTIR. É TUDO NAS CONVERSAS DE BASTIDORES ENTRE ELES.
    PORTANTO, ESTOU FAZENDO INFERÊNCIAS SOBRE O COMPORTAMENTO DELES NOS ÚLTIMOS 5 ANOS. O TETO DE CRESCIMENTO EXISTE E SE CHAMA “PIB POTENCIAL” (QUE É UM CONCEITO IDIOTA, CALCULADO DE UMA FORMA AINDA MAIS IDIOTA) QUE O BANCO CENTRAL ACHA É 4% AO ANO. SEMPRE QUE A GENTE PASSA DISSO O BANCO CENTRAL ESPERNEIA E INVENTA DESCULPA PARA AUMENTAR OS JUROS PARA CUMPRIR UMA META EXTREMAMENTE RÍGIDA DE UM ÍNDICE DE INFLAÇÃO TOTALMENTE INADEQUADO (PORQUE NÃO FAZ COMO OS AMERICANOS QUE USAM O NÚCLEO E MESMO ASSIM DE FORMA BEM FLEXÍVEL?)
    4) Não conheço qualquer evidência de desindustrialização. Por exemplo, o índice firjan de produção exportada, um índice de quantum que avalia a produção industrial exportada para RJ e Brasil, aumentou fortemente nos últimos anos e está estável próximo à máxima histórica. A produção industrial teve forte expansão em 2007, e não parece ter seguido uma trajetória descendente nos últimos anos. Da mesma forma, a participação da indústria no PIB não parece ter declinado nos últimos anos. Gostaria de conhecer qualquer evidência em sentido contrário (assim como uma definição precisa de “desindustrialização”, se houver).
    CLARO QUE EXISTE DEFINIÇÃO E ÍNDICES PARA MEDIR DESINDUSTRIALIZAÇÃO E, PORTANTO, TAMBÉM INDUSTRIALIZAÇÃO. VÁRIOS INCLUSIVE. DEPENDENDO DO ASPECTO ESPECÍFICO QUE VOCÊ QUEIRA ANALISAR. O PIB INDUSTRIAL DESCONSIDERANDO O SETOR MINERAL EM RELAÇÃO AO PIB NACIONAL CAIU MUITO DESDE 1980. ESSE É UM ÓBVIO INDICADOR DE DESINDUSTRIALIZAÇÃO. PEGUE OS DADOS E VERÁ CLARAMENTE.
    Agradeço e aproveito para cumprimentar pelo espaço de debate.
    EU TAMBÉM AGRADEÇO OS CUMPRIMENTOS A OPORTUNIDADE DE ESCLARECER ESSES PONTOS. SEMPRE QUE QUISER COMENTAR E CRÍTICAR, SERÁ MUITO BEM VINDO AQUI.
    ABRAÇOS,
    Gustavo

  13. […] Recentes Gustavo dos Santos (… em Por que o Brasil ainda é um d…Gustavo dos Santos (… em MAIS DIFERENÇAS QUE SEMELHAN…Paulo Ari em Nassif: Paulo Henrique […]

  14. Pedro said

    Gustavo, não entendi seu argumento sobre poupança e investimento.

    Imagine que João possui uma banana e Zeca, uma maçã. Ambos plantam as sementes de cada fruta (capital), trabalham e geram 11 bananas e 11 maçãs, respectivamente. Ou seja, o PIB (fluxo) é 10 bananas e 10 maçãs. Possivelmente (não é necessário), eles realizam trocas e cada um termina com cinco bananas e cinco maçãs para consumir no período em questão.

    CASO 1: Se ambos consumirem as cinco bananas e cinco maçãs (ou a sua produção autônoma, caso não tenham ocorrido trocas), não há capital para o período seguinte, e a produção será menor, ou até mesmo zero, caso capital seja um insumo essencial (obviamente, como nesse exemplo e em toda a atividade agrícola). Recessão.

    CASO 2: Caso consumam, no agregado, apenas 19 bananas e 19 maçãs, estarão na mesma situação inicial no período seguinte, com uma unidade de cada fruta como capital, podendo alcançar o mesmo “pib”. Estagnação.

    CASO 3: Caso consumam, no agregado, apenas 18 bananas e 18 maçãs, serão capazes de atingir “pib” de vinte maçãs e vinte bananas no período seguinte (se não houver mudança no plantio com aumento da quantidade – talvez um pouco menos ou um pouco mais, se a tecnologia mudar). Ou seja, com diminuição do consumo, houve crescimento econômico.

    Nesse caso simples, as decisões de (fluxo de) consumo afetaram diretamente o (fluxo de) poupança/investimento (que, como você mencionou, no final das contas serão sempre iguais por uma identidade contábil, mas ainda assim são afetados pelas decisões de consumo). Nesse caso, o crescimento econômico é afetado pela escolha entre consumo e poupança, já que essa última se transforma em investimento.

    (a história talvez fosse melhor se eu escolhesse frutas em que o consumo necessariamente destrói a semente… sei lá, uvas e acerolas sem tecnologias de “retirada de caroço”… espero que a ilustração tenha ficado clara mesmo assim)

    A idéia é que, ao menos nesse caso, não se aplica o argumento: “OU SEJA, NÃO IMPORTANTO O QUANTO O JOÃO CONSUMA DE SUA RENDA A POUPANÇA TOTAL DA SOCIDEDADE SERÁ SEMPRE IGUAL.”

    Claro que esse exemplo simples não captura todos os determinantes de poupança e investimento. Nem é esse o objetivo. Procurei apenas ilustrar minha idéia de que escolhas de consumo são um dos fatores a afetar investimento e crescimento econômico.

    Novamente, agradeço pela atenção dada às questões que coloquei. Acho muito importante a existência de espaços abertos de discussão.

    Um abraço,

    Pedro

  15. Pedro said

    Nota: o comentário anterior ignorou a existência de um sistema de crédito, importante exatamente por permitir investimento além de poupança (ou, por outra, consumo e poupança/investimento além da produção). A questão é que tal sistema permite esse descolamento (que é altamente benéfico para a sociedade) apenas temporariamente – uma hora, o empréstimo tem que ser pago. Ou seja, em algum momento, vou ter que restringir meu consumo para pagar por um investimento, ainda que essa restrição seja feita sobre uma produção muito maior, porque o investimento que o empréstimo permitiu foi benéfico (retorno superior à taxa de juros cobrada pelo banco).

    Esse efeito de realocação intertemporal de recursos (perdoem o pedantismo) é capaz de expandir fortemente a produção total. Dessa forma, a restrição enfrentada por João e Zeca seria muito menos relevante. Ainda assim, não desapareceria, pois empréstimos são pagos em algum momento (desconsiderando, é claro, a possibilidade teórica do “jogo de Ponzi”, especialmente por saber que o próprio Ponzi foi preso e morreu na miséria…).

  16. Pedro,
    seus pontos funcionam perfeitamente,
    mas apenas em um mundo imaginário de escambo (sem dinheiro). O mundo em que vivemos possui dinheiro e todas as transações econômicas envolvem dinheiro. A contabilidade nacional e a macroeconomia seguem leis de uma economia de dinheiro e não de escambo.
    abraços,
    Gustavo

  17. said

    Prezado Gustavo

    Sua explicação a respeito de poupança me deixou algumas dúvidas.Escreverei meu ponto de vista. Continuarei com debate que tem sido tão cordial.
    Substituirei alguns trechos por … (por uma questão de espaço):

    … NA ECONOMIA POUPANÇA É FLUXO…
    ok, ninguém duvida

    …SENTIDO MACROECONÔMICO POUPANÇA É APENAS A CONTRAPARTIDA CONTÁBIL DOS GASTOS QUE SÃO CONTABILIZADOS COMO INVESTIMENTO… QUANDO VOCÊ REGISTRA UM GASTO COMO INVESTIMENTO A CONTRAPARTIDA NÃO PODE SER REGISTRADA COMO CONSUMO…. MAS É SÓ UM DÉBITO, DIZER QUE POUPANÇA EXISTE É COMO DIZER QUE O DÉBITOS EXISTEM OU QUE A CHINA ESTÁ SE DESENVOLVIMENTO POR CAUSA DOS DÉBITOS CONTÁBEIS…

    acredito que vc se refereiu apenas ao sentido contábil da poupança e não macroeconomico. A decisão de poupar ou consumir (no sentido macroeconomico) em um periodo é um problema intertemporal e depende das expectativas dos agentes a respeito do futuro de sua renda, das taxas de juros, etc. A poupança é resultado dessas decisões dos agentes heterogêneos. No sentido contábil, ainda que o investimento seja zero, a poupança doméstica poderá ser positiva havendo contrapartida na conta corrente.

    …MICROECONÔMICO POUPANÇA CONTINUA SENDO NADA, MAS É UM NADA UM POUCO DIFERENTE, ELA É A UMA CONTA DE RESÍDUO DA CONTABILIDADE DO FLUXO DE RENDA. É CALCULADA DA SEGUINTE FORMA SUBTRAÍ-SE A RENDA DO CONSUMO E SE OBTÊM A POUPANÇA. ELA É APENAS A RENDA INDIVIDUAL QUE NÃO FOI GASTA NAQUELE PERÍODO EM QUE O FLUXO É MEDIDO…

    reitero meu ponto anterior. Ao dizer que a poupança é apenas um reziduo acredito que vc menospreza todos os incentivos que leva um agente a consumir ou poupar. Poupar, não é um reziduo. É uma atitude que viza a suavização intertemporal do consumo e é tomada a partir das preferências intertemporais dos agentes e dos incentivos que a econimia dá

    MAS UMA COISA É PRECISO ESTAR CLARA, É IMPOSSÍVEL AUMENTAR A POUPANÇA DA SOCIEDADE REDUZINDO O CONSUMO…SE VOCÊ TEM R$ 100 GASTA COMPRANDO UM CAIXA DE BANANA DO JOÃO, O JOÃO TERÁ UM RENDA DE R$ 100 E TAMBÉM UMA POUPANÇA DE R$ 100…

    acredito que nesse caso o joaão não tenha uma poupança de 100, e sim tenha tido uma renda de 100. A partir disso, é que ele tomará a decisão de consumir ou poupar

    SE O JOÃO GASTA R$ 60 COMPRANDO UM INGRESSO PARA UM SHOW DO ZECA PAGODINHO, SUA POUPANÇA PASSARÁ A SER R$ 40…

    claro

    O ZECA TERÁ UMA RENDA DE R$ 60 E UM POUPANÇA IMEDIATA TAMBÉM DE R$ 60….

    o zaca ainda não decidiu poupar ou consumir… ele teve apenas uma renda de 60.. novamente, poupança não é contabilidade é fruto de um processo decisório dos agentes. ( talvez o problema seja esse conceito de poupança imediata que desconheço na literatura economica)

    MAS SE O JOÃO DESISTIR DE IR AO SHOW E GUARDAR OS R$ 60, ZECA NÃO TERÁ RENDA E POUPANÇA,….
    zeca não terá tido renda… se ele não teve renda como poderá ter decidido sobre consumir ou poupar de uma renda que ele nem imaginava que existia

    MAS JOÃO CONTINUARÁ COM R$ DE POUPANÇA….

    claro

    OU SEJA, NÃO IMPORTANTO O QUANTO O JOÃO CONSUMA DE SUA RENDA A POUPANÇA TOTAL DA SOCIDEDADE SERÁ SEMPRE IGUAL….

    essa sua conclusão vem do uso equivocado do conceito de poupança nos pontos anteriores ( conforme foi explicado)

    …JÁ, SE O INVESTIMENTO AUMENTAR, ELA AUMENTA POR TAUTOLOGIA PORQUE ELA É APENAS A CONTA DE DÉBITO CONTÁBIL DO INVESTIMENTO NA CONTABILIDADE NACIONAL…

    numa economia aberta, não é necessariamente verdade. (em todo caso, todo uso tem fonte, não havendo almoço grátis e tudo deverá ser pgao, não necessariamente nomesmo período)

    A CHINA TEM UMA PRONPENSÃO A CONSUMIR BAIXA…
    Ok, acredito em vc (desconheço os dados)
    E UM INVESTIMENTO QUE CRESCE MUITO RAPIDAMENTE,
    Ok, acredito em vc (desconheço os dados)

    POR ISSO É CONTABILIZADO NO FINAL DO ANO COMO TENDO UMA ALTA RELAÇÃO INVESTIMENTO/RENDA
    Ok, acredito em vc (desconheço os dados, e uma coisa ter alto crescimento não necessariamente implica que ela já é grande )
    E, PORTANTO, POR TAUTOLOGIA POUPANÇA/RENDA (TEM OUTRAS QUESTÕES TAMBÉM, POIS A POUPANÇA É A CONTRAPARTIDA CONTÁBIL TAMBÉM DO DÉFICIT PÚBLICO E DO SUPERÁVIT EM CONTA CORRENTE, QUE É ALTO NA CHINA)….
    O fato de haver superávit em conta corrente diz que a poupança doméstica é maior que o investimento total, inclusive.
    No entanto, a falha em seu argumento está em a partir de uma tautologia fazer uma inferência de causalidade ( o que está bem implícito na sua argumentação)

    SE A CHINA TIVESSE UMA ALTA PROPENSÃO A CONSUMIR E MANTIVESSE O MESMO NÍVEL DE INVESTIMENTO, A TAXA DE CRESCIMENTO DA ECONOMIA SERIA MAIOR.
    Da tautologia, vc fez uma inferência de causalidade ( que pode até ser verdade, mas não é uma conseqüência lógica de nada que vc disse).
    Te diria que, ceteris paribus, um maior consumo torna impossível manter o mesmo nível de investimento.

    O INVESTIMENTO NÃO PRECISA DE POUPANÇA. ISSO É COMPLETAMENTE ILÓGICO, COMO VC DEVE TER ENTENDIDO NA EXPLICAÇÃO .. PARA SER VIABILIZADO O INVESTIMENTO PRECISA DE DINHEIRO OU CHEQUE…
    De onde vc acha que veio o dinheiro ou cheque?
    SE AS PESSOAS QUE QUEREM COMPRAR MÁQUINAS TEM DINHEIRO OU CRÉDITO NO BANCO ELAS COMPRAM E PONTO.
    Isto é, ou poupam ou se endividam
    A “TAXA DE POUPANÇA” (QUE É NA VERDADE A TAXA DE INVESTIMENTO) NÃO TEM NADA COM RELAÇÃO A ISSO. NA CHINA TER DINHEIRO OU CHEQUE PARA COMPRAR AS MÁQUINAS NUNCA FOI UM PROBLEMA PORQUE OS BANCOS SÃO PÚBLICOS E EMPRESTAM SEM MUITA EXIGÊNCIAS DE GARANTIAS.
    É sempre bom lembrar que não existe almoço grátis (vide subprime)

    E ENTÃO PORQUE O INVESTIMENTO É TÃO GRANDE NA CHINA E TÃO BAIXO AQUI? SIMPLESMENTE PORQUE LÁ É LUCRATIVO INVESTIR E AQUI NÃO É. SE É LUCRATIVO, HÁ PERSPECTIVAS DE LUCRO, OS EMPRESÁRIOS ACABAM CONSEGUINDO DINHEIRO OU CRÉDITO PARA INVESTIR, PRINCIPALMENTE LÁ, REPITO, ONDE OS BANCOS SÃO PÚBLICOS. E PORQUE OS INVESTIMENTOS LÁ SÃO TÃO LUCRATIVOS? PORQUE LÁ A DEMANDA CRESCE MUITO RÁPIDO INTERNAMENTE E NO EXTERIOR (EM DECORRÊNCIA DA ALTA COMPETITIVIDADE). NINGUÉM INVESTE PARA FICAR COM AS MÁQUINAS PARADAS. AS PESSOAS INVESTEM PARA ATENDER A DEMANDA PELOS PRODUTOS QUE PRODUZEM E ASSIM GANHAR DINHEIRO QUE VAI SERVIR ATÉ PARA PAGAR O EMPRÉSTIMO QUE PAGOU A MÁQUINA.
    Vc passa supercialmente pelo fato realmente importante. Pq lá é mais lucrativo, ou seja, pq lá cresce mais? É a pergunta de um milhão de dolares

    atenciosamente

  18. Heldo Siqueira said

    Pedro e Gustavo,

    se entendi o que o Pedro falou, o capital (as sementes) surgiram do nada, o que não acontece na realidade. O capital é uma mercadoria, como as frutas que vai gerar. Nesse caso, a semente dentro da fruta não é nem capital nem poupança. Apenas o trabalho, ou o ato de retirar as sementes da fruta, é que produzem o que o Pedro chama de capital e, permitem a acumulação.

    Se seguirmos a lógica inicial do Pedro (mesmo para uma economia de escambo), as rochas e árvores são poupança, pois podem ser organizadas (investidas) de maneira a gerar acumulação. Mas na verdade, o investimento é o ato de empregar mão de obra para tornar a “poupança” mercadoria. Nesse caso, a poupança não serve para nada sem investimento!

    Ou seja, vc só pode determinar quando a poupança deixa de ser poupança para se tornar mercadoria depois que há o investimento. Dessa forma, apenas se houver um investimento prévio é que poderemos tornar ativos como petróleo, minério, ou mesmo ouro, em mercadorias. Portanto, não é a poupança que gera o investimento, mas o investimento que gera a poupança!

    Já para a contabilidade, a questão material é que conta, portanto, e como não aprendemos a tirar matéria (mercadorias) de onde não há nada, diz-se que a poupança precede o investimento. Mas é apenas uma arbitrariedade da contabilidade.

    Abraços

  19. Pedro said

    Entendo que o papel moeda está presente implicitamente no caso apresentado: é apenas um caso particular, um título (empréstimo) que paga taxa de juros nominal igual a zero cuja emissão é de monopólio de um único banco (BC).

    A importância desse título específico é que, mesmo não pagando juros, possui credibilidade – seu portador sabe que será aceito em qq ponto do país, o que facilita as trocas ao tornar o escambo desnecessário. No caso de João e Zeca, apenas tornaria mais provável o caso em que há troca de bananas por maçãs.

    O importante é que uma maior facilidade na realização de trocas não afeta a relação de restrição entre consumo e poupança/investimento. Ainda que influencie o bem-estar, pois cada indivíduo terá maior facilidade para adquirir bens que não produz.

    No exemplo, acho que fica claro que essa restrição não seria afetada. Não importa que uma banana seja trocada por uma moeda, que depois será trocada por uma maçã.

    Na minha maneira de ver, a única coisa que muda em relação ao mundo real é que, no exemplo, a presença de moeda não facilitaria significativamente as trocas, enquanto no mundo real esse “papel facilitador” é extremamente importante.

    As demais funções da moeda tampouco me parecem relevantes. Como unidade de valor, novamente serve apenas para facilitar negócios. Como reserva de valor, serve para reduzir o custo de manter estoques de riqueza (o que torna a economia mais rica e produtiva, mas não afeta a restrição colocada).

    Gostaria de saber sua opinião a respeito do seguinte: através de que canal (que não o de facilitação de trocas, irrelevante para a relação consumo – poupança/investimento) a presença de “dinheiro” pode afetar tal relação, e como isso ocorreria.

  20. Pedro said

    Caro Heldo,

    concordo com seu argumento de que poupança não serve para nada sem investimento. Na prática, poupança significa apenas transferir consumo hoje para consumo amanhã. Às vezes, é possível consumir exatamente o que foi guardado; em geral, porém, é necessário utilizar a poupança no processo de produção de bem de consumo – ou seja, realizar o investimento.

    Acho, porém, que não fui claro quando me referi ao tal “estoque inicial de capital”. Naturalmente, não imagino que surja do nada para o trabalhador. Tampouco acho que tenha qualquer utilidade se dissociado do trabalho.

    Para ficar mais claro, estou considerando que o bem de consumo é igual ao bem de capital (semente = fruta), o que é irrelevante para o argumento. O trabalho é essencial ao gerar dez bananas a partir de uma banana (ou uma semente de banana) – acrescentando esforço, cuidados, colheita etc. Uma etapa inicial para transformar o bem de consumo em bem de capital (“tirar a semente da fruta”) não é contraditória: o “timing” não afeta o fato de que capital e trabalho juntos geram produção que pode ser dividida em consumo em poupança; essa última se transforma em investimento ao ser associada a trabalho e gerar novamente produção; e assim por diante.

    Obviamente, estou supondo que existe ALGUMA COISA no universo que é independente, não gerada pelo trabalho – é claro que, se houvesse apenas um trabalhador flutuando no universo, ele não seria capaz de produzir nada. Ainda que essa coisa seja inútil se dissociada do trabalho. A isso chamo “capital no início do período”. Na prática, não importa se veio de Deus, da natureza ou foi o que restou do trabalho de ontem. Pedras e árvores entram nessa categoria, assim como sistema solar, oxigênio, água, arbustos frutíferos existentes antes dos primeiros humanos e por aí vai.

    Da mesma forma, poupança é apenas a parcela do que há disponível (venha de Deus, da natureza etc) que a sociedade decide não consumir. Possivelmente, é parte do que a natureza deu, e não dependeu de investimento… ou é parte da produção, que dependeu de trabalho e capital, e, portanto, do investimento feito no período anterior.

    Em suma, ainda que a produção de hoje potencialmente dependa do investimento feito ontem, a escolha de poupança é uma decisão autônoma a ser tomada hoje: quanto vou consumir do que tenho à minha frente? Quanto vou deixar para amanhã, seja para consumir diretamente (se puder poupar o bem de consumo), seja para transformar em investimento (capital amanhã) e, associando ao trabalho, gerar produto amanhã (se a poupança precisar ser estocada como bem de capital). Indepentemente do investimento feito ontem, posso decidir hoje consumir qualquer coisa entre 0% e 100% da produção que aquele investimento, associado ao trabalho, produziu.

    Espero que tenha ajudado a alinhar os termos que estamos utilizando e que tenha tornado meu argumento mais claro. Obrigado por ressaltar essas questões.

    Abraços a todos,

    Pedro

  21. Economista 1 said

    Gustavo escreveu:

    “…JÁ, SE O INVESTIMENTO AUMENTAR, ELA AUMENTA POR TAUTOLOGIA PORQUE ELA É APENAS A CONTA DE DÉBITO CONTÁBIL DO INVESTIMENTO NA CONTABILIDADE NACIONAL…”

    Meu deus, se voce fosse meu aluno de graduacao, voce estaria bombado… Nao sabe conhecimentos basicos de macroeconomia.

    O investimento eh igual a soma da poupanca interna e a poupanca externa (que tambem atende pelo nome “deficit da conta corrente do balanco de pagamentos”).

  22. respondo a essas e outras questões no post abaixo (clique)
    http://desempregozero.org/2008/03/27/debate-ii-porque-o-conceito-de-poupanca-e-subvertido-para-defender-politicas-conservadoras/

  23. Heldo Siqueira said

    Pedro,

    vou utilizar uma economia sem moeda para facilitar a discussão. Vc acha que não faz diferença se capital é mercadoria ou não, mas faz toda a diferença! É o mesmo que dizer que um computador utilizado para navegar na internet é diferente de um computador utilizado na produção de um website. Fisicamente são a mesma coisa, mas a aplicação do trabalho é que define consumo ou investimento.

    Nesse caso, pela sua lógica, um computador utilizado para construir um website é poupança (do que discordo com muita veemência) pq o sujeito está deixando de navegar na internet (consumir) hoje para comprar mais computadores (ou outras coisas) e consumir num tempo posterior.

    Deixada a tautologia de lado, o estoque de capitais não passa de um monte de mercadorias e o ato de investir é deixar de consumir as mercadorias hoje para consumi-las depois. A questão é que a maioria das mercadorias que servem como bens de capital não é consumível (ninguém vai sair pra uma balada em uma colheitadeira), então não há como optar por consumir ou investir. No limite, vc pode dizer que todas as mercadorias que servem como bens de capital nunca podem ser utilizadas para consumo e, portanto, vc as chama de poupança.

    E aí, das duas uma: 1) vc acha que qualquer mercadoria que serve exclusivamente como bem de capital não pode ser utilizada como consumo e vc chama essas mercadorias de poupança (já falei que discordo dessa posição); ou 2) a propriedade de ser capital não está nas mercadorias, mas na sua utilização. Assim, o que vc chama de estoque de capital é simplesmente a quantidade de mercadorias que a sociedade destina para investimento, e a poupança é a contrapartida contábil dessa decisão das pessoas.

    Em resumo, do ponto de vista econômico, investir significa deixar de utilizar mercadorias como consumo e utilizá-la como bem de capital. Mas, em absoluto significa deixar de utilizar as mercadorias. Deixar de utilizar as mercadorias gera ociosidade, mas não poupança!

    Abraços

  24. […] Que começou com o seguinte artigo (clique aqui para ler) […]

  25. […] 1) a política do Banco Central do Meirelles (Clique aqui para entender) […]

  26. […] Que começou com o seguinte artigo (clique aqui para ler) […]

  27. […] O que separa o Brasil do sucesso econômico de tipo asiático é apenas as incomparavelmente altas taxas de juros. As mais altas taxas do mundo do Meirelles são o grande obstáculo ao Brasil assumir verdadeiramente o lugar que o Mundo espera como um dos BRICs e crescer como os outros emergentes, clique aqui para ler sobre isso. […]

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