Blog do Desemprego Zero

MAIS DIFERENÇAS QUE SEMELHANÇAS ENTRE LULA E FHC NA ECONOMIA

Posted by blogdojefferson em 25 março, 2008

Jefferson Milton Marinho (meus artigos) do Blog do Jefferson

Um artigo interessante do jornalista José Paulo Kupfer porque coloca outras linhas de análise na política econômica do governo atual. Em termos políticos, o governo atual não é visto como igual ou parecido para a maioria da população com relação à sua política econômica. É melhor, simplesmente. É um engano acreditar nisso, mesmo para aqueles que não encontram diferenças entre as políticas praticadas. O que importa é o resultado e, nesse quesito, tirando o ano de 2003, o resultado é bem melhor. Segue o artigo abaixo:

Do Blog do José Paulo Kupfer

Enquanto o fracasso é órfão de pai e mãe, o sucesso costuma dar briga de tapa pela paternidade. Nem se sabe ao certo quanto pode durar o êxito da política econômica do governo Lula, mas é recorrente a disputa pela autoria do feito. Num certo tipo de ambiente, o mote de que a única coisa boa da economia de Lula é a continuidade do que foi feito no governo Fernando Henrique pipoca mais do que catapora.

De tão repetido, já parece um daqueles lugares-comuns* que acabam soando falsos ou como solução de estilo preguiçosa. Assim como toda desculpa é esfarrapada, toda dúvida é atroz, toda ascensão é meteórica, e toda mentira é deslavada, há quem não consiga mencionar o sucesso da economia de Lula sem a fatal ressalva de que isso não passa de continuidade do governo FHC. Percebe-se, facilmente, até pela especialidade profissional dos falantes e escreventes, muitas vezes longe da economia, que a maioria não sabe bem onde está metendo a colher. Mas isso não tem importância, não é mesmo?

O governo Lula seguiu o padrão do anterior – prioridade com a estabilidade da moeda, ênfase em reformas microeconômicas – em parte de seu primeiro mandato, com Antonio Palocci à frente da economia. Mesmo ainda com Palocci e, depois, mais francamente com Guido Mantega, a política econômica descolou da anterior de tal forma que só mesmo uma miopia ideológica para explicar a insistência na visão distorcida.

Pode-se até discordar do que passou a dar dinâmica à economia, mas nunca enfiar as políticas adotadas no governo atual no mesmo saco das implantadas ou, pelo menos desenhadas, na quadra anterior. Não há comparação, por exemplo, na política de valorização real do salário mínimo, adotada contra muitos bem pensantes de luvas de pelica. Muito menos na expansão do crédito – com destaque, para o bem e para o mal, da modalidade de crédito consignado – e, por fim, mas não por último, a maneira de encarar a previdência social. Onde dá mais para comparar, o setor fiscal, os nostálgicos de FHC preferem não bater o bumbo. De fato, carga tributária e endividamento, que explodiram com FHC, ainda não desinflaram com Lula.

Nem mesmo os programas de transferência condicionada de renda, tão invocados como prova de continuidade, se sustentam como tal. Há nítidas diferenças – no foco, na abrangência, no acompanhamento e até nas falhas – entre as bolsas-escola de origem e o bolsa-família de hoje. Sem falar em outros programas menos votados, como o “Luz para todos”, e no famoso PAC, de que muitos duvidam e malham por antecipação, embora fosse mais prudente aguardar um pouco mais antes de cair de pau.

Até a política monetária, que se concentra no cumprimento das metas de inflação, adotadas em 1999 – e, essa sim, mantém desde então o mesmo curso -, começa a se ver diante de novidades. Há, mais recentemente, fora do Banco Central, uma escalada no governo em busca de saídas não monetárias, na tentativa de desviar o rumo de elementos macroeconômicos centrais, como os juros e o câmbio, do inglório destino determinado por uma ortodoxia já fora de moda – ver, a propósito, a atuação do BC americano.

Além de medidas já adotadas – IOF em aplicações financeiras de estrangeiros e fim da cobertura cambial para exportadores -, está previsto para logo um pacote de benefícios tributários de estímulo às exportações de manufaturados e à inovação tecnológica, que o ministro do Desenvolvimento, Miguel Jorge, chama de política industrial. Se essas medidas vão funcionar – ou mesmo se serão implantadas por completo – também ainda é cedo para garantir. Mas a direção, que conta com o apoio aberto do presidente Lula, é clara. E não tem muito a ver com o que se procurou implantar no governo de FHC.

(*) Os lugares-comuns citados na sentença seguinte fazem parte de uma longa lista coligida pelo jornalista Sérgio Rodrigues, do blog Todoprosa (www.todoprosa.com.br), a quem o autor agradece a cessão.

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7 Respostas to “MAIS DIFERENÇAS QUE SEMELHANÇAS ENTRE LULA E FHC NA ECONOMIA”

  1. Jefferson,
    tudo bem que ouve melhoraras, mas
    sinceramente, todas as coisas positivas que ele cita são extremamente medíocres.
    Está na hora do governo avançar mais e não ficar cantado louros por quase nada.
    Tirando o fato do Lula ter ganhado de graça um câmbio desvalorizado (que ele jogou no lixo) e ter ganho a maior expansão econômica da história e ter pego um fantástico boom dos preços das commodities, o que sobre de ações positivas é só mesmo o bolsa família, pois até o aumento do salário mínimo em dólares é na maior parte consequência a irresponsabilidade do banco central e não de uma decisão efetiva do governo de melhorar o padrão de vida da população.
    vamos aplaudir os feitos, tudo bem,
    mas temos que querer mais. é muito pouco.
    abraços,
    Gustavo

  2. a expansão do crédito é consequência apenas dos seguidos anos sem crise externa (apesar das tentivas do Meirelles cavar uma crise) e da fabulosa abundância internacional de crédito.
    crédito consignado era uma demanda histórica dos bancos para reduzir a inadimplência, isto é, fazer como os agiotas que conseguiam tirar o salário da pessoa antes dela receber. FHC não quis fazer porque achava que seria acuasado de capacho de agiotas se fizessse.
    o crédito consignado trás algumas vantagens, pois pode reduzir um pouco os juros de agiotagem (mas continuam extorsivos), mas tira a prerrogativa de que o salário é inviolável. no limite o crédito consignado significa escravidão por dívida (se for permitido 100% de desconto). é como voltar 2 mil anos na história do ocidente.
    defender isso como grande mérito social de um governo que está aí há 5 anos parece ser brincadeira.
    abraços,
    Gustavo

  3. Bruno said

    A política monetária do governo Lula é mais conservadora do que a do segundo governo FH. Apesar de todas as condições serem melhores (inflação, saldo em conta corrente, risco-país, etc.), a taxa de juros real foi mais alta que no período Armínio. Isso ocorre, porque o Meirelles está boicotando o Lula.
    Se o Serra ganhar a eleição, vcs vão ver como os juros vao reduzir, mesmo que a situação se deteriore.

  4. Gustavo e Bruno,

    Obrigado pelos comentários. Não tenho nada a acrescentar.

    Uma notícia de última hora: o PMDB carioca vai apoiar o candidato do PT nas eleições da capital. Ou seja, Alessandro Mollon terá um vice do PMDB, Régis Velasco, secretário do Cabral. Tudo parece que o Eduardo Paes está mesmo fora da disputa. É o que o Cabral passou para o Lula. Mais uma vez faltou a lógica. O PT é insignificante eleitoralmente no Rio, mas encabeçará a chapa. Seria muito mais fácil promover o Eduardo Paes.

    Abraços,

    Jefferson

  5. Engraçado, Jefferson,
    sempre me falam, que em política o que parece ilógico decorre da nossa falta de informação sobre questões pessoais ou escusas.
    estava em uma reunião com um cara que trabalha como assessor político no Rio que me disse por acaso que hoje haveria um almoço que decidiria a candidatura do Eduardo Paes, provavelmente seria abortada.
    Não entendi bem o por quê e nem perguntei, porque estávamos tratando de outro assunto, mas pelo que entendi o Eduardo Paes foi vetado pelo César Maia, que pressionou contra e o Cabral não quis bancar porque tinha um caso de corrupção/dengue sei lá que estava respingando no presidente da Assembléia legislativa. Por algum motivo eles estavam acuados e tiraram a candidatura do Eduardo Paes.
    De qualquer forma, é a quarta reviravolta nessa campanha em menos de um mês. três dos candidatos que estavam entre os 4 primeiros no final do ano passado “desistiram”. Entrou o Gabeira que tem potencial e a candidatura do PT ganhou muita musculatura.
    desisti de fazer prognósticos sobre essa campanha…
    não estou conseguindo nem chutar um conjunto de 2 favoritos.
    abraços,
    Gustavo

  6. Gustavo,
    A candidatura do Eduardo Paes estava difícil de sair por causa da oposição do grupo do Garotinho, que ainda controla o PMDB no Rio. A opção desse grupo era a aliança com o César Maia, em torno da candidatura de Solange Amaral, e do apoio do DEM nos municípios do interior do Estado. Fazia todo o sentido. Nesse caso, o grupo do Cabral é que tinha uma resistência, e por isso forçava a candidatura do Paes. O que parece que houve foi uma combinação de interesses dos dois grupos, pois o PT irá apoiar candidatos do PMDB em alguns municípios cariocas. O fato é que a candidatura de Eduardo Paes nunca esteve consolidada, pois não obteve maioria dentro do partido. Prova disso é a aliança entre PMDB e DEM que quase vingou. Na verdade, só não vingou porque o PMDB estadual não quer fugir muito das hostes do governo federal. Mas está difícil fazer prognósticos mesmo.
    Abraços,
    Jefferson

  7. Eduardo Alves said

    Prezados,

    com relação à questão da comparação Lula x FHC, também acho interessante essa análise econômica, por que uns dizem que é um continuísmo, outros, ruptura.
    A oposição (leia-se PSDB) afirma que o Lula “continuou a era FHC”, e no entanto, descem as mais ferrenhas críticas. Ora, se continuou a estratégia deles, era para apoiarem o governo atual e não fazerem oposição. Mas, tudo é política…

    Podemos criticar ou elogiar em qualquer ponto, mas a realidade, para mim, é que o governo Lula é melhor do que o FHC em qualquer número. Qualquer um.

    Abraços,

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