Blog do Desemprego Zero

** DEBATE **: O BANCO CENTRAL DO MEIRELLES ESTÁ CERTO OU ESTÁ SABOTANDO O DESENVOLVIMENTO DO BRASIL

Posted by Gustavo dos Santos (meus artigos clique) em 26 março, 2008

Gustavo Antônio Galvão dos Santos *

Abaixo reproduzo umas trocas de comentários que tive com o economista Pedro. Pedro levantou pontos muito pertinentes sobre meu artigo anterior:

Por que o Brasil ainda é um dos que menos cresce entre os emergentes? Porque o Meirelles ainda não é Presidente da República

Fiz uma réplica sobre seus comentários esclarecendo meus pontos de vista. Gostei do resultado e resolvi colar aqui como um artigo para o blog. Acho que essa é uma discussão importante para os tempos atuais. Segue abaixo o debate:

Prezado Pedro,

Agradeço pelo comentário e pela forma tão educada de expor uma posição que é visivelmente tão divergente da minha. Não é fácil. Dou grande valor a isso.

O debate faz crescer a todos que participam. Vamos os pontos. Vou escrever em azul minhas posições, no meio de uma cópia do seu comentário.

Leia abaixo, por favor:

Caro,

senti falta de alguns pontos na sua análise. Se possível, gostaria de conhecer sua posição.

1) vc não mencionou em nenhum momento a palavra “poupança”. Na China e nos demais caso de sucesso na Ásia (Japão e tigres), a taxa de poupança interna é muito mais alta do que no Brasil (note que não se trata de poupança bruta, mas de taxa, que é determinada por fatores estruturais e não é signitivamente afetada pelo investimento prévio, como na análise keynesiana de curto prazo). Como a taxa de poupança baixa limita o crescimento, o quanto esse fator é que vem determinando o baixo crescimento brasileiro, e não o BC?

Os economistas ortodoxos confundem o conceito de poupança. No debate mais político tratam o conceito quase como o senso comum trata, como estoque de ativos, como uma caderneta de poupança. Mas na economia poupança é fluxo.

Não citei a palavra poupança porque ela é inútil. Na verdade, poupança no sentido que os economistas usam simplesmente não existe. Ela é um nada. No sentido macroeconômico poupança é apenas a contrapartida contábil dos gastos que são contabilizados como investimento. A contabilidade nacional também é de partidas dobradas, crédito e débito. Quando você registra um gasto como investimento a contrapartida não pode ser registrada como consumo. Inventaram um nome: poupança. Mas é só um débito, dizer que poupança existe é como dizer que o débitos existem ou que a china está se desenvolvimento por causa dos débitos contábeis. Em um sentido, vamos dizer, microeconômico poupança continua sendo nada, mas é um nada um pouco diferente, ela é a uma conta de resíduo da contabilidade do fluxo de renda. É calculada da seguinte forma subtraí-se a renda do consumo e se obtêm a poupança. Ela é apenas a renda individual que não foi gasta naquele período em que o fluxo é medido. Mas uma coisa é preciso estar clara, é impossível aumentar a poupança da sociedade reduzindo o consumo. Se você tem R$ 100 gasta comprando um caixa de banana do João, o João terá um renda de R$ 100 e também uma poupança de R$ 100. Se o João gasta R$ 60 comprando um ingresso para um show do Zeca Pagodinho, sua poupança passará a ser R$ 40. O Zeca terá uma renda de R$ 60 e um poupança imediata também de R$ 60. Mas se o João desistir de ir ao show e guardar os R$ 60, Zeca não terá renda e poupança, mas João continuará com R$ de poupança. Ou seja, não importando o quanto o João consuma de sua renda a poupança total da sociedade será sempre igual. Ninguém não pode reduzi-la ou aumentá-la com gastos ou não-gastos de consumo. Já, se o investimento aumentar, ela aumenta por tautologia, porque ela é apenas a conta de débito contábil do investimento na contabilidade nacional

A China tem uma pronpensão a consumir baixa e um investimento que cresce muito rapidamente, por isso é contabilizado no final do ano como tendo uma alta relação investimento/renda e, portanto, por tautologia poupança/renda (tem outras questões também, pois a poupança é a contrapartida contábil também do déficit público e do superávit em conta corrente, que é alto na china). Se a china tivesse uma alta propensão a consumir e mantivesse o mesmo nível de investimento, a taxa de crescimento da economia seria maior.

O investimento não precisa de poupança. Isso é completamente ilógico, como vc deve ter entendido na explicação acima. Para ser viabilizado o investimento precisa de dinheiro ou cheque. Se as pessoas que querem comprar máquinas tem dinheiro ou crédito no banco elas compram e ponto. A “taxa de poupança” (que é na verdade a taxa de investimento) não tem nada com relação a isso. Na china ter dinheiro ou cheque para comprar as máquinas nunca foi um problema porque os bancos são públicos e emprestam sem muita exigências de garantias.

E então porque o investimento é tão grande na china e tão baixo aqui? Simplesmente porque lá é lucrativo investir e aqui não é. Se é lucrativo, há perspectivas de lucro, os empresários acabam conseguindo dinheiro ou crédito para investir, principalmente lá, repito, onde os bancos são públicos.

E porque os investimentos lá são tão lucrativos? Porque lá a demanda cresce muito rápido internamente e no exterior (em decorrência da alta competitividade). Ninguém investe para ficar com as máquinas paradas. As pessoas investem para atender a demanda pelos produtos que produzem e assim ganhar dinheiro que vai servir até para pagar o empréstimo que pagou a máquina.

Para ler mais sobre poupança e investimento sugiro:

Um texto clássico do economista polonês Kalecki ‘Três Caminhos para o Pleno Emprego” (CLIQUE AQUI)

2) vc não menciona “produtividade” ou “educação”. Novamente, o Brasil investe muito pouco em educação (e, consequentemente, em produtividade) quando comparado aos países asiáticos que têm alcançado maior crescimento.

Não menciono, porque estou falando de política econômica de curto prazo. Isso é longo prazo. Não menciono também infra-estrutura, política industrial, política externa, geopolítica, OMC, inovações mais uns 2500 conceitos que estão relacionados aos problemas econômicos. Tinha que escrever em menos de 5000 caracteres e, portanto tive que me restringir a um assunto.

A China cresce velozmente há 30 anos e o analfabetismo deles é muito maior do que o nosso e há trinta anos era ainda muito maior. Na índia é ainda pior do que na china, mas eles crescem. Nos anos 50, quando crescíamos era também muito grande. A educação é absolutamente fundamental quando as empresas não estão encontrando pessoas capazes de operar o maquinário.

No Brasil existem milhões de pessoas com grau superior ou 2º grau completo desempregadas. Apenas dar educação para mais pessoas não vai aumentar os empregadores. Falta demanda por produtos e, portanto por emprego para fabricá-los. Portanto, a questão da demanda que o Banco Central não quer permitir que cresça é tão importante e tão urgente.

Melhorias de produtividade precisam de máquinas mais modernas para se realizarem ou simplesmente de máquinas. Quando o desempregado ou subempregado (que somam mais de 50% da nossa população em idade ativa) passam a trabalhar em uma empresa, passam a ter uma produtividade muito maior do que teriam vendendo balas no sinal. E nem precisa de que trabalhe em uma empresa moderna ou usar máquinas de última geração. Basta que mude de setor. O mesmo acontece com o agricultor chinês que deixa de plantar arroz para produzir sapato, aço ou computador. A produtividade vai aumentar só pela mudança de setor. E essa mudança só é possível com o crescimento do emprego e esse só é possível com o crescimento da demanda. Portanto, a questão da demanda que o Banco Central não quer permitir que cresça é tão importante e tão urgente.

Portanto, abordei só um assunto nesse artigo tão curto, mas é um assunto absolutamente importante não só para o curto prazo (que temos que tratar), mas também para o longo prazo, que você insinua que eu não estaria tratando.

3) vc não mencionou os efeitos benéficos da alta de juros (ainda que considere que os custos superem tais efeitos). O ritmo de crescimento do consumo entre as famílias mais pobres do Brasil vem crescendo em ritmo chinês há alguns anos – mesmo quando o PIB cresceu pouco (ver os trabalhos do M.Neri no CPS). Em grande parte, isso se deve à inflação baixa, grande redutora da desigualdade.

Não conheço efeitos benéficos de juros reais acima de 10%. E mais ninguém no planeta, pois o padrão normal é de juros sempre muito inferiores a isso. Boa parte dos países hoje, inclusive os eua, estão com juros reais negativos. Esse tal “ritmo chinês” (sic) de crescimento do consumo entre as famílias mais pobres do Brasil é claramente pouco. O crescimento total da nossa economia mal chega a 5%, muito pouco mesmo. Se os mais pobres crescem mais rápido, temos que dar graças a deus!! Você não acha? Mas é pouco, porque a renda brasileira é tão concentrada que eles hoje são uma pequena fração do consumo e portanto o crescimento mais rápido deles não permite que nossa taxa de crescimento seja digna de um país que quer ser desenvolvido.

3) não entendi qd vc disse que o BC estabeleceu um teto para o crescimento. Em geral, o BC sobe os juros quando seus modelos indicam pressão inflacionária. Ainda que você ache que os modelos estão errados, ou que a taxa de juros é o instrumento errado para lidar com o problema, ou mesmo que deveríamos aceitar uma inflação maior, isso é diferente de dizer que o BC estabeleceu um teto. Até onde a informação disponível permite inferir, o BC segura a demanda para respeitar a meta determinada pelo CMN. Gostaria de saber se há alguma informação em sentido contrário.

Existe o que o banco central diz fazer e o que o banco central realmente faz. Mas não tenho nenhum documento provando que eles estão fazendo corrupção obviamente porque esses documentos nem mesmo poderiam existir. É tudo nas conversas de bastidores entre eles.

Portanto, estou fazendo inferências sobre o comportamento deles nos últimos 5 anos. O teto de crescimento existe e se chama “PIB potencial” (que é um conceito idiota, calculado de uma forma ainda mais idiota) que o Banco Central acha é 4% ao ano. Sempre que a gente passa disso o banco central esperneia e inventa desculpa para aumentar os juros para cumprir uma meta extremamente rígida de um índice de inflação totalmente inadequado (porque não faz como os americanos que usam o núcleo e mesmo assim de forma bem flexível?)

4) Não conheço qualquer evidência de desindustrialização. Por exemplo, o índice firjan de produção exportada, um índice de quantum que avalia a produção industrial exportada para RJ e Brasil, aumentou fortemente nos últimos anos e está estável próximo à máxima histórica. A produção industrial teve forte expansão em 2007, e não parece ter seguido uma trajetória descendente nos últimos anos. Da mesma forma, a participação da indústria no PIB não parece ter declinado nos últimos anos. Gostaria de conhecer qualquer evidência em sentido contrário (assim como uma definição precisa de “desindustrialização”, se houver).

Claro que existe definição e índices para medir desindustrialização e, portanto, também industrialização. Vários inclusive. Dependendo do aspecto específico que você queira analisar. O PIB industrial desconsiderando o setor mineral em relação ao PIB nacional caiu muito desde 1980. Esse é um óbvio indicador de desindustrialização. Pegue os dados e verá claramente.

Agradeço e aproveito para cumprimentar pelo espaço de debate.

Eu também agradeço os cumprimentos a oportunidade de esclarecer esses pontos. Sempre que quiser comentar e criticar, será muito bem vindo aqui.

saudações

O DEBATE CONTINUA NO POST ABAIXO:

DEBATE II, porque o conceito de poupança é subvertido para defender políticas conservadoras

* Gustavo Antônio Galvão dos Santos: Editor.Mineiro de BH. Economista pela UFMG e mestre e doutor pelo Instituto de Economia da UFRJ. Meus artigos

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13 Respostas to “** DEBATE **: O BANCO CENTRAL DO MEIRELLES ESTÁ CERTO OU ESTÁ SABOTANDO O DESENVOLVIMENTO DO BRASIL”

  1. […] DEBATE: O BANCO CENTRAL DO MEIRELLES ESTÁ CERTO OU ESTÁ SEGURANDO O DESENVOLVIMENTO DO BRASIL […]

  2. Heldo Siqueira said

    Gustavo,

    do pouco que estudei de macroeconomia avançada (2 semanas) percebi que nos modelos matemáticos (os novos-clássicos e os novos-keynesianos), o conceito de longo prazo é completamente equivocado (e posteriormente adotado pelo Keynes). Segundo essa análise, no longo prazo um aumento da oferta monetária não pode aumentar a oferta agregada de forma consistente pq esbarra no PIB potencial (grosso modo). Ou seja, mesmo no longo prazo há um limite para a produção potencial.

    Mas o conceito de longo prazo, estabelecido pelo equilíbrio parcial do Marshall, é a possibilidade, por parte das empresas, de adequar a oferta, aumentando caso necessário. Em outras palavras, os modelos supostamente dinâmicos não tratam do curto e do longo prazo, mas de dois curtos prazos: um real (uma análise de como a economia está no momento atual) e outro hipotético (como a economia estaria no pleno emprego, dadas as propriedades estabelecidas pelos pressupostos estatísticos). Destarte, são modelos muito úteis para entender como a economia se encontra, mas completamente inúteis para entender o futuro.

    Abraços

  3. Heldo Siqueira said

    ps.: ao contrário do que escrevi no post anterior, o Keynes usa o conceito de longo prazo marshalliano acertadamente.

  4. Bruno said

    Heldo,
    Achei engraçado a crítica irônica que vc fez: pela definição microeconomica, longo prazo ocorre quando o capital fixo deixa de ser fixo. Mas, pela teoria ortodoxa, o fato das política monetária não poder alterar o capital fixo no longo prazo não significa que o que eles chamam de longo prazo é curto prazo. Pela Lei de Say, vc utiliza todos os fatores de produção. Dessa forma, se a política monetária expansionista não for capaz de diminuir os gastos em consumo, o investimento não poderá ser aumentado. A teoria de crescimento de Solow, se fosse está fora do estado estacionário, irá variar, mas a política monetária expansionista não poderá fazer o investimento crescer mais rápido, pois ela não aumenta a propensão a poupar.

  5. Bruno said

    Heldo,
    Eu escrevi um texto pequeno defendendo o BNDES, que fala sobre isso.

  6. Heldo Siqueira said

    Bruno,

    a questão é que, por pressuposto, as variáveis reais (propensão a poupar) não podem ser alteradas por variáveis monetárias (oferta monetária). Por outro lado, no longo prazo a propensão a poupar pode variar (já que longo prazo marshalliano é justamente a possibilidade das curvas de oferta e demanda, os parâmetros, se modificarem).

    Além disso, abandonado o axioma do pleno emprego, um aumento da oferta monetária pode aumentar a demanda agregada sem fazer variar o nível de preços. Nesse caso (o real, onde não há pleno emprego), não faz sentido achar que uma das determinantes da propensão a poupar não pode ser a oferta monetária (aliás, o mais provável que que a oferta monetária influencie).

    Quer dizer, a teoria adota que a economia está no pleno emprego (uma constatação equivocada) e vai para outro pleno emprego (o curto prazo atual, dado que os parâmetros são constantes, com pleno emprego) e chama isso de estado estacionário. Eu entendo que esses pressupostos é que permitem a utilização do método estatístico, mas os parâmetros encontrados têm muito pouca utilidade prática.

    Abraços

  7. said

    Prezado Gustavo
    Sua explicação a respeito de poupança me deixou algumas dúvidas.Escreverei meu ponto de vista. Continuarei com debate que tem sido tão cordial.
    Substituirei alguns trechos por … (por uma questão de espaço):
    … NA ECONOMIA POUPANÇA É FLUXO…
    ok, ninguém duvida
    …SENTIDO MACROECONÔMICO POUPANÇA É APENAS A CONTRAPARTIDA CONTÁBIL DOS GASTOS QUE SÃO CONTABILIZADOS COMO INVESTIMENTO… QUANDO VOCÊ REGISTRA UM GASTO COMO INVESTIMENTO A CONTRAPARTIDA NÃO PODE SER REGISTRADA COMO CONSUMO…. MAS É SÓ UM DÉBITO, DIZER QUE POUPANÇA EXISTE É COMO DIZER QUE O DÉBITOS EXISTEM OU QUE A CHINA ESTÁ SE DESENVOLVIMENTO POR CAUSA DOS DÉBITOS CONTÁBEIS…
    acredito que vc se referiu apenas ao sentido contábil da poupança e não macroeconômico. A decisão de poupar ou consumir (no sentido macroeconômico) em um período é um problema intertemporal e depende das expectativas dos agentes a respeito do futuro de sua renda, das taxas de juros, etc. A poupança é resultado dessas decisões dos agentes heterogêneos. No sentido contábil, ainda que o investimento seja zero, a poupança doméstica poderá ser positiva havendo contrapartida na conta corrente.
    …MICROECONÔMICO POUPANÇA CONTINUA SENDO NADA, MAS É UM NADA UM POUCO DIFERENTE, ELA É A UMA CONTA DE RESÍDUO DA CONTABILIDADE DO FLUXO DE RENDA. É CALCULADA DA SEGUINTE FORMA SUBTRAÍ-SE A RENDA DO CONSUMO E SE OBTÊM A POUPANÇA. ELA É APENAS A RENDA INDIVIDUAL QUE NÃO FOI GASTA NAQUELE PERÍODO EM QUE O FLUXO É MEDIDO…
    reitero meu ponto anterior. Ao dizer que a poupança é apenas um resíduo acredito que vc menospreza todos os incentivos que leva um agente a consumir ou poupar. Poupar, não é um resíduo. É uma atitude que busca a suavização intertemporal do consumo e é tomada a partir das preferências intertemporais dos agentes e dos incentivos que a economia dá
    MAS UMA COISA É PRECISO ESTAR CLARA, É IMPOSSÍVEL AUMENTAR A POUPANÇA DA SOCIEDADE REDUZINDO O CONSUMO…SE VOCÊ TEM R$ 100 GASTA COMPRANDO UM CAIXA DE BANANA DO JOÃO, O JOÃO TERÁ UM RENDA DE R$ 100 E TAMBÉM UMA POUPANÇA DE R$ 100…
    acredito que nesse caso o joão não tenha uma poupança de 100, e sim tenha tido uma renda de 100. A partir disso, é que ele tomará a decisão de consumir ou poupar
    SE O JOÃO GASTA R$ 60 COMPRANDO UM INGRESSO PARA UM SHOW DO ZECA PAGODINHO, SUA POUPANÇA PASSARÁ A SER R$ 40…
    claro
    O ZECA TERÁ UMA RENDA DE R$ 60 E UM POUPANÇA IMEDIATA TAMBÉM DE R$ 60….
    o zeca ainda não decidiu poupar ou consumir… ele teve apenas uma renda de 60. novamente, poupança não é contabilidade é fruto de um processo decisório dos agentes. ( talvez o problema seja esse conceito de poupança imediata que desconheço na literatura econômica)
    MAS SE O JOÃO DESISTIR DE IR AO SHOW E GUARDAR OS R$ 60, ZECA NÃO TERÁ RENDA E POUPANÇA,….
    zeca não terá tido renda… se ele não teve renda como poderá ter decidido sobre consumir ou poupar de uma renda que ele nem imaginava que existia
    MAS JOÃO CONTINUARÁ COM R$ DE POUPANÇA….
    claro
    OU SEJA, NÃO IMPORTANTO O QUANTO O JOÃO CONSUMA DE SUA RENDA A POUPANÇA TOTAL DA SOCIDEDADE SERÁ SEMPRE IGUAL….
    essa sua conclusão vem do uso equivocado do conceito de poupança nos pontos anteriores (conforme foi explicado)
    …JÁ, SE O INVESTIMENTO AUMENTAR, ELA AUMENTA POR TAUTOLOGIA PORQUE ELA É APENAS A CONTA DE DÉBITO CONTÁBIL DO INVESTIMENTO NA CONTABILIDADE NACIONAL…
    numa economia aberta, não é necessariamente verdade. (em todo caso, todo uso tem fonte, não havendo almoço grátis e tudo deverá ser pago, não necessariamente no mesmo período)
    A CHINA TEM UMA PRONPENSÃO A CONSUMIR BAIXA…
    Ok, acredito em vc (desconheço os dados)
    E UM INVESTIMENTO QUE CRESCE MUITO RAPIDAMENTE,
    Ok, acredito em vc (desconheço os dados)
    POR ISSO É CONTABILIZADO NO FINAL DO ANO COMO TENDO UMA ALTA RELAÇÃO INVESTIMENTO/RENDA
    Ok, acredito em vc (desconheço os dados, e,claro, uma coisa ter alto crescimento não necessariamente implica que ela já é grande )
    E, PORTANTO, POR TAUTOLOGIA POUPANÇA/RENDA (TEM OUTRAS QUESTÕES TAMBÉM, POIS A POUPANÇA É A CONTRAPARTIDA CONTÁBIL TAMBÉM DO DÉFICIT PÚBLICO E DO SUPERÁVIT EM CONTA CORRENTE, QUE É ALTO NA CHINA)….
    O fato de haver superávit em conta corrente diz que a poupança doméstica é maior que o investimento total, inclusive.
    No entanto, a falha em seu argumento está em a partir de uma tautologia fazer uma inferência de causalidade (o que está bem implícito na sua argumentação)
    SE A CHINA TIVESSE UMA ALTA PROPENSÃO A CONSUMIR E MANTIVESSE O MESMO NÍVEL DE INVESTIMENTO, A TAXA DE CRESCIMENTO DA ECONOMIA SERIA MAIOR.
    Da tautologia, vc fez uma inferência de causalidade (que pode até ser verdade, mas não é uma conseqüência lógica de nada que vc disse).
    Te diria que, ceteris paribus, um maior consumo torna impossível manter o mesmo nível de investimento.
    O INVESTIMENTO NÃO PRECISA DE POUPANÇA. ISSO É COMPLETAMENTE ILÓGICO, COMO VC DEVE TER ENTENDIDO NA EXPLICAÇÃO .. PARA SER VIABILIZADO O INVESTIMENTO PRECISA DE DINHEIRO OU CHEQUE…
    De onde vc acha que veio o dinheiro ou cheque?
    SE AS PESSOAS QUE QUEREM COMPRAR MÁQUINAS TEM DINHEIRO OU CRÉDITO NO BANCO ELAS COMPRAM E PONTO.
    Isto é, ou poupam ou se endividam
    A “TAXA DE POUPANÇA” (QUE É NA VERDADE A TAXA DE INVESTIMENTO) NÃO TEM NADA COM RELAÇÃO A ISSO. NA CHINA TER DINHEIRO OU CHEQUE PARA COMPRAR AS MÁQUINAS NUNCA FOI UM PROBLEMA PORQUE OS BANCOS SÃO PÚBLICOS E EMPRESTAM SEM MUITA EXIGÊNCIAS DE GARANTIAS.
    É sempre bom lembrar que não existe almoço grátis (vide subprime)
    E ENTÃO PORQUE O INVESTIMENTO É TÃO GRANDE NA CHINA E TÃO BAIXO AQUI? SIMPLESMENTE PORQUE LÁ É LUCRATIVO INVESTIR E AQUI NÃO É. SE É LUCRATIVO, HÁ PERSPECTIVAS DE LUCRO, OS EMPRESÁRIOS ACABAM CONSEGUINDO DINHEIRO OU CRÉDITO PARA INVESTIR, PRINCIPALMENTE LÁ, REPITO, ONDE OS BANCOS SÃO PÚBLICOS. E PORQUE OS INVESTIMENTOS LÁ SÃO TÃO LUCRATIVOS? PORQUE LÁ A DEMANDA CRESCE MUITO RÁPIDO INTERNAMENTE E NO EXTERIOR (EM DECORRÊNCIA DA ALTA COMPETITIVIDADE). NINGUÉM INVESTE PARA FICAR COM AS MÁQUINAS PARADAS. AS PESSOAS INVESTEM PARA ATENDER A DEMANDA PELOS PRODUTOS QUE PRODUZEM E ASSIM GANHAR DINHEIRO QUE VAI SERVIR ATÉ PARA PAGAR O EMPRÉSTIMO QUE PAGOU A MÁQUINA.
    Vc passa superficialmente pelo fato realmente importante. Pq lá é mais lucrativo, ou seja, pq lá cresce mais? É a pergunta de um milhão de dolares
    atenciosamente

  8. joao said

    Juros reais acima de 10%? Nao e do brasil que vc ta falando.

  9. […] (… em Perspectivas econômicas da re…Eduardo Alves em Entrevista – ROBERTO MANGABEIR…joao em ** DEBATE **: O BANCO CENTRAL …diegoalexcastro em Sobre o Conversa Afiada do Pau…Edilw em Sobre o Conversa Afiada do […]

  10. João,
    respondo a essas e outras questões no post abaixo (clique)
    http://desempregozero.org/2008/03/27/debate-ii-porque-o-conceito-de-poupanca-e-subvertido-para-defender-politicas-conservadoras/

  11. […] ela supostamente aumenta o investimento. Vimos em outro artigo que essa “conclusão” é falsa. Clique aqui para lê-lo. Mas também é falsa a “conclusão” de que reduzir o consumo aumentaria a poupança, como […]

  12. […] Recentes “Toda dona de casa… em ** DEBATE **: O BANCO CENTRAL …Economista 1 em DEBATE II, porque o conceito d…Economista 1 em DEBATE II, porque o conceito […]

  13. […] O que separa o Brasil do sucesso econômico de tipo asiático é apenas as incomparavelmente altas taxas de juros. As mais altas taxas do mundo do Meirelles são o grande obstáculo ao Brasil assumir verdadeiramente o lugar que o Mundo espera como um dos BRICs e crescer como os outros emergentes, clique aqui para ler sobre isso. […]

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