Blog do Desemprego Zero

O que quase ninguém fala sobre a dengue

Posted by NOSSOS AUTORES em 4 abril, 2008

Publicado em: Portal do Meu Mundo 

Divulgado por José Augusto Valente*

Em primeiro lugar, a mídia não esclarece à população que saúde é atribuição do município e do estado, cabendo à União apenas o repasse de recursos do SUS – Sistema Único de Saúde. Saúde, assistência social e educação básica são de responsabilidade das prefeituras, entrando o estado onde a prefeitura não tem condição de gestão plena. Se isso fosse bastante divulgado, a sociedade saberia a quem cobrar providências. Como temos uma cultura paternalista e ditatorial, há uma tendência a cobrar tudo do “Grande Pai” que é o presidente da República.

Todos falam em aumentar os recursos para a saúde, sem atentar que programas preventivos, muito menos onerosos, economizam e podem levar à redução da necessidade de recursos orçamentários para essa área.

O Programa Saúde da Família é o principal instrumento de saúde preventiva. Os municípios que investiram pesado nesse programa têm resultados bem superiores aos dos que não investiram ou não priorizaram adequadamente. Um exemplo de programa bem sucedido é o de Niterói. Exemplo de município que não priorizou esse programa, o Rio de Janeiro.

A epidemia de dengue, no Rio de Janeiro, é conseqüência da baixa prioridade desse programa no município. Em Niterói, mesmo considerando a proporção da população, a dengue está sob controle. Por que?

O Saúde da Família tem uma estrutura básica de médicos e de agentes de saúde. Cada núcleo do Saúde da Família atende uma quantidade de famílias, abrangendo a respectiva área geográfica. As famílias são cadastradas e os agentes visitam periodicamente as mesmas, detectando situações de risco, orientando os moradores e promovendo a visita dos médicos, quando necessário. Com isso, garante-se um atendimento antes mesmo de qualquer doença se manifeste ou, na pior das hipóteses, quando ela ainda está no início.

Todos sabem que a dengue exige prevenção para que não ocorra. As campanhas massivas têm-se mostrado pouco eficazes. O ser humano – e o brasileiro, em particular – sempre avalia que doenças mais graves nunca acontecerão com ele. Qual o fumante que é sensibilizado pela propaganda “terrorista” nos maços de cigarro? Câncer só dá nos outros. Em nós, nunca.

Isso significa que o Saúde da Família é estratégico na saúde pública, devido ao acesso direto às famílias e às suas condições de vida. Juntamente com serviços de saneamento adequados, formam a blindagem eficaz para evitar um conjunto de doenças. Quem atua nessa área sabe que quanto mais saneamento e medicina preventiva, menos necessidade de recursos nas unidades básicas e mistas de saúde e, principalmente, nos hospitais.

Mais Saúde da Família, menos pressão alta, menos enfartes, menos AVCs, menos hepatite, menos mortalidade infantil, MENOS DENGUE.

A dinastia César Maia é mais danosa para o município do que se possa imaginar. Ela está montada numa estrutura parlamentar (Câmara de Vereadores, deputados estaduais, deputados federais) que mantém a sua representatividade a partir e na perpétua reprodução do clientelismo e do fisiologismo.

Nas favelas e nos bairros de baixa renda do Rio de Janeiro proliferam os Centros Sociais de parlamentares. É uma estrutura paralela à institucional, embora se utilize desta, reforçando o fisiologismo. Basicamente, são “favores” prestados pelos parlamentares, com base na ausência (planejada) do poder público municipal.

O César Maia é tudo menos maluco. A opção pela não implantação massiva do programa Saúde da Família – com recursos federais e alguma contrapartida do município – é uma decisão política muito bem calculada. Ele precisa de uma rede de saúde precária e da ausência de atendimento local para garantir a sobrevivência política da sua base parlamentar. Foi justamente isso que permitiu que ele se elegesse, re-elegesse e, se bobear, mesmo com a epidemia que provocou pela sua omissão, ele fará a sucessora.

Os candidatos de oposição ao César Maia (e sua candidata) têm que martelar nessa campanha como e porque ele é o único responsável pela epidemia de dengue e pelo desatendimento à população em geral. Junto com isso, todos e todas têm que assumir o compromisso pela implantação massiva do programa Saúde da Família e das obras e serviços de saneamento, disponibilizadas pelo PAC e, também, negligenciados pelo atual prefeito.

Complementarmente, assumir o compromisso de implantar as Casas da Família, programa iniciado pela atual Secretária de Desenvolvimento Social do Estado do Rio de Janeiro, Benedita da Silva, quando ministra da Assistência Social.

A integração do Saúde da Família com o Casas da Família é vital para o atendimento preventivo massivo e, conseqüentemente, para acabar de vez (ou pelo menos reduzir) o discurso de mais recursos para a Saúde e a continuidade da situação epidêmica da dengue.

Não é de mais recurso que se precisa, mas de melhor utilização dele.

Em ações preventivas, prioritariamente.

*José Augusto Valente: engenheiro e trabalho há 35 anos na área de transportes. Fui Presidente do DER-RJ em 2002 e titular da Secretaria de Política Nacional de Transportes, do Ministério dos Transportes, no período de maio/2004 a junho/2007. Atualmente atuo como Consultor em Logística e Transporte.

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