Blog do Desemprego Zero

Soros explica a crise

Posted by Beatriz Diniz em 9 abril, 2008

Leia a íntegra na: Isto é Dinheiro

Por: Leonardo Attuch

Megainvestidor fala à DINHEIRO sobre a crise americana, lança livro e diz que a situação ainda pode piorar muito

A VISÃO DE SOROS: queda do dólar pode ser positiva para países como o Brasil GEORGE SOROS, novamente, foi rápido no gatilho. O mais temido especulador global, que já conseguiu dobrar o Banco da Inglaterra e derrubar a libra esterlina, lançou, na quinta-feira 3, o livro Um novo paradigma para os mercados financeiros – em escala planetária, mas apenas numa versão eletrônica, que pode ser baixada pela internet Public Affairs Books. Quando muitos ainda tentam compreender o que está ocorrendo, Soros, gestor de US$ 17 bilhões com seu Quantum Fund, explica: “Vivemos hoje a maior crise desde 1929, que é fruto da crença cega no fundamentalismo de mercado”, diz ele.

Segundo Soros, a bolha financeira vai além do mercado imobiliário ele já fala até em “superbolha” – e diz que a crise está só começando. “Os preços dos imóveis nos Estados Unidos ainda vão cair mais 20%, o que irá afetar a produção, o consumo e o emprego”.Um dia depois, na sexta-feira 4, Soros organizou uma teleconferência de imprensa, da qual DINHEIRO participou (leia trechos da entrevista ao lado). Embora esteja prevendo uma recessão profunda na economia americana, ele vê sinais positivos para os países emergentes. “Há uma fuga generalizada do dólar, mas as outras moedas, como o euro, já estão muito valorizadas”, diz ele. “Isso faz com que investidores migrem para commodities, o que pode causar efeitos positivos para países como o Brasil”.

O livro é um corolário das idéias que Soros vem reunindo há mais de uma década. Depois de se tornar bilionário, com uma fortuna estimada em US$ 8 bilhões, ele escreveu vários livros batendo sempre na mesma tecla: a imperfeição dos mercados financeiros e a iminência de uma grande crise global. O crash chegou e ele não perdeu a oportunidade de lançar um livro no calor dos acontecimentos, no qual critica justamente a globalização financeira que fez dele um dos homens mais ricos do mundo. Uma das soluções propostas por Soros é a criação de uma câmara de compensação global, com chamadas de margens mais rígidas para os investidores. “Isso reduziria a alavancagem”, diz ele.

No livro também ficam claras as principais influências intelectuais de Soros. E são dois austríacos. De um lado, Karl Popper, o pregador da “sociedade aberta”. De outro, Karl Polanyi, que escreveu o clássico A grande transformação. Nele, o autor descreve como a crise dos anos 20 engendrou uma depressão econômica, mas também uma revolução política, que deu asas a regimes totalitários, como o nazismo e o fascismo. Soros também fareja uma grande transformação. É o fim da hegemonia do dólar, que, segundo ele, dará lugar à ainda desconhecida nova ordem mundial.

O BRASIL PODE SER BENEFICIADO

Qual é a origem da crise atual?  

Ela deriva da crença num falso paradigma: o de que os mercados financeiros tendem ao equilíbrio, corrigem seus excessos e são racionais. Foi isso que produziu a superbolha global. Diante disso, eu proponho um novo modelo, que chamo de reflexividade

O que isso significa?

Que as pessoas têm uma compreensão imperfeita dos fenômenos sociais. São erros de análise que criam situações de euforia e desespero nos mercados, gerando bolhas e seus respectivos estouros. E cada bolha decorre da interconexão entre a realidade e a sua má interpretação.

O pior já passou?

Não. Os preços dos imóveis ainda vão cair muito nos Estados Unidos. Eu me espanto quando vejo analistas subestimando o impacto disso na economia real. Se, no ciclo de alta, a bolha imobiliária puxou o crescimento americano, por que o inverso não seria verdadeiro?

Como o dólar será afetado?

O elemento novo da crise atual, que nos coloca num momento de inflexão histórica, é a fuga generalizada do dólar. Isso reduz a margem de manobra do Federal Reserve, que, a meu ver, já chegou ao limite de redução de juros. A questão é: o que fazer?

Como outras moedas, como o euro, já estão caras, investidores migraram para commodities, o que ajuda a entender o boom das matérias-primas.

E como isso afeta os emergentes?

De várias maneiras. Países do Oriente Médio têm acumulado reservas numa velocidade impressionante, mas enfrentam problemas de inflação. Produtores de minérios e alimentos, como o Brasil, podem ser beneficiados. Mas o mundo crescerá menos.

O que pode ser feito para sanear os mercados?

Primeiro, deve-se abandonar o fundamentalismo. Segundo, é preciso mais regulação para reduzir os níveis atuais de alavancagem nos mercados financeiros. Eu proponho um sistema de compensação global, com chamadas de margens rígidas para os investidores, para mitigar os riscos. Foi a falta de regulação que nos colocou diante de ameaças de recessão e inflação.

Vem aí uma nova Grande Depressão?

A crise é a mais séria desde 1929, mas não um prelúdio de depressão. O rei está nu e o mundo não será mais o mesmo.

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