Blog do Desemprego Zero

Preconceitos da imprensa brasileira, segundo o BIRD

Posted by blogdojefferson em 11 abril, 2008

Jefferson Milton Marinho do Blog do jefferson

Uma visão de fora de nossa imprensa foi exposta pelo Banco Mundial. Segundo o banco, a imprensa brasileira é preconceituosa na análise dos programas sociais do governo Lula. Em vez de concentrar nos aspectos positivos e nas possíveis melhorias dos programas, a imprensa centra principalmente nos supostos desvios dos programas sociais.

A preocupação do BIRD é quanto ao risco da opinião pública brasileira de não compreenderam os objetivos dos programas sociais. Ou seja, a mídia não exerce o seu papel de informar adequadamente a opinião pública. A verdade é que ela costuma fornecer desinformação para seu público. Nesse sentido, o déficit de informação aqui é gigantesco, em qualquer assunto que entra na pauta política.

Esse blog já escreveu sobre o partidarismo (clique aqui para ler) que se vê na mídia brasileira. Ultimamente, a mídia nem é mais direitista, esquerdista ou centrista, mas defensora de interesses puramente partidários. Passaram a ser meros defensores de projetos ou estratégias ligados ao PSDB, DEM e PPS, independente do mérito da questão. Ninguém mais defende nossos jornalões, até o BIRD pulou fora desse barco.

Este blog defende as idéias do Manifesto de Mídia Livre. Vejam o artigo abaixo:

Do Sítio do Partido dos Trabalhadores

Rui Falcão*

Uma avaliação do Banco Mundial (BIRD) sobre como a imprensa brasileira (escrita) cobre os fatos associados ao Bolsa Família constitui-se em testemunha eloqüente do preconceito, da má vontade, má fé e ignorância de grandes veículos de comunicação em relação ao programa e, por extensão, à implementação de ações do governo Lula em cumprimento ao preceito constitucional que obriga o Estado brasileiro a respeitar os direitos sociais.

Infelizmente, os leitores em geral, com exceção dos assinantes do jornal Valor Econômico, não puderam ter acesso ao conteúdo do documento, por razões óbvias: os meios de comunicação aos quais coube a carapuça recusaram-se até agora a divulgá-lo. É, pois, com o propósito de fazê-lo chegar ao conhecimento geral que transcrevo aqui o resumo, com base no que foi noticiado no Valor.

O Banco Mundial observa, de início, que a imprensa brasileira acompanha o Bolsa Família com atenção raramente vista em casos semelhantes no mundo, e tem preferência por mostrar mais as suas falhas que as suas virtudes. Assim, por exemplo, diz o estudo, a imprensa está mais preocupada com os desvios do programa – como a inclusão irregular de beneficiários – do que com eventuais imperfeições, como a existência de excluídos que deveriam ser contemplados e que por algum motivo não o foram ainda.

O documento informa que o Banco Mundial, ao contrário da imprensa nacional, avalia positivamente o programa e sugere a outros países que imitem a experiência brasileira. E, com tato diplomático, os pesquisadores do BIRD, para prevenir a opinião pública desses países quanto ao risco de incompreensão da natureza e dos objetivos do programa, a exemplo do que ocorre no Brasil, decidiram levar a eles também o debate estampado nas páginas dos jornais brasileiros. “O Bolsa Família é como jabuticaba, uma criação original do Brasil, que deu certo”, afirmou a pesquisadora Kathy Linders, do Departamento de Desenvolvimento Humano do Banco Mundial, uma das responsáveis pelo estudo, em entrevista ao jornal Valor Econômico.

Para a pesquisa, foram escolhidos seis jornais, três deles de circulação nacional, e acompanhados desde 2001, quando tiveram início, no governo FHC, programas de transferência de renda condicionada aos mais pobres, como o Bolsa-Escola e o Bolsa-Alimentação, reunidos pelo governo Lula no Bolsa Família.

Parêntesis, para um comentário: como era de esperar, o Banco Mundial, ao pressupor uma continuidade entre os programas de ambos os governos, deixa de lado a radical diferença doutrinária e política que distingue um do outro: os programas sociais de FHC, cunhados na ideologia neoliberal, limitavam-se a ajudar os pobres, aliviá-los das agruras da pobreza, assumida não como um produto da desigualdade gerada pela prevalência do poder das elites na gestão dos recursos públicos, mas como uma fatalidade, enquanto os do governo Lula visam a resgatar uma dívida social do Estado brasileiro, a atender aos direitos sociais, inscritos na Constituição Federal de 1988.

Para os neoliberais do Banco Mundial, e para os tucanos, que lhe são subservientes, as reivindicações sociais e culturais podem ser aspirações legítimas, mas jamais direitos. A visão neoliberal rejeita todo enfoque coletivo do direito: o indivíduo é o único sujeito juridicamente titular de direitos; e os violadores do direito somente podem ser indivíduos que devem assumir, como indivíduos, a plena responsabilidade. Ou seja, a pobreza é assunto restrito unicamente à esfera privada, nada cabendo ao Estado senão promover a “filantropização” das políticas sociais – no lugar do atendimento aos direitos sociais -, mediante estímulo a ações de “responsabilidade social” empresarial e iniciativas pontuais de primeiras-damas, como o programa “Comunidade Solidária” de FHC.

A visão neoliberal vê o mercado – e não o Estado – como o principal coordenador dos conflitos de interesse na sociedade e concebe essa sociedade composta por indivíduos atomizados. Dentro dessa lógica da suposta inexistência da sociedade, substituída pelo mercado, os indivíduos passam a ter de sobreviver por conta própria no mercado, em que são obrigados a competir uns com os outros e a incorporar maneiras de se tornarem competitivos. Aos menos capazes de se aliviar do fardo das desigualdades, resta perecer, assim como falecem as empresas ineficientes.

Retomando o estudo do Banco Mundial: desde 2001, quando o governo FHC passou a dar alguma atenção para os programas sociais, de cunho assistencial, o debate na imprensa foi pautado por avaliações favoráveis às transferências de renda. Já as críticas aos problemas de implementação aumentaram sensivelmente após 2003, ano em que assumiu o governo Lula. O número de artigos sobre a Bolsa Família publicados entre 2003 e 2006 foi quase o dobro do total de artigos sobre o tema, no governo FHC, observa o estudo.

Os pesquisadores constataram que, entre os “temas quentes” da imprensa, os relatos sobre fraudes e controles, que ocupavam 10% das matérias durante o governo FHC, passaram a constar de 50% dos artigos publicados, em 2004, no governo Lula. Nos anos seguintes, com a implementação das providências de controle e revisão do cadastro tomadas por Lula, o tema perdeu importância relativa, até ocupar menos de 20% dos artigos em 2006.

Os técnicos do Banco Mundial comentam também que a imprensa nem sempre diferencia entre problemas causados por fraudes e irregularidades burocráticas, de um lado, e desconhecimento de regras ou erros em formulários, de outro, o que, na avaliação dos especialistas, dá aos leitores uma impressão equivocada sobre a natureza dos “desafios” do programa. A propósito, enfatizam que um terço das notícias sobre irregularidades tem como fonte o próprio governo, as suas agências de controle ou os ministérios. Somente em mais de um quarto das notícias foi a imprensa quem investigou e encontrou problemas. Está aí uma notícia que a imprensa em geral jamais fez chegar ao conhecimento do leitor, acrescentamos nós, num evidente propósito de desqualificar o sistema de acompanhamento e controle do programa por parte do governo Lula.

Segundo informa Valor Econômico, em reunião com autoridades do Ministério do Desenvolvimento Social e da Presidência da República, em 01/04/2008, os técnicos do banco sugeriram “campanhas e cursos para que os jornalistas adotem os termos técnicos no tratamento noticioso das irregularidades dos programas”.

Seria muito profícuo que tais campanhas e cursos começassem por informar que existem diferentes abordagens da pobreza e distintos modos de combatê-la. A maneira de definir e lidar com a pobreza revela conflitos sociais, ideológicos e políticos entre grupos de interesses, entre classes, partidos políticos e agências multilaterais, entre outros. A imprensa brasileira está longe de ser neutra nesse debate, como mostra o estudo do Banco Mundial.

A seguir, tais campanhas e cursos poderiam contribuir para remover preconceitos sociais e morais existentes na sociedade brasileira, que inspiram boa parte das críticas da imprensa ao Bolsa Família. E por detrás de uma abordagem limitada de pobreza (à renda, por exemplo), as campanhas e cursos poderiam apontar a existência da dimensão da desigualdade – questões de acesso à educação, ao trabalho, contextos políticos e sociais perversos e sua reprodução, étnicos, de gênero e de reconhecimento social, gerados, entre outros, por uma situação econômico-social iníqua, que privilegia elites minoritárias, há séculos no controle do poder do Estado e que impede a grande maioria do povo brasileiro de se apoderar da própria cidadania.

O discurso moral dos “falcões do colunismo” distingue o bom pobre do mau pobre. Graças a esse artifício, evitam indispor-se com seus eleitores contrapondo-se frontalmente a um programa aprovado pela maioria do povo brasileiro, ao mesmo tempo em que abrem espaço à sua retórica de desqualificação, por supostamente produzir efeitos inversos aos pretendidos, serem ineficazes e eleitoreiros. 

Parte das críticas ressalta o efeito indesejável da concessão de benefícios. Um deles é que os benefícios seriam tantos que os beneficiários passam a não querer trabalhar mais. Essa visão reflete, mais do que um preconceito, falta de informação sobre a situação na qual boa parte da população brasileira vive. De fato, o Bolsa Família gera alívio imediato na economia familiar, mas não é suficiente para que as famílias vivam unicamente dele.

Ademais, como observa a pesquisadora Sarah Mailleux Sant’Ana, o trabalho é compreendido pelos beneficiários do Bolsa Família não apenas como um modo de obter renda, mas também como meio de inserção social que lhes permite serem reconhecidos e respeitados como cidadãos úteis ao conjunto da sociedade. A maioria das pessoas desempregadas oficialmente ou que não têm empregos estáveis realiza trabalhos informais e temporários para aumentar a renda familiar, mas também trabalhos não remunerados que fortalecem os laços de solidariedade.

Outro preconceito refere-se ao destino dos benefícios. Nas Ciências Sociais, aprende-se que a categoria economia não é compreendida pelas pessoas somente pela renda, mas também pela ação (e sentido) social que a renda e os laços sociais criam. No trabalho de campo, realizado por Sant”Ana, observou-se  que a maioria das famílias entrevistadas gasta os recursos recebidos na sobrevivência direta e imediata, mas outras fazem investimentos. A imprensa ignora o papel social, de expectativa de reconhecimento e inclusão, associado a esses investimentos. É o caso de duas beneficiárias: uma comprou um tanque para lavar roupa para fora, que o aluga para vizinhas e o empresta para amigas; outra parcelou a compra de um aparelho de DVD com parte do Bolsa Família para criar um cinema comunitário em sua casa, cobrando R$0,50. Nas festas de crianças, os filmes são oferecidos gratuitamente. Ao proceder dessa maneira, o que elas têm em mente é não somente capitalizar a renda, investir para que possam gerar mais renda, mas também fortalecer seus laços sociais e solidários, observa a pesquisadora, potencializando dessa forma as possibilidades de sua inserção social e de reconhecimento como cidadãos livres e ativos.

Nesse sentido, gastar parte do dinheiro do Bolsa Família no cabeleireiro para participar de um casamento pode ser considerado não um desvio de finalidade, mas um investimento de trocas simbólicas: o gasto na boa apresentação pessoal é uma deferência para com os noivos e convidados. Reciprocamente, em um momento posterior de necessidade, as pessoas assim honradas poderão retribuir de modo solidário. As mulheres que cuidam das crianças dos outros gratuitamente asseguram que, quando precisarem, seus filhos também serão cuidados.

Isso é dizer que sobreviver é assegurar o atendimento das necessidades biológicas e ao mesmo tempo assegurar um lugar (social) na comunidade. A escala da renda não é o bastante: pode-se ser rico (financeiramente) e fraco (socialmente); pobre (financeiramente) e forte (socialmente), afirma Sant’Ana. Sobreviver é ser capaz de se manter socialmente. Nesse sentido, as trocas são indispensáveis: mais que a movimentação de dinheiro e de bens, é a sensação de compartilhar de um destino comum que importa. É preciso relacionar-se, criar aliados, ou seja, abrir-se, ser visto para que os objetos necessários (móveis, tanques, bicicletas) circulem.

É desse modo que os próprios beneficiários percebem o Bolsa Família. A grande maioria dos entrevistados demonstra satisfação, não diretamente com a materialidade do benefício (a transferência de renda), mas com outras iniciativas, como o Programa Nacional de Agricultura Familiar, o acesso à eletricidade, o acesso aos remédios nas farmácias populares, o acesso à saúde e melhorias na escola. A relação com a vizinhança, de acordo com os entrevistados, também melhorou com o fortalecimento de laços de solidariedade e de novas amizades. Por aí se pode observar que o programa desempenha um papel relevante na garantia de uma autonomia mínima, na capacidade de planejar o futuro, no consumo e na qualidade alimentar, entre outros.

Outro preconceito, que poderia ser desfeito nas campanhas e cursos, é que o Bolsa Família seria um instrumento político de manipulação eleitoral, uma recaída no clientelismo clássico. Esquece-se, assim, deliberadamente que na esfera pública de direitos inscreve-se a obrigação do Estado de  assegurar o direito à subsistência a todos os habitantes de uma nação. A esse respeito lembra-se que sob os auspícios do governo Lula, em setembro de 2006, foi aprovada no Congresso Nacional a Lei Orgânica da Segurança Alimentar, que consolida a concepção de uma renda mínima como direito do cidadão. Essa lei dissocia o direito à subsistência de iniciativas de um partido político ou de um governo e insere-o na agenda social brasileira como obrigação legal do Estado. A não garantia desse direito representa uma violação dos direitos fundamentais e lesão do direito à vida.

Também faz parte do conjunto de preconceitos morais dos falcões do colunismo a obsessão por responsabilizar os pobres pela situação precária em que vivem. A denúncia desse preconceito, indissociável do pensamento neoliberal, poderia ser utilizada pedagogicamente nas campanhas e cursos sugeridos pelo Banco Mundial, para suscitar a discussão na imprensa sobre o papel do Estado no resgate da dívida social.

Rui Falcão é jornalista, advogado e deputado estadual pelo Partido dos Trabalhadores. Foi deputado federal, presidente do PT e secretário de governo na gestão Marta Suplicy.

Jefferson Milton Marinho: Economista formado pela UFMG e Mestrado na mesma instituição. MBA em Finanças pelo IBMEC-BH. Meus Artigos

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6 Respostas to “Preconceitos da imprensa brasileira, segundo o BIRD”

  1. Bruno said

    Jefferson,
    É impressão minha ou a mídia tem dois discursos para a mesma realidade de crescimento de 5% ao ano?
    Um de que o modelo economico é vitorioso. O Brasil está crescendo, pagando a dívida externa, gerando emprego e crescendo a renda da população. Isso se deve ao FHC, ou no máximo, porque o Lula teve o bom senso de manter as políticas do FHC. Eles em 99% das vezes ocultam que na época do FHC, ocorria o contrário: o desemprego disparou, o Brasil quebrou três vezes, a dívida externa cresceu, as reservas caíram.
    Por outro lado, exatamente no mesmo dia em que saiu a pesquisa de popularidade recorde do Lula, eu vi a Mírian Leitão afirmando que o Brasil cresceu 5%, depois de dois anos crescendo pouco, enquanto outros países emergentes estão crescendo 8%, 9% ou 10% ao ano. Em 2006, era praxe dizer que em 2005 o Brasil só cresceu mais do que o Haiti. Nesse caso, é um fracasso. E, quando afirmam que o resultado é um fracasso economico, a culpa é apenas do governo do PT. Não há qualquer menção que, como no Lula, em todos os anos do governo FH cresceu menos do que a média dos emergentes. Aí o FH ou seu modelo economico nunca aparece como a causa para o desempenho medíocre.
    Uma realidade: o Brasil crescendo a 5% e dois discursos realizados pela mesma pessoa: isso é sinal de sucesso e isso é sinal de fracasso. Quando eu falo que é sucesso é FH, quando eu falo que é fracasso é Lula. Mas, como todo o discurso da imprensa nacional é unificado (me parece que houve a fusão das empresas e não foi avisado para não dar problema no CADE), eles não têm o risco de alguém apontar a incoerência do discurso.

  2. Caro Bruno,
    Está certíssimo em suas observações. Isso também acontece quando as matérias falam da Argentina e da Venezuela. Geralmente, as matérias são extremamente negativas, como se as políticas adotadas nesses países fossem um verdadeiro fracasso. O Brasil torna-se modelo a ser adotado, que supostamente seria o de FHC. Porém, quando querem bater no governo Lula, que cresceria pouco, esses países aparecem entre aqueles que crescem mais que o Brasil. E sempre são lembrados. Fica difícil entender. Se as políticas adotadas na Argentina e Venezuela são ruins ou erradas (na visão da imprensa), qual seria a lógica de comparação com o Brasil (que, segundo eles, são boas porque seguem FHC). Não concordo que a política atual seja mera continuidade da política anterior, mas rendo aos argumentos em contrário. Mas a posição da imprensa não é sustentável. Está completamente perdida, da mesma forma que a oposição política.
    Abraços,
    Jefferson
    Grande abraço,
    Jefferson

  3. Jefferson,
    você é um dos melhores analistas políticos que eu conheço. Me dê sua opinião sobre uma hipótese: Você acha muito provável que o Meirelles esteja enganando o Lula e a todos e está trabalhando para viabilizar a eleição de um candidato tucano em 2010?

  4. Gustavo,

    Não acredito nessa história de sabotagem do Meirelles. E digo mais: ele não contraria o Lula. Nesse caso, acho que o Lula é conservador mesmo, e morre de medo da inflação colar nele. Mas vou falar agora de algo que não conheço suficiente para opinar.

    Atualmente, o Lula está pressionado entre inflação e vulnerabilidade externa. Dificilmente Lula deixará o país ficar novamente vulnerável, porque ele não quer perder esse legado. Se as medidas pontuais não estacarem uma possível perda de reservas e deterioração do Balanço Pagamentos, acredito que ele tomará medidas à moda Delfin e Nakano: elevação do superávit para maior queda de juros. É uma intuição. Ele vai dar tempo, para sentir o tranco. Mas vai querer ter uma combinação de inflação controlada (pode até ficar acima do centro da meta), crescimento próximo de 5% e sem vulnerabilidade externa. Confesso que não tenho a idéia como se consegue isso no arcabouço da política monetária e fiscal do governo.

    No caso do BACEN, sempre haverá alguns diretores de linha dura e a política de juros altos será a tônica deles. Estes são independentes, o governo os mantêm porque não quer comprar briga diretamente com o tal “Deus Mercado”. Há um outro grupo de diretores que são influenciados pelo presidente do Bacen. Sempre é possível construir um teatrinho, ou seja, fazer uma maioria com esses os diretores influenciados. Se em algum momento o Bacen contrariou o Lula, isso ocorreu porque ele tinha um ministro da Fazenda forte. Na verdade, não foi o Bacen que o contrariou, mas o Pallocci.

    Tem gente que diz que o Serra é diferente. Seria desenvolvimentista. Eu duvido muito. Acho que o Serra de hoje não tem nada com o que escreveu lá atrás. Temos sempre que lembrar que ele costuma recorrentemente cobrir o Armínio Fraga de elogios. E, em 2006, deu sinais que retornaria com ele para o Bacen. Ou seja, já sabemos sobre sua política monetária. Eu acho que o Serra é desenvolvimentista na mesma linha do Lula. Tenta equilibrar o jogo em situações de difícil equilíbrio: política industrial coexistindo com política monetária ortodoxa. Porém, ele é mais privatista que o Lula. Não tenho dúvidas disso.

    Sobre o Meirelles, descarto qualquer idéia de sabotagem dele para favorecer eleitoralmente o PSDB. Acho que ele quer mesmo é ganhar o governo de Goiás em 2010, contra o tucano Marconi Perrilo. E o no melhor cenário, que entre no governo um aliado da coalização lulista. É isso.

    Abraços,

    Jefferson

  5. Eduardo Alves said

    Companheiros,

    A clareza e boa análise são mesmo as características do blog. As colocações de vocês foram perfeitas.

    Eu também não concordo com essa história de o Meirelles sabotar o Lula. Indiretamente isso pode acontecer, aí sim, mas premeditado, não. Gustavo, essa bronca que você tem com ele (com justiça) é derivado daquela distorção que já debatemos aqui. Não há sabotagem, há uma gravíssima falta de projeto. Como o governo não possui uma plataforma concreta para o país, então cada ministro, cada secretário, etc, faz o que quer na sua pasta, pois não se viabiliza um rumo nacional.

    A oposição (da qual a imprensa também faz parte) sabe muito bem o que faz quando blinda o Meirelles e solta a pancadaria em cima da Dilma, como agora nessa bobagem de dossiê.

    Esquerda e direita se confundem no atual processo. Isso por que “o esquerdismo continua sendo a doença infantil do comunismo”.

    Essa é Lênin.
    Abraços,
    eduardo.

  6. Jefferson e Eduardo,
    como a maioria das pessoas, acho que vocês não estão entendendo uma questão fundamental:
    Perto da Política Monetária do Meirelles, o Armínio Fraga é quase um comunista.
    É exatamente isso, o Armínio Fraga é um ortodoxo, como quase todos os bancos centrais do mundo. O Meirelles não. Ele faz algo totalmente fora do normal.
    Para rejeitar minha hipótese, vocês precisam mostrar argumentos para explicar essa anormalidade. O fato do Lula “acreditar” no Meirelles e do Lula ser conservador é uma obviedade irrelevante. Ou vocês acham que o presidente do FED, e de 99% dos bancos centrais não são conservadores????? que o Bush e a 80% dos chefes de governo do PLANETA não são mais conservadores do que o Lula?????
    não é uma questão de conservadorismo!!!!
    a questão é que a política atual não tem precedentes!!! em nenhum país o momento histórico!!
    VOCÊS PRECISAM EXPLICAR ISSO!!!
    abraços

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