Blog do Desemprego Zero

Representação pede ação civil do MPF contra provocações da emissora à Venezuela

Posted by Beatriz Diniz em 12 abril, 2008

“Segundo PCB Globo tem como objetivo indispor mutuamente os governos e os povos de dois países amigos (Brasil e Venezuela), perguntando se: O Brasil está preparado para uma guerra contra a Venezuela?”

*Postado por Luciana Sergeiro

Publicado originalmente no Jornal Hora do Povo

Por: WALTER FÉLIX

PCB denuncia Rede Globo por atentar contra a Constituição

Quadro “Central de Boatos”, veiculado em 16 de dezembro pelo Fantástico, distorceu imagens do presidente Hugo Chávez para tentar gerar cizânia entre venezuelanos e brasileiros

O secretário-geral do Partido Comunista Brasileiro (PCB), Ivan Martins Pinheiro, entrou com representação judicial contra a Rede Globo, denunciando a emissora pela veiculação de uma “sórdida e repugnante matéria, que atiçou o povo brasileiro contra os venezuelanos, insinuando uma suposta invasão militar da Venezuela ao nosso país”. A matéria, exibida no Fantástico de 16 de dezembro, no quadro “Central de Boatos”, insinuava: “O Brasil está preparado para uma guerra contra a Venezuela?”.

Segundo o partido, a forma supostamente humorística com que a emissora apresentou o assunto não consegue esconder grave transgressão aos princípios constitucionais brasileiros, que consagram o convívio pacífico entre os povos e a integração latino-americana. O PCB advertiu que as ilações da Globo têm como objetivo indispor mutuamente os governos e os povos de dois países amigos: “A reportagem assumiu uma forma híbrida, para passar a impressão de que se tratava de humor”.

“Foi uma manipulação grosseira. Não sei se por orientação jurídica, mas o programa finge que é de humor, para que uma vez na Justiça ele digam: `não, é uma brincadeira´. Por isso, estamos pedindo que o Ministério Público Federal (MPF) no Rio de Janeiro entre com uma ação civil pública”, declarou Ivan Pinheiro, que assina a representação, ao HP.

No texto, o secretário-geral do PCB aponta que a Rede Globo violou o artigo quarto da Constituição, que trata dos princípios que regem as relações internacionais do Brasil, pedindo ao MPF que acione a emissora a fim de “assegurar direito de resposta, no mesmo espaço, a representantes dos governos ofendidos”.

“O programa já começa com a caluniosa insinuação de que a Venezuela está se armando para invadir o Brasil. Trata-se de uma notória fraude. Qualquer pessoa medianamente informada sabe que o adversário externo do governo venezuelano é o governo norte-americano e não o brasileiro”, ressaltou, assinalando que os entrevistadores do programa manipulam “sem qualquer pudor” a inocência e o patriotismo de pessoas humildes que vivem em uma pequena cidade na fronteira do Brasil com a Venezuela.

A denúncia relata, entre outras leviandades, que os responsáveis pela “reportagem” perguntam a transeuntes “se lutariam em defesa do Brasil” na iminência de uma invasão venezuelana. Identifica também o desrespeito a instituições cívicas do Brasil ao percorrerem a via principal de Pacaraima (RR), em um carro decorado com as cores nacionais, promovendo uma “convocação de emergência”, que incitava a população a se “alistar para a guerra contra a Venezuela”. “O programa trata de ridicularizar, satanizar e estereotipar” o presidente Hugo Chávez, “através de edição de imagens para que pareça um agressor de nosso país”. “O objetivo político central é uma solerte campanha para instar o governo brasileiro a reforçar sua fronteira com a Venezuela e se armar para poder `enfrentar o país agressor´”, enfatiza.

BOLÍVIA

Ivan Pinheiro observou ainda que a emissora vai além, tentando envenenar as relações do Brasil com o governo boliviano. O secretário-geral do PCB mostra que, ao insinuar que a suposta invasão do território brasileiro poderia vir também pelo sul, através da fronteira com a Bolívia, o programa aproveita para ridicularizar o presidente Evo Morales, colocando-o como submisso a Chávez.

“Na realidade, o programa ofendeu três presidentes: o presidente da Bolívia, como uma marionete, um fantoche; o presidente da Venezuela, como um invasor, um ditador; o presidente do Brasil, como um pusilânime, um omisso, que não reage e não prepara o país para se defender da `invasão´. A todos, portanto, agravou com dano material, moral e às suas imagens”, acrescentou em sua representação. “O desrespeito é tão grave e notório que o programa foi ao ar exatamente no momento em que o presidente Luiz Inácio da Silva estava num intervalo de visitas aos dois países, justamente para estreitar os laços de amizade e colaboração entre seus povos, na perspectiva da integração latino-americana”, advertiu Ivan Pinheiro.

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