Blog do Desemprego Zero

A crise do setor elétrico brasileiro de 2007-2008

Posted by Beatriz Diniz em 16 abril, 2008

“Este artigo tem o objetivo central de analisar a situação de desequilíbrio que o setor elétrico atravessou entre novembro e fevereiro de 2007-2008, buscanso demonstrar que em nenhum momento se chegou frente a uma situação análoga à crise do apagão de 2001.”

Por Luciana Sergeiro

O predomínio da hidroeletricidade na matriz elétrica e significativo potencial hidroelétrico do Brasil, estimado em 160 GW, determinam vantagens comparativas singulares em termos internacionais: produção de energia elétrica a menores custos, menos poluidora, interligação de bacias e diferentes regimes de chuva em espaço continental. Contudo, a hidroeletricidade traz, em si, um componente de risco, na medida em que a energia assegurada e a energia natural afluente dependem da intensidade e localização das chuvas no período úmido, que vai de dezembro a março. Esta aleatoriedade é assimilada pela operação do sistema elétrico como risco hidrológico. Este artigo tem o objetivo central de analisar a situação de desequilíbrio que o setor elétrico atravessou entre novembro e fevereiro de 2007-2008, buscando demonstrar que em nenhum momento se chegou frente a uma situação análoga à crise do “apagão” de 2001. O trabalho conclui que novas características estruturais da matriz de energia elétrica estão aumentando o risco hidrológico. Esta tendência irá impor a necessidade de despachar usinas termoelétricas na base para mitigar o risco hidrológico. Como as diretrizes atuais de despacho do sistema elétrico evitam o uso das termoelétricas por razões tarifárias, há um componente de risco não dimensionado. A introdução do leilão de energia de reserva é uma ação no sentido de evitar as termoelétricas, colocando-as como backup do sistema e reduzindo o risco hidrológico.

Entre novembro de 2007 e meados de janeiro de 2008, o volume de chuvas ficou bem abaixo da média histórica brasileira (ONS, 2007, a), série que tem como limite temporal inferior o início da década de 1930. A redução no nível dos reservatórios provocou um forte estresse no SEB e na sociedade brasileira, em razão da ampla cobertura e divulgação pela mídia de opiniões e análises de representantes dos agentes do setor e de especialistas. Como sempre, certo alarmismo apoiado em paralelos e analogias com o “apagão” de 2001. A base deste posicionamento fundamentou-se, grosso modo, na impossibilidade de serem construídos novos empreendimentos no curto prazo que pudessem aumentar a capacidade de geração e, principalmente, devido à indisponibilidade pontual e conjuntural da oferta de gás natural para acionamento de parte do bloco gerador térmico. Outro fator em que se apoiaram as análises comparativas entre 2001 e 2008 foi a alta expressiva do preço da energia elétrica no mercado spot, de curto prazo, que “bateu” no teto dos quase R$ 600 por MW.

De imediato deve-se assinalar, e esta é a posição dos autores, que a possibilidade de ocorrer no início de 2008, situação análoga à crise do “apagão”, só poderia ser concretamente definida através da análise comparativa dos reservatórios das hidroelétricas no término do “período úmido”. Antes desta data limite, a afirmativa de que o “apagão” estaria na eminência de ocorrer foi posição muito prematura e especulativa.

Clique aqui para ler na íntegra o artigo

A crise do setor elétrico brasileiro de 2007-2008.

Por: Nivalde José de Castro2

       Roberto Brandão3

       Felipe Botelho4

       Paula Goldenberg4

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