Blog do Desemprego Zero

Balanço de pagamentos dá situação ‘confortável’ ao País

Posted by Beatriz Diniz em 16 abril, 2008

“Um crescimento sustentado em grandes saldos comerciais poderia ser dado por maiores estímulos nas exportações”. Leia abaixo.

Por Katia Alves

Publicado no: DCI

Por: Rodrigo Lima e Luciano Máximo

Apesar de a diretora da agência de classificação de risco Standard & Poor’s, Lisa M. Schineller, ter mencionado que o gerenciamento da economia brasileira diante do déficit em transações correntes será um dos pontos analisados fundamentais para que o País possa alcançar o grau de investimento, economistas dizem que este fator não poderia ser considerado como uma ameaça aos investidores estrangeiros, especialmente se é compensado pela conta de capitais, não decorrendo em déficit no resultado total do balanço de pagamentos.

Conforme o professor da Trevisan Escola de Negócios, Alcides Leite Domingues Júnior, “o déficit em transações correntes é um fator econômico a ser corrigido, mas se é compensado pela conta de capitais, especialmente através de Investimento Estrangeiro Direto (IED), decorrendo em superávit no Balanço de Pagamentos, como vem ocorrendo, não oferece nenhuma ameaça”.

Para Leite Júnior, “as observações das agências que avaliam ratings não podem ser comentadas e nem levadas a sério, porque lhes falta critérios confiáveis, o que ficou provado com os diversos erros de análise, como os relacionados às recentes crises creditícia e financeira nos Estados Unidos [EUA]”. O analista diz, todavia, que mesmo as análises dos ratings soberanos, que as agências insistem em dizer que possuem metodologia mais confiável e distinta, não devem ser considerados pelo mercado. “Na mesma semana em que uma destas agências elevou o rating da Tailândia, o país asiático sofreu com um golpe de estado. Como se explica a posição dos Estados Unidos nestes ratings, se o déficit em conta corrente é um fator tão negativo? Ou ainda, como entender esta análise se o Brasil, enquanto tinha elevados superávits em conta corrente, tinha uma classificação pior do que a atual? Finalmente, quem pode confiar em classificações que consideram a economia peruana mais ou tão segura quanto a brasileira para os investidores?”, questionou.

Vulnerabilidade externa

Outros analistas preferem entender a alusão relativa ao déficit em conta corrente, da diretora Standard & Poor’s, como um alerta para o aumento da vulnerabilidade externa, um dos fatores de análise de solvência de um país. Francisco Pessoa Faria, economista da LCA, lembra “que o déficit em conta corrente pode ameaçar o processo de redução da vulnerabilidade externa brasileira. Se não for coberto pela conta de capitais, as reservas podem ser utilizadas para sanar o problema, colocando em risco a atual posição confortável do Brasil em relação às contas externas”.

Faria entende, entretanto, que o Balanço de Pagamentos não está ameaçado, sobretudo por causa da diferença entre a taxa de juros interna em relação às externas, mas alerta que “esta circunstância atrai mais os capitais especulativos, muito perigosos porque podem sair de uma hora para outra. O melhor seria que optássemos por um crescimento sustentado em grandes saldos comerciais. Para tanto, seria necessário maiores estímulos às exportações”, destacou.

Na análise do economista Salvador Werneck, coordenador do grupo de regimes monetário e cambial do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), “a recuperação das contas externas brasileiras depende essencialmente de políticas que tornem o real mais competitivo. Com a atual política monetária baseada no tripé metas de inflação, câmbio e superávit primário é difícil atingir uma taxa cambial competitiva. A maneira mais saudável de minimizar o déficit de conta corrente viria por meio de um novo arranjo macroeconômico, com peso na política cambial”.

Para ele, é arriscado esperar que o dólar ganhe força frente ao real apenas através do fluxo do mercado. “A situação pode se tornar insustentável, do ponto de vista de balanço de pagamentos. É importante começar um amplo debate, sem artificialismos, sobre como frear o derretimento do dólar ou incentivar o setor produtivo exportador”, pondera. Werneck lista algumas medidas: “controle de capitais estrangeiros, isenção de tributos sobre portfólio de investimentos e uma política industrial que beneficie a inovação tecnológica e a exportação de bens de manufaturados são meios bastante salutares”.

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