Blog do Desemprego Zero

O crescimento econômico e a competitividade chinesa

Posted by Beatriz Diniz em 16 abril, 2008

“O artigo discute as principais causas do forte crescimento da economia chinesa nos últimos 27 anos. Um dos principais objetivos deste trabalho é lançar novas hipóteses quanto às fontes do desempenho econômico chinês e suas características, propondo uma visão sobre o desenvolvimento recente daquele país, a qual procure ir além das explicações mais conhecidas e que busque, na história recente e na geografia, algumas pistas para esse processo.”

Por Luciana Sergeiro

O forte crescimento da economia da China nos últimos 27 anos é fato amplamente conhecido – nos quatro últimos anos, o Produto Interno Bruto (PIB) chinês teve crescimento real médio de cerca de 10% ao ano (a.a.). Da mesma forma, é notório o extraordinário aumento da competitividade das exportações de produtos manufaturados chineses, deslocando rapidamente produtores tradicionais, inclusive de países desenvolvidos.

Menos conhecidas e compreendidas, no entanto, são as causas desse  processo,ou, pelo menos, suas características e elementos definidores mais importantes. Dentre as causas apontadas, destacam-se os investimentos diretos externos (IDEs), em sua maioria voltados para exportação, que transferem tecnologia e fornecem capital para o país, atraídos principalmente pelo baixo custo de uma mão-de-obra disciplinada e com nível relativamente alto de qualificação. Enfatizam-se também as medidas de política industrial, como os incentivos fiscais concedidos a setores determinados localizados em zonas econômicas especiais, a obrigação de as empresas multinacionais (EMNs) se associarem a um parceiro doméstico e a proibição de investir em certos setores, bem como a manutenção de uma taxa de câmbio fixa e desvalorizada, estimulando as exportações. Todos esses fatores, certamente, contribuíram para o espetacular crescimento econômico chinês, mas estão longe de explicar adequadamente esse processo. Afinal, algumas dessas características estiveram presentes em diversos outros países e regiões, sem que o efeito fosse sequer parecido.

Há uma dimensão em que o fenômeno chinês pode ser considerado como uma terceira onda do modelo asiático, após a do Japão, ainda na década de 1950, e a dos quatro newly industrialized countries (NICs) – Cingapura, Coréia do Sul, Hong Kong e Taiwan -, já na década de 1970. Essa dimensão é a ênfase no comércio internacional, talvez por todas essas economias se caracterizarem por dotação relativamente menos favorecida de recursos naturais. De fato, o Japão e a Coréia do Sul adotaram algumas medidas que, em algum grau, são parecidas com as chinesas, mas que diferem em aspectos substanciais.

Uma diferença fundamental é o tamanho relativo desses três países asiáticos. Não há termos de comparação entre a dimensão geográfica de Coréia e Japão, de um lado, e China, do outro. Isso assume importância quando se nota que o desenvolvimento industrial da China ocorreu principalmente nas zonas costeiras, enquanto o interior permaneceu, em grande parte, predominantemente agrário, com taxas de crescimento bem menores e abrigando ainda a maior parte da população. Se o crescimento anual médio da China foi de 9,5% nesses 27 anos, nas zonas costeiras – que, por si só, são maiores do que Japão e Coréia somados -, a taxa atingiu cerca de 15% a.a., muito acima do ritmo de crescimento de qualquer outro país durante um período tão longo.

Como explicar, então, o extraordinário crescimento da economia e da competitividade chinesa? A complexidade da resposta parece proporcional ao tamanho da sua economia. Basta lembrar que há 25 anos a China apenas começava a sair de um longo período de semi-estagnação para que se tenha a real dimensão das transformações pelas quais o país passou nesse período. Portanto, diversas causas devem ter contribuído de maneira decisiva para o seu desenvolvimento.

Clique aqui para ler o artigo na íntegra

Texto para Discussão do IPEA nº 1333, abril de 2008.

Por: Marcelo Braga Nonnenberg*

       Paulo Mansur Levy*

       Fernanda De Negri**

       Katarina Pereira da Costa***

* Pesquisadores da Diretoria de Estudos Macroeconômicos do Ipea.

** Pesquisadora da Diretoria de Estudos Setoriais do Ipea.

*** Economista e assistente de pesquisa do Programa Nacional de Pesquisa Econômica (PNPE)/Ipea.

 

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