Blog do Desemprego Zero

Petróleo de Carioca: o que dizem Haroldo Lima e a World Oil

Posted by Beatriz Diniz em 16 abril, 2008

“Se os especialistas dos Estados Unidos já tinham acesso às informações, não havia por que os brasileiros não saberem.”

Por Luciana Sergeiro

Publicado em: VERMELHO

O diretor-geral da Agência Nacional do Petróleo (ANP), Haroldo Lima, teve um dia cheio em Brasília nesta terça-feira (15). À noite, depois de uma entrevista para a TV Globo, ele falou ao Vermelho sobre as perspectivas da prospecção de petróleo no Brasil e a leitura que a imprensa fez de sua menção ao campo de Carioca-Pão de Açúcar. Para Haroldo Lima, se os especialistas dos Estados Unidos já tinham acesso às informações, “não havia por que os brasileiros não saberem”.

Tendo em vista o tipo de cobertura que a imprensa fez do tema, este portal prefere transcrever as declarações do responsável pela ANP. Com a palavra Haroldo Lima:

“Hoje (terça-feira, 15) abriu-se a sessão da Comissão de Assuntos Econômicos do Senado, presidida pelo senador Aloísio Mercadante (PT-SP), em que eu falaria, assim como diretores da Petrobras e do IBGE. Antes da audiência, o senador Francisco Dornelles (PP-RJ), depois de fazer elogios à minha trajetória, questionou o meu comportamento conforme o noticiário dos jornais do dia, em especial O Globo. Mercadante passou-me então a palavra.”

“Nenhum anúncio de nenhuma descoberta”

“Esclareci aos senadores que não houve nenhum anúncio de nenhum tipo de descoberta. Fui convidado (na segunda-feira, 14) por um grupo de pesquisadores da Fundação Getúlio Vargas para falar sobre as perspectivas alvissareiras do Brasil no campo do petróleo. Citei as descobertas dos campos de Tupi. Falei do campo de Júpiter. E disse que havia expectativas no exterior de descoberta de um campo de 33 bilhões de barris, o terceiro maior do mundo e o maior já anunciado nos últimos 30 anos, cinco vezes maior que o campo de Tupi.”

“Esses dados foram recolhidos da revista World Oil de fevereiro de 2008. Já tinham sido repercutidos por outros órgãos internacionais e pela Agência Estado. Se os setores especializados dos Estados Unidos já tinham acesso às informações, não havia por que os brasileiros não saberem…”
“O senador Dornelles deu-se por satisfeito com minha resposta. Em seguida o senador Marcelo Crivella (PRB-RJ) elogiou a resposta. Os senadores Flexa Ribeiro (PSDB-PA), Jaime Campos (DEM-MT), Renato Casagrande (PSB-ES), Inácio Arruda (PCdoB-CE), todos reforçaram a resposta.”

“Dornelles procurou-me depois para dizer que pediu as explicações justamente para me dar a oportunidade de responder. Conversei também com o ministro Edson Lobão (Minas e Energia), que se declarou satisfeito com as explicações cabais.”

Um viés na “imprensa predominante”

Fontes ligadas à ANP avaliam que existe um viés, na imprensa predominante no Brasil de hoje, para se preocupar mais com os detalhes, vamos dizer, sórdidos, dos acontecimentos. Diante da indicação de que pode haver mais um grande campo na Bacia de Santos, observam essas fontes, a mídia se ocupou prioritariamente de saber se isso foi uma manobra para influir na bolsa.

“Eu não estava nem me preocupando com a bolsa”, comenta Haroldo. Ele adianta que “a Petrobras não confirmou a expectativa, como não poderia confirmar, porque precisa primeiro fazer dois ou três perfurações, que aliás são caríssimas. Assim como a revista (World Oil) não confirmou. E nem eu. São projeções”, observa.

O que diz a revista americana

A  revista mensal World Oil, publicada há 90 anos em Huston, Texas, diz que sua equipe mantém “uma visão compartilhada, de oferecer conteúdo editorial superior sobre o mundo do petróleo”. O artigo mencionado, Três supergigantescos campos descobertos na plataforma brasileira, é do editor colaborador Arthur Berman, ilustrado por um mapa (extraído do site da Petrobras; ver abaixo), um diagrama e um gráfico. Pode ser consultado no endereço http://www.worldoil.com/magazine/MAGAZINE_DETAIL.asp?ART_ID=3450&MONTH_YEAR=Feb-2008.

“A petrobras anunciou recentemente três supergigantescos campos de petróleo na plataforma continental da Bacia de Campos. A companhia confirmou a descoberta de Tupi, no Bloco BM-S-11, em 8 de novembro de 2007 e afirmou que ele tem preservas recuperáveis prováveis entre 5 e 8 bilhões de barris de petróleo leve. Agora parece que outro campo petrolífero, possivelmente maior, batizado Carioca-Pão de Açúcar, foi descoberto 50 milhas (80 km) a oeste de Tupi. Uma terceira descoberta, o poço de Júpiter, foi anunciada em 21 de janeiro”, escreveu Berman.

Terceiro campo depois de Ghawar e Burgan?

O artigo detalha as prospecções feitas na Bacia de Santos, sua localização e profundidade, a possível extensão do campo, quais os blocos de exploração que compreende, assim como as características do petróleo já descoberto. E prossegue:

“Caso as informações sobre o tamanho potencial da estrutura de Carioca-Pão de Açúcar comprovem a estimativa de 33 bilhões de barris de petróleo (entre 25 e 40 bilhões), e as reservas estimadas de Tupi e Júpiter sendo avaliadas em 6,5 bilhões de barris cada um (entre 5 e 8 bilhões), o bolo de Carioca-Pão de Açúcar seria o terceiro maior campo de petróleo do mundo”, diz a revista. O primeiro, segundo o gráfico que ilustra a matéria, é o de Ghawar, na Arábia Saudita (65,1 bilhões de barris) e o segundo o de Greater Burgan, no Kuwait (46 bilhões). No mesmo gráfico, Tupi e Júpiter figuram em 43º e 44º lugares.

“Isto seria também o maior campo descoberto nos últimos 30 anos, enquanto Tupi e Júpiter figurariam como a sexta maior descoberta no mesmo período. Para efeito de comparação, Prudhoe Bay é o maior campo nos Estados Unidos, com 15,2 bilhões de barris de petróleo recuperável, e East Texas Field é o segundo, com 5,4 bilhões de barris”, afirma ainda a revista.

O último parágrafo manifesta a opinião do autor, inquieto com a possível retirada de blocos-chave da nona rodada de leilões da ANP, que ele julga, “talvez”, o tipo de “nacionalismo que alguns previram devido ao declínio das reservas mundiais de petróleo”. Mas ele conclui com o que considera a “real mensagem dessas descobertas”: “que não devemos perder de vista as bacias potenciais ainda desconhecidas, mas possivelmente grandes, que com freqüência são de exclusivo domínio de empresas petrolíferas nacionais”.

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