Blog do Desemprego Zero

A crise global, o Brasil e os modelos mentais

Posted by Beatriz Diniz em 17 abril, 2008

“A crise deixou de ser americana para ser global…”

Por: Luciana Sergeiro

Publicado em: Gazeta Mercantil

Por: Rodrigo da Rocha Loures

É prioritário evitar o risco de recaída para um quadro de vulnerabilidade do lado externo.

A crise internacional entrou em nova fase desde março. Deixou de ser de liquidez para ser de solvência. Deixou de ser americana para ser global. A auto-regulação dos mercados não está funcionando mais. A intervenção do Estado se fez necessária.

A injeção de liquidez realizada por diversos bancos centrais no sistema foi suficiente para acalmar o mercado financeiro mundial no curto prazo, mas não vai resolver os problemas estruturais das economias norte-americana e mundial, cuja dinâmica vem se acentuando.

Problemas de profundidade – turbulência e inflação internacional em franca expansão – estão exigindo mais do que as usuais mudanças de estratégia para correção de rumos. Estão implicando numa revisão de pressupostos, numa mudança do modelo mental e de governança econômica subjacente à ação das autoridades econômicas.

Momentos de crises são oportunidades para mudar paradigmas. Neles, os grandes estadistas fazem a diferença. É possível ingressar num ciclo virtuoso de crescimento e mudança estrutural que dure meio século, como fez Getúlio Vargas nos anos de 1930. Ou se pode levar o País à semi-estagnação por 25 anos, como se deu na década de 1970, em decorrência do receituário equivocado dos assessores do presidente Geisel para enfrentar o mundo pós-Bretton Woods que estava nascendo.

A economia mundial e a economia brasileira mudaram. O mundo ficou mais complexo e descentralizado neste século. Hoje, temos novos atores na arena internacional e uma nova moeda forte supranacional, o euro.

O Brasil está bem posicionado em termos energéticos e superou alguns antigos desafios. Isso nos permite afirmar que podemos avançar com uma nova estratégia de desenvolvimento sustentável, muito mais ousada que a do passado recente.

O pressuposto necessário para esta travessia é a necessidade de olhar para o atual cenário mundial com novos olhos. No entanto, a preocupação do Banco Central (BC) brasileiro permanece exclusivamente no combate à inflação. O problema é que a alta de preços, como tudo indica, é cada vez mais determinada por fatores exógenos, nos quais o BC tem pouco controle.

A globalização é um fenômeno inescapável. Nada subsiste descolado, tudo está em conexão. É impossível avaliar todas as conseqüências deste novo cenário internacional para a economia brasileira. Precisamos nitidamente de uma nova atitude e método. Devemos sair da passividade e ingressar na interatividade. É urgente desenvolver competências para organizar um “think tank” capaz de entender e pilotar a inserção do Brasil no novo estágio da economia global. Nós empresários temos certamente que nos organizar para participar ativamente deste processo.

A história é particular, mas a economia é geral, dizem os economistas. Se olharmos a própria história do país, é sensato perceber que modelos econômicos baseados apenas no comportamento da economia local não resolvem nossos desafios. Neste cenário de acelerada deterioração das contas externas e aceleração da demanda agregada a prioridade absoluta deve ser a de nos prevenir quanto ao risco de recaída para um quadro de vulnerabilidade externa.

Todos os sinais indicam que precisamos adotar um novo mix de política econômica, centrado nos seguintes pontos.

a) Uma política anticíclica fiscal de redução dos gastos correntes do governo, para evitar uma pressão maior na demanda agregada e possibilitar o crescimento do investimento público em infra-estrutura;

b) Redução firme e gradual da Selic, para diminuir o diferencial de juros real do Brasil com os principais parceiros no curto prazo.

c) Acelerar as compras de dólares e de outras moedas fortes e d) uma política industrial com prioridade para a inovação e comércio exterior.

Esta nova combinação de política econômica poderia conter, de um lado, a aceleração da demanda agregada o suficiente para evitar o crescimento do PIB efetivo acima do PIB potencial. De outro lado, permitiria que as exportações de manufaturados crescessem a uma velocidade compatível com as importações, evitando assim o aumento explosivo do déficit em transações correntes.
Mais do que resolver problemas de curto prazo, este conjunto de medidas aponta uma nova forma de nos inserir na economia mundial.

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