Blog do Desemprego Zero

Inflação sobe, com ou sem alimentos

Posted by Beatriz Diniz em 18 abril, 2008

A inflação assusta…

Por Katia Alves

Publicado no: Valor

Por Cristiano Romero

Uma análise acurada do IPCA em março mostra que, mesmo retirando do índice itens que têm pressionado o custo de vida, como os alimentos, a inflação vem mostrando tendência de alta desde o segundo semestre de 2007. O bom comportamento dos preços administrados, por sua vez, tem ajudado a segurá-la. Mesmo com a alta do petróleo no mercado internacional, o preço da gasolina não tem subido no Brasil. Tarifas de energia, mesmo com o aumento do custo de geração graças ao uso de termelétricas, estão diminuindo de preço para consumidores residenciais.

Não é razoável esperar que os preços administrados continuem a dar, em 2009, a contribuição que deram em 2007 e estão dando agora. Não se sabe, também, até onde vai o atual ciclo de alta dos preços dos alimentos. O fenômeno não diz respeito somente à entressafra no Brasil; é internacional. Há milhões de novos consumidores no mundo e isso está pressionando os preços.

Em março, o IPCA acumulado em 12 meses chegou a 4,73%, acima, portanto, da meta de 4,5% perseguida pelo Banco Central (BC) e bem superior aos resultados alcançados em 2006 (3,14%) e 2007 (4,46%). Nos próximos meses, deve romper a barreira dos 5%, embora não haja ninguém prevendo uma explosão acima disso.

Quando se exclui o item feijão do IPCA de 12 meses apurado até março, o índice cai para 4,34%, mas segue bem acima dos percentuais apurados em 2006 e 2007, excluindo-se igualmente esse item do cálculo – respectivamente, 3,2% e 4,17%. Excluídos feijão e leite, o IPCA cai a 4,07%, face a 3,25% e 3,88% dos dois anos anteriores. Retire-se do cálculo também a carne. A inflação apurada diminui para 3,76%, mas ainda fica acima da registrada em 2006 (3,42%) e 2007 (3,55%), feita a mesma exclusão.

A exclusão do grupo alimentação e bebidas faz o IPCA reduzir-se de 4,73% para 3,02%.

Núcleo do IPCA está em alta desde junho

Fazendo o mesmo em relação à inflação passada, o índice diminui para 2,83% em 2007, o que confirma tendência de alta agora, e aumenta para 3,51% em 2006. É importante olhar também para os itens que têm pressionado a inflação para baixo para saber se, mais adiante, a tendência será eles continuarem ajudando a moderar o custo de vida.

Quando se excluem as cinco principais contribuições de queda do IPCA de 12 meses até março – açúcar cristal, açúcar refinado, seguro voluntário de veículo, microcomputador e energia elétrica residencial -, a inflação aumenta para 5,27%. Retirando-se, além desse grupo, as variações de preços de tomate, televisor, aparelho de telefone, máquina de lavar e gasolina, que completam com aqueles os dez itens que mais contribuíram para derrubar a inflação, o IPCA vai a 5,85%. Nos dois casos, os resultados superam com folga o que aconteceu nos últimos dois anos, feitas as mesmas exclusões – 3,44% em 2006 e 5,64% no ano seguinte.

A mesma trajetória de crescimento é observada nos núcleos da inflação. Como se sabe, o objetivo de se trabalhar com núcleos é justamente excluir movimentos temporários do IPCA, com o objetivo de evidenciar a tendência de inflação. Um dos núcleos analisados, o de exclusão, é calculado por meio da retirada dos preços administrados e de alimentos do índice. Os números mostram que a inflação está se acelerando desde meados de 2007.

Em junho do último ano, o núcleo de exclusão do IPCA acumulado em 12 meses estava em 3,42%. Em dezembro, ele pulou para 4,11%. No mês passado, foi a 4,41%. Quando se anualizam os principais índices de inflação apurados no primeiro trimestre do ano, comparando-os com o do primeiro trimestre de 2007, a cara da inflação mete ainda mais medo (ver tabela).

Em maio do ano passado, quando técnicos do governo debatiam a escolha da meta de inflação para 2009, o BC já havia detectado forte pressão nos preços dos alimentos, iniciada no início daquele ano. Por isso, defendeu que a meta fosse reduzida para 4,25% ou 4%. Seria uma forma de sinalizar ao mercado que o processo de desinflação continuaria nos anos seguintes.

A meta menor, professou o BC nas discussões internas, seria perseguida sem custo monetário adicional. Havia espaço, em 2007 e 2008, para acomodação de um possível choque de preços dos alimentos, uma vez que a inflação de 2006 tinha caído a 3,1%. Tratava-se de um caso típico de administração de expectativas. Numa disputa de caráter inteiramente político, os “desenvolvimentistas” do governo pegaram em armas para defender a manutenção da meta em 4,5%, afirmando que um patamar menor faria o BC reduzir a taxa de expansão do PIB.

O grupo venceu a briga, obtendo sua primeira “vitória” no segundo mandato de Lula. Mais adiante, quando a inflação de alimentos se tornou evidente, os “desenvolvimentistas” se gabaram de ter lutado pela inflação maior, tornando-se profetas do acontecido. O episódio revelou desconhecimento de como funciona o regime de metas, além da péssima convivência de setores do governo Lula com a política econômica herdada de FHC. O presidente, claro, é uma exceção. Ele tomou para si essa política e com ela montou a base de seu sucesso político. Mas, enquanto estiver no poder, assistirá a ofensivas de ministros e assessores contra ela.

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