Blog do Desemprego Zero

Malan eleva o tom

Posted by Beatriz Diniz em 18 abril, 2008

“De acordo com Malan, o país só conseguirá crescer a taxas elevadas e sustentáveis se colocar as reformas na ordem do dia.”

Por Luciana Sergeiro

Publicado em: Revista Época (restrito a assinantes)

Por: José Fucs

O ex-ministro da Fazenda critica a paralisação das reformas e diz que, sem elas, o Brasil não anda

O ex-ministro da fazenda Pedro Malan, que comandou a economia do país durante os dois governos de Fernando Henrique Cardoso (1995-2002), costuma ser discreto em suas manifestações. Desde que deixou o cargo, quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tomou posse, em janeiro de 2003, são raras suas entrevistas. Malan, hoje presidente do Conselho de Administração do Unibanco, também costuma ser econômico em suas críticas ao atual governo. Durante o 21° Fórum da Liberdade, realizado em Porto Alegre, Rio Grande do Sul, na semana passada, porém, ele parece ter mudado de tom. Malan fez críticas à total paralisação das reformas econômicas no atual governo.

De acordo com Malan, o país só conseguirá crescer a taxas elevadas e sustentáveis, com a rapidez necessária para enfrentar a competição cada vez mais acirrada no cenário global, se colocar as reformas na ordem do dia. “As reformas são importantes para aumentar a eficiência, a produtividade e a competitividade do país”, afirmou. “É disso que depende, em última instância, o desenvolvimento econômico, social, tecnológico e cultural. Poderemos dar um grande passo se conseguirmos mostrar que elas não são importantes por si mesmas.” Mas Malan se mostrou cético em relação à possibilidade de que isso possa ocorrer no atual governo. “No Brasil, é preciso que as coisas se deteriorem para que as forças políticas se mobilizem. É nossa forma de lidar com os problemas”, disse.

O Fórum da Liberdade, evento promovido pelo Instituto de Estudos Empresariais (IEE), reuniu empresários, autoridades e especialistas do exterior para debater o tema Agora, o Mercado É o Mundo (leia mais na coluna de Paulo Guedes). Diante dessa platéia, Malan clamou urgência nas três principais reformas: tributária, trabalhista e previdenciária.

Em relação à reforma tributária, ele afirmou que o texto hoje em discussão no Congresso, embora seja um passo na direção correta, ainda é tímido. Principalmente se levarmos em conta que no Brasil – dono de uma das mais altas cargas tributárias do mundo, na faixa de 35% do Produto Interno Bruto (PIB) – os gastos do governo federal crescem num ritmo duas vezes mais rápido que o PIB.

Sobre a reforma trabalhista, Malan disse que o engessamento das relações de trabalho deixa a economia brasileira em desvantagem em relação à de seus principais competidores globais, que oferecem mais flexibilidade para contratação e dispensa de mão-de-obra. “No Brasil, há uma diferença enorme entre o salário recebido pelo trabalhador e o custo efetivo da mão-de-obra”, afirmou. Nesse campo, o país está vivendo, em sua visão, um “retrocesso”. Malan disse duvidar que algo possa acontecer na área até as eleições presidenciais, no fim de 2009.

No caso da reforma da Previdência, Malan disse que o tema terá de ser encarado cedo ou tarde. De acordo com ele, só os países com mais de 10% da população com idade acima de 65 anos gastam mais de 10% do PIB com aposentadorias e pensões. O Brasil é o único em que os gastos nesse quesito alcançam 13% do PIB, embora a população com mais de 65 anos represente só 7% do total. É um gasto per capita equivalente a 22 vezes mais que os gastos realizados com a educação fundamental. “Acho que vai ser difícil mexer com a Previdência em ano de eleições municipais.” Malan sempre foi um otimista em relação ao país. Seu discurso, hoje mais cauteloso, continua merecendo atenção.

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