Blog do Desemprego Zero

O marajá que não descansa

Posted by Beatriz Diniz em 18 abril, 2008

“Com uma fortuna pessoal de US$ 1,2 bilhão, Mallya é chamado na Índia de rei da boa vida”

Por Luciana Sergeiro

Publicado em: Revista Época

Por: José Fucs

Dono de negócios que vão da cerveja à Fórmula 1, o empresário – e playboy – Vijay Mallya é um símbolo do novo capitalismo indiano

Ele é um dos empreendedores mais bem-sucedidos da nova Índia, o gigante asiático que despertou no início dos anos 90, com a liberalização da economia, e se tornou um dos países que mais crescem no planeta. Em 25 anos, conseguiu transformar o grupo empresarial de médio porte que herdou do pai, morto em 1983, num império multinacional. Hoje, o UB Group, a holding que reúne suas empresas – batizada com as iniciais de sua cervejaria, a United Breweries -, é um dos 20 maiores conglomerados indianos, com presença em ramos que vão das bebidas à aviação, da construção civil à tecnologia. Em 2007, o faturamento total alcançou US$ 2 bilhões, 12 vezes o valor de quando ele assumiu o comando, com apenas 28 anos. E o valor de mercado, calculado com base na cotação dos papéis de suas empresas na Bolsa de Mumbai (ex-Bombaim), já supera US$ 3,5 bilhões. Mas foi por seu espírito inquieto e por sua personalidade controvertida que o empresário indiano Vijay Mallya, de 52 anos, se tornou conhecido pelo mundo.

Com uma fortuna pessoal de US$ 1,2 bilhão – a 962a na lista dos mais ricos do mundo da revista Forbes -, Mallya é chamado na Índia de “rei da boa vida”. Gosta de boas festas e sabe como fazê-las acontecer. Em maio do ano passado, logo depois de comprar a destilaria escocesa Whyte & Mackay por US$ 1,2 bilhão, Mallya foi o anfitrião de um evento memorável a bordo de seu iate de 312 pés (95 metros), batizado como Indian Empress (imperadora indiana), ancorado na Riviera Francesa. Entre os 300 convidados, estavam figuras aparentemente incompatíveis, como o rei do aço indiano, Lakshimi Mittal, e o rapper americano Jay-Z. Como a festa aconteceu na época da corrida de Fórmula 1 em Mônaco, o italiano Flavio Briatore, chefe da escuderia Renault, e Bernie Ecclestone, o principal executivo da categoria, também estavam presentes. Um DJ trazido da Índia tocava temas indianos. O vinho servido fartamente durante toda a noite veio de um vinhedo do Vale do Loire que Mallya comprara em 2006. “Quando eu comecei, as pessoas não aceitavam meu jeito de ser. Muita gente dizia que eu era um playboy extravagante e que quebraria a empresa do meu pai. A vida era difícil, porque as pessoas me criticavam e me questionavam, mesmo que eu tentasse fazer o melhor”, disse Mallya a ÉPOCA. “Mas o tempo mostrou que elas estavam completamente erradas. Hoje, as ações das empresas do grupo têm um dos melhores desempenhos na Bolsa de Valores e, de certa forma, me sinto vingado”.

A grande tacada de Mallya, que acabou por lhe abrir o caminho para a prosperidade, foi a compra da Berger Paints, uma fábrica de tintas indiana, em 1988. Ele conta que 100% do capital usado para comprar a empresa veio de um empréstimo que obteve em Londres. Em 1996, depois de abrir o capital da empresa, vendeu-a com lucro de US$ 70 milhões, ou 70% do patrimônio herdado do pai. Depois disso, ganhou confiança e não parou mais de crescer. “Disse para minha mãe que esse dinheiro era meu e que, se eu quisesse comprar uma Ferrari ou um avião, ninguém tinha nada a ver com isso.”

Mallya se tornou conhecido como o Richard Branson da Índia. Assim como Branson, fundador e principal acionista do grupo britânico Virgin, Mallya é dono de uma empresa aérea de alto padrão, a Kingfisher Airlines, que leva o nome de sua cerveja mais conhecida. Como na Índia é proibido fazer publicidade de bebidas alcoólicas, Mallya decidiu batizar a empresa aérea com o nome da cerveja para poder colocar seu logotipo no leme de todos os seus aviões. Todas as vezes que a empresa compra um novo jato, Mallya, que se diz um hindu praticante, leva-o até o templo da cidade de Tirupati, no extremo sul da Índia, para ser abençoado antes de iniciar os vôos comerciais. Fez o mesmo com o Airbus Corporate Jet, o jato particular com que se desloca pelo mundo. “Os indianos são muito religiosos”, afirma.

Como Branson, que já atravessou o Oceano Pacífico num balão, Mallya também gosta de aventuras. No fim dos anos 70, arriscou-se como piloto de Fórmula 1 e, no ano passado, tornou-se sócio da Spyker, pequena equipe da categoria criada em 2007 e hoje rebatizada de Force Índia. Agora, quer levar o circo da Fórmula 1 para a Índia. Mallya se diz um admirador dos pilotos brasileiros do circuito. No ano passado, esteve pela segunda vez no Brasil. Veio acompanhar a corrida de Interlagos e depois foi passar dois dias no Rio de Janeiro para descansar. “O Brasil produziu um número incrível de pilotos de classe mundial”, afirma. “O Ayrton Senna foi especial, eu o vi correr várias vezes, mas o Nelson Piquet, o Rubens Barrichello e o Felipe Massa também são grandes pilotos”.

As semelhanças com Branson, porém, param por aí. Ao contrário do empreendedor britânico, que faz o tipo descolado, Mallya tem um estilo que seria considerado por muitos como cafona. Parece não ter nenhum constrangimento de expor sua riqueza. Usa brincos de diamante, uma pulseira de ouro com suas iniciais cravadas com diamantes, anéis de pedras gigantes, um colar de pedras multicoloridas e um relógio Franck Muller com pulseira e fundo azuis. Além do Indian Empress e de seu Airbus, Mallya tem mais dois aviões, entre eles um Boeing 727 personalizado, e mais dois iates, incluindo o Kalizma, de 165 pés, que pertenceu ao ator britânico Richard Burton. É dono também de uma coleção de 42 imóveis de uso próprio, um dos quais em Sausalito, na Califórnia, Estados Unidos, e de uma coleção de 250 carros antigos, que inclui Jaguares, Ferraris e um Rolls-Royce Silver Ghost 1913. Diz que acha meio chato ler e assistir a filmes. Acaba sempre dormindo. “Meus hábitos e meu espírito continuam jovens”, diz. “Eu sempre fui assim”.

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