Blog do Desemprego Zero

Previdência privada: classe C paga R$ 20 por mês e é um terço do mercado

Posted by Beatriz Diniz em 19 abril, 2008

Paulo Henrique Amorim entrevistou o presidente da Federação Nacional de Previdência Privada (Fenaprevi) e eles conversaram sobre o crescimento expressivo de quase 30% que este mercado apresentou no primeiro bimestre deste ano, sobre suas elevadas cifras e também sobre o público que tem alcançado, entre outras importantes questões que envolvem este mercado emergente e lucrativo…

*Por Elizabeth Cardoso

Publicado originalmente no Conversa Afiada, do Paulo Henrique Amorim

Por Paulo Henrique Amorim

O mercado de previdência privada cresceu 28,25% no primeiro bimestre deste ano. O total captado passou de R$ 3,8 bilhões para R$ 4,9 bilhões. O saldo dos ativos do sistema de previdência privada do Brasil é de R$ 122 bilhões.

O presidente da Fenaprevi (Federação Nacional de Previdência Privada e Vida) Antônio Cássio dos Santos disse em entrevista a Paulo Henrique Amorim nesta sexta-feira, dia 18, que cresce o número de pessoas da classe C que compram planos de previdência privada (VGBL).

“Na medida em que os operadores passaram a aceitar, com o advento do VGBL, planos de previdência com tickets que chegam até R$ 20, ou seja, abaixo de R$ 50 por mês de poupança”, disse Antônio Cássio.

Segundo Antônio Cássio, o número de pessoas da classe C – com renda entre 2 e 3 salários por mês – que compram previdência privada representa um terço do sistema. Antônio Cássio disse que a estabilidade econômica é um dos fatores que contribuem para o crescimento da previdência privada no Brasil.

Os recursos da previdência privada são direcionados cada vez mais para o investimento em renda variável. Antônio Cássio disse que cerca de 15% dos R$ 122 bilhões do sistema estão aplicados em renda variável, na Bolsa de Valores. Os outro 85% estão aplicados em fundos de renda fixa, principalmente títulos do Governo.

“Ele vem crescendo. Ou seja, na medida em que os clientes passam a ter uma maior percepção de que a Bolsa é uma alternativa, é uma oportunidade para obter rendimentos superiores numa visão de longo prazo, aliás, a Bolsa é o melhor rendimento de longo prazo, na medida em que essa percepção aumenta, aumenta o pedido e nós operadores temos que nos preparar para mover nessa linha”, disse Antônio Cássio.

Leia a íntegra da entrevista com Antônio Cássio dos Santos:

Paulo Henrique Amorim – A indústria de previdência privada no Brasil cresceu 28% nos dois primeiros meses de 2008, com um total de ativos de R$ 4,9 bilhões. Era de R$ 3,8 bilhões. Eu vou conversar agora com o Antônio Cássio dos Santos, que é presidente do grupo Mapfre do Brasil e presidente da Fenaprevi, que é a federação que reúne as empresas de previdência e vida. Antônio Cássio, como você explica esse crescimento expressivo de 28% nesses dois primeiros meses de 2008?

Antônio Cássio dos Santos – Esse crescimento se deve a quatro fatores básicos. O primeiro deles é a necessidade cada vez mais premente na cabeça das pessoas de que a Previdência Social não será, talvez não seja, suficiente para manter os rendimentos da pessoa na fase pós laboral. Então, toda vez que a imprensa fala sobre esse assunto, automaticamente desperta essa necessidade. O segundo fator é a estabilidade econômica que o país vive nos últimos 14 anos. Então, esse fator permitiu com que as famílias pudessem ter um planejamento mais sustentado. Terceiro fator: naturalmente o benefício tributário, ou seja, as pessoas passaram a se preocupar mais com a questão tributária. E o quarto que é subliminar, que é o aumento da longevidade. Ainda que não tenhamos consciência todos nós, nós sabemos que existe uma tendência de vivermos mais do que os nossos pais e eles mais do que os nossos avós e esses, portanto, mais do que os nossos bisavós. Esses fatores são os fatores estruturais desse crescimento. No curto prazo, o que a gente observa? Observa uma maior consciência da classe média, no que diz respeito à poupança de longo prazo para a fase pós laboral e a inserção de uma grande nova classe média, que começa a comprar previdência de baixo ticket. Na medida em que os operadores passaram a aceitar, com o advento do VGBL, planos de previdência com tickets que chegam até R$ 20, ou seja, abaixo de R$ 50 por mês de poupança…

Paulo Henrique Amorim – R$ 20 por mês?

Antônio Cássio dos Santos – É. Então, com isso, automaticamente nós trouxemos para dentro do sistema milhões de pessoas que têm a mesma necessidade, mas que achavam que previdência seria uma coisa muito distante.

Paulo Henrique Amorim – E esse comprador de VGBL a R$ 20 deve ter uma renda aproximada de quanto mensal?

Antônio Cássio dos Santos – Ele tem uma renda aproximada entre dois e três salários mínimos.

Paulo Henrique Amorim – Quantos por cento é essa fatia do mercado comprador de VGBL?

Antônio Cássio dos Santos – Nesse momento nós estamos tentando desdobrar, mas em quantidade de pessoas, provavelmente, ele já represente algo em torno de um terço do mercado. Em quantidade de pessoas, em volume de arrecadação não, em função do ticket.

Paulo Henrique Amorim – E quando você fala que a maior consciência da classe média, você está falando de um ticket mais alto, não é isso?

Antônio Cássio dos Santos – É. Esse já é o tradicional comprador de previdência.

Paulo Henrique Amorim – Quem é?

Antônio Cássio dos Santos – É a classe B e a classe C+. Na medida em que existe uma… teoricamente seriam as classes afluentes. Na medida em que nós temos um deslocamento da base da pirâmide. Ou seja, na verdade a nossa pirâmide vai sendo cada vez menos pirâmide.

Paulo Henrique Amorim – Isso.

Antônio Cássio dos Santos – Nós vamos sendo um…

Paulo Henrique Amorim – Vai ficando mais retangular…

Antônio Cássio dos Santos – É. Na medida em que isso ocorre, ou seja, partindo do pressuposto que a necessidade que tem uma família mais resolvida financeiramente, ela se exacerba, numa classe mais popular, e concomitantemente a possibilidade de entrar num sistema de previdência com baixo ticket mensal, com uma contribuição mensal de baixo ticket, nós temos aí eu efeito mágico e estupendo, ou seja, faz com que o mercado se desenvolva atraindo para dentro do sistema pessoas que nós imaginávamos que num primeiro momento viessem.

Paulo Henrique Amorim – Qual é a idade média do comprador de VGBL?

Antônio Cássio dos Santos – O comprador de VGBL tem 34 anos de idade média.

Paulo Henrique Amorim – E quanto era a um, dois anos atrás?

Antônio Cássio dos Santos – Se a gente voltar sete anos atrás, nós estamos falando de 43 anos.

Paulo Henrique Amorim – Paulo Henrique Amorim – Puxa vida, quer dizer que a consciência está chegando mais cedo.

Antônio Cássio dos Santos – É, e o VGBL vem sendo utilizado também, a Previdência vem sendo utilizada para qualquer processo de poupança de longo prazo. Então, vamos imaginar, eu tenho que planejar a escola dos meus filhos. Então, a Previdência passa a ser um instrumento natural para planejar isso, porque eu posso poupar para dez, vinte anos. Isso que está suscitando no mercado, hoje nós temos um trabalho conjunto com o Governo para formar duas novas famílias de produtos, que seria o PrevSaúde e o PrevEducação. O que seria o PrevSaúde? É um produto de baixo ticket, uma Previdência específica, exclusiva para custear planos de saúde ou despesas médicas na fase pós laboral.

Paulo Henrique Amorim – Quando o peso da saúde é maior…

Antônio Cássio dos Santos – É, e que ele seja totalmente desonerado porque na medida em que encontramos esse produto e esse produto se desenvolva no mercado, o Governo, a sociedade, terá que se preocupar menos com os custeios de saúde para as pessoas numa fase pós-laboral.

Paulo Henrique Amorim – E o que é o PrevEducação?

Antônio Cássio dos Santos – Vai na mesma linha: é uma Previdência de fim específico para custear despesas de educação. Então, o pai, o padrinho, o avô,m o tio, as empresas poderiam comprar planos para que quando o filho, a criança chegasse na maior idade ela tivesse recursos para, por exemplo, fazer a faculdade. E também seria um plano com fins específicos, uma vez investido na educação, eles seriam desonerados.

Paulo Henrique Amorim – Agora, Antonio Carlos, não querendo explorar você na hora de sair para o feriadão, me conta uma coisa, e esse dinheiro, os R$ 4,9 bilhões…

Antônio Cássio dos Santos – É a arrecadação do bimestre. É o novo dinheiro que entrou no sistema.

Paulo Henrique Amorim – E o saldo dos ativos do sistema, qual é?

Antônio Cássio dos Santos – R$ 122 bilhões.

Paulo Henrique Amorim – Que maravilha. E esse dinheiro está aplicado como?

Antônio Cássio dos Santos – Está aplicado em títulos de renda fixa, em grande parte títulos do governo, ou seja, a Previdência já começa a ser um fator de financiamento sustentável para as finanças do país. E também nós começamos um processo nesse último ano em especial, com o advento do mercado de capitais, de pouco a pouco ir inserindo nos fundos a renda variável.

Paulo Henrique Amorim – Como é que você divide essa pizza entre títulos do governo e renda variável?

Antônio Cássio dos Santos – No total dos fundos, somando toda a Previdência, eu poderia ser mais preciso pedindo para a federação o dado, mas seriam 85% e 15% (respectivamente).

Paulo Henrique Amorim – Agora, estamos falando de 15% de R$ 122 bilhões. Estamos falando de alguma coisa perto de R$ 15 bilhões. É muito dinheiro.

Antônio Cássio dos Santos – É, eu diria que é daí pra menos de renda variável.

Paulo Henrique Amorim – Isso é um dinheiro que entrou no mercado da Bolsa no último ano ou no ano passado vocês já tinha isso?

Antônio Cássio dos Santos – Não, ele vem crescendo. Ou seja, na medida em que os clientes passam a ter uma maior percepção de que a Bolsa é uma alternativa, é uma oportunidade para manter rendimentos superiores numa visão de longo prazo – e, aliás, a Bolsa é o melhor rendimento de longo prazo de qualquer mercado, inclusive nos emergentes -, à medida que essa percepção aumenta, aumenta o pedido e, naturalmente, nós temos que nos preparar…

Paulo Henrique Amorim – Estamos falando de um capitalismo cada vez mais maduro, não é isso?

Antônio Cássio dos Santos – É isso mesmo, é exatamente isso.

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