Blog do Desemprego Zero

A ordem criminosa do mundo – Parte 2

Posted by Beatriz Diniz em 20 abril, 2008

Segunda parte, de um total de quatro, do documentário produzido pela RTVE da Espanha, com o escritor e jornalista uruguaio Eduardo Galeano e o relator da ONU e sociólogo francês, Jean Ziegler.

Este documentário critica as implacáveis e desumanas formas de poder que tem se consolidado no mundo através das políticas e práticas imperialistas realizadas pelas potências mundiais em detrimento dos países e populações pobres, mas sempre a favor do capital financeiro. É uma ampla análise das inúmeras e profundas mazelas que assolam a humanidade. Através de suas colocações pungentes, Galeano e Ziegler examinam a nova ordem mortífera do mundo, que cada vez mais tem concentrado poder e riqueza na mão de uma pequena elite, a que controla o capital financeiro internacional, reservando para uma massa de milhões de pessoas apenas a miséria, a fome, o desemprego, enfim, a exclusão total. Uma nova ordem criminosa que destrói direitos; que desrespeita não apenas os direitos humanos, mas o próprio homem; que mata pessoas ao retirar-lhes mais que o alimento, o emprego, mas principalmente a dignidade e a esperança.

Nesta segunda parte, Galeano e Ziegler discorrem sobre o “capitalismo assassino”, que mata milhares de pessoas devido à fome crônica que assola os países pobres, expiatórios das políticas imperialistas e excludentes do capital financeiro. Eles tratam também sobre o pânico característico do nosso tempo, principalmente o pânico relacionado à perda do trabalho, o que tem tornado o trabalhador passivo diante das práticas exploratórias e da restrição de seus direitos.

*Por Elizabeth Cardoso

Duração: 10:36min

Idioma: Espanhol (sem legendas)

“Todos os dias neste planeta, segundo a FAO [Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação], 100 mil pessoas morrem de fome ou por causa de suas conseqüências imediatas. No ano passado, a cada 5 segundos, uma criança de menos de 10 anos morria de fome e ano passado também, 856 milhões de pessoas, 1 de cada 6, tinham permanecido mal nutridas de forma grave e permanente. As cifras indicam que a pirâmide de mártires aumenta e tudo isso se sucede em um planeta que, segundo a FAO, poderia alimentar em condições normais com 2700 calorias por dia, para um adulto normal, a 12 bilhões de seres humanos, e somos 6 bilhões, quer dizer, a quase o dobro da população atual, ou seja, que nesta matança cotidiana de fome não há fatalidade alguma.”

Jean Ziegler

“Eu não sei se em outras civilizações, se em outras etapas da história humana, as pessoas estavam tão presas ao medo como nós vivemos agora. Temos medo de tudo, todo o tempo. Não se pode fazer nada, é um gás paralisante de medo. O medo, creio, predominante, o que se sente mais na vida cotidiana, é o medo de perder o trabalho. É um típico pânico do nosso tempo, a insegurança laboral. O medo de não encontrar amanhã um posto na fábrica ou na oficina faz com que uma quantidade de direitos sindicais que se haviam tido ao longo de mais de dois séculos de lutas estejam agora correndo um grave perigo de morte, porque ninguém se anima a nada por medo, por pânico, da perda do trabalho que se tem. Os que não têm medo da perda do trabalho tem medo de não encontrá-lo, que é um medo muito semelhante. […] O pânico é o demônio que nos inventam para nos assustar. […] O trabalho hoje vale menos que lixo […] se trabalha cada vez mais em troca de menos, cada vez mais horas em troca de um salário menor. […] direitos conquistados em muitas batalhas difíceis ao longo do tempo, como o direito à sindicalização […] esse é um direito aniquilado pela máquina da morte do mundo de hoje, é uma máquina de exterminar direitos, que tem convertido o trabalhador em um mendigo, em um mendigo de emprego, em um mendigo de salário.”

Eduardo Galeano

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