Blog do Desemprego Zero

Scheinkman cobra mais transparência

Posted by Beatriz Diniz em 21 abril, 2008

Scheinkman questiona a eficácia dos modelos usados pelo BC para prever a inflação futura.

Por Luciana Sergeiro 

Publicado em: Valor Online (restrito a assinantes)

Por: Altamiro Silva Júnior 

Mais do que a alta de 0,50 ponto percentual na Selic, anunciada na noite de anteontem, o que mais surpreendeu foi a falta de sinalização do Banco Central de que a elevação seria desta magnitude, avalia o economista José Alexandre Scheinkman, professor da Universidade de Princeton. “Os BCs do mundo todo tendem a sinalizar ao máximo o que vão fazer. Aqui, não é isso o que acontece”, diz ele. “Fiquei surpreso com a surpresa (do mercado).” O consenso dos analistas era de que o BC elevaria o juro em 0,25 ponto. 

Em passagem pelo país, Scheinkman falou ao Valor e questionou a eficácia dos modelos usados pelo BC para prever a inflação futura. “Não sei quão bons são esses modelos. Os bancos centrais mundiais têm dificuldade de prever a inflação futura.” Para o economista, a inflação atual no Brasil não está em nível preocupante e ainda está dentro da meta. “Mas como o Banco Central leva em conta a inflação futura, é preciso saber o que o modelo está dizendo.” 

Para o economista, o BC também deveria levar em conta o impacto fiscal do aumento dos juros. “Um impacto fiscal negativo pode influenciar a inflação futura”, diz ele. A elevação da Selic para 11,75% ao ano vai aumentar em R$ 2,9 bilhões o pagamento do Tesouro com juros. 

Scheinkman argumenta que se houvesse uma política fiscal mais apertada do governo, “o aumento dos juros seria ainda menos justificado.” 

Scheinkman veio ao Brasil para participar de um seminário que vai discutir o futuro e os desafios do mercado de capitais, promovido pela Ibmec e pela Máquina Finance PR. A principal mensagem, segundo ele, é que o mercado de capitais, embora com algumas exceções, tem contribuído historicamente para financiar o crescimento econômico em diversos países. 

A crise do subprime, diz ele, deve ter impacto reduzido no mercado de crédito brasileiro, principalmente quando se considera os empréstimos ao setor privado. A razão é que o mercado brasileiro ainda é muito pequeno em relação ao Produto Interno Bruto (PIB), tanto quando é comparado com países desenvolvidos, quanto com países emergentes. “O Brasil é ainda pouco desenvolvido.” 

Já as aberturas de capital vão ser mais comprometidas, na medida que os principais compradores das ações das empresas brasileiras são os estrangeiros, agora mais avessos ao risco. Scheinkman avalia que o Brasil se destaca mundialmente pela iniciativa da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) de criar níveis diferenciados de governança corporativa. “Os investidores estão dispostos a pagar mais por estes papéis.” 

A participação da Bovespa saltou de 40% do PIB em 2000, quando os níveis de governança foram criados, para cerca de 100% atualmente. Além disso, 55% do valor de mercado da bolsa está nas empresas com práticas diferenciadas de governança. 

Sobre a crise do subprime, Scheinkman fala que os bancos estão passando por um momento de “desalavancagem”, de desdobramentos ainda incertos. Os dois principais movimentos dos bancos tem sido a busca por capital ou o corte de gastos.

Além de Scheinkman, o evento de hoje vai contar ainda com outro professor da Universidade de Princeton, o economista Harrison Hong, que vai falar da responsabilidade social das empresas. O evento será encerrado por Maria Helena Santana, presidente da Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

 

 

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