Blog do Desemprego Zero

Chineses cobram abertura maior de economias da América Latina

Posted by Beatriz Diniz em 22 abril, 2008

“(…) os chineses reclamaram, inclusive do Brasil, da dificuldade para negociar, de regras tributárias excessivas e complicadas, de problemas de infra-estrutura, corrupção

Por Katia Alves

Publicado na: Folha

Por Maria Cristina Frias

Banqueiro diz que há interesse de investir em obras como portos e rodovias

“A América Latina ainda não é tão aberta. A China se abriu para o comércio há 30 anos e se beneficiou muito da globalização”, afirmou ontem o presidente do China Construction Bank, Guo Shuqing, no segundo e último dia do Fórum Econômico Mundial, em sua edição latina, em Cancún, no México. “Interessa- nos participar da construção de portos, rodovias, entre outras obras”, disse Shuqing à Folha. “Não tenham muita expectativa em relação a investimentos da China”, recomendou o diretor do Instituto de Estudos Latino-Americanos, da Academia Chinesa de Estudos Sociais, Jiang Shixue. “Acham que a China tem muito para aplicar, mas está havendo excesso de expectativas.”

O vice-presidente do China Council for the Promotion of International Trade não poupou os anfitriões do evento: “As companhias mexicanas precisam ser mais agressivas do que otimistas”. “O boom sul-sul, entre China e América Latina, ainda está para ocorrer. Por que ainda não aconteceu?,” perguntou Javier Santiso, diretor da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), em Paris. Santiso mediou um dos painéis do Fórum, sobre o crescimento da China como maior exportador de capital. Por dois dias, o Fórum Econômico Mundial reuniu cerca de 500 participantes, de 40 países, em Cancún.

Uribe

A Colômbia tem feito a lição de casa, mas os investimentos não vêm crescendo na mesma proporção em que vêm sendo implementadas as mudanças, segundo Juan Mario Laserna, co-diretor do colombiano Banco da República. O país vem reduzindo índices de violência, simplificou regras tributárias e de criação e gestão de empresas, avanços reconhecidos pelo Banco Mundial em recente relatório.

O presidente colombiano, Álvaro Uribe, disse ontem no Fórum que o PIB (Produto Interno Bruto) do país tem aumentado em razão das reformas, mas que o crescimento, ainda que sustentável, é paulatino. Em 2003, o PIB colombiano cresceu 3,25%, e, em 2007, 7,5%. “Não é milagre, vêm crescendo a confiança e o investimento na Colômbia”, disse. “Do México à Patagônia, somos uma economia maior que a da China, há muita sinergia”, disse Laserna. Maior ou não, os chineses reclamaram, inclusive do Brasil, da dificuldade para negociar, de regras tributárias excessivas e complicadas, de problemas de infra-estrutura, corrupção -“um mal de que também sofremos na China”, reconheceu Shixue- e, “o mais importante”, segundo ele, a legislação do trabalho. “Nós também temos de fazer nossa parte”, acrescentou o especialista chinês em América Latina. “É como no casamento: o homem tem de fazer seu papel, e a mulher tem ser atraente e sexy.” “Queriam que tivéssemos a legislação deles?”, ironizou ao saber, já no corredor, um ex-membro do governo federal. O norte-americano Lorenzo Weisman, sócio da Hill Street Capital LLC, do setor financeiro, disse que não é possível falar de América Latina como um todo, mas, sim, dos diferentes países. “O Brasil é, de longe, o país que tem a visão mais avançada, mais de futuro, entre os latinos”, afirmou. Para Weisman, preços de commodities vão cair e, quando isso acontecer, o choque será enorme. Carlos Arruda, da Fundação Dom Cabral, em Belo Horizonte, disse que chineses estão reduzindo investimentos no Brasil, segundo estudo que elabora em parceria com o Fórum.

EUA

O presidente do Citibank, William Rhodes, não quis dar declarações sobre a possibilidade de bancos norte-americanos apresentarem mais perdas em razão da crise de crédito. “Vamos divulgar os resultados do primeiro trimestre. Pelas regras do mercado, não posso comentar até que seja feito o anúncio.” Sobre se a crise começa a dar sinais de ceder, Rhodes disse: “Estamos na segunda metade do jogo. Ainda temos um bom caminho”. “Há muita volatilidade no mercado, os Estados Unidos estão no olho do furacão. Podemos estar em recessão agora mesmo”, disse.

 

 

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