Blog do Desemprego Zero

Política econômica embute contradição, diz economista

Posted by Beatriz Diniz em 22 abril, 2008

“Aumentam-se os juros, expande-se a base monetária e não adota-se nenhuma providência com relação à expansão do crédito.”

*Por Luciana Sergeiro

Publicado em: Jornal do Brasil

Por: Ubirajara Loureiro

A ata do Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom), que será divulgada quinta-feira, deixará à mostra uma grave inconsistência na política do governo. Esta é a análise de Reinaldo Gonçalves, professor titular da Faculdade de Economia da UFRJ.

– Ao mesmo tempo em que se aumentam os juros, expande-se a base monetária (dinheiro em poder do público somado às reservas bancárias) com a entrada de capital, sem que seja adotada qualquer providência com relação à expansão do crédito – completa Gonçalves.

O crédito, aliás, fator de aquecimento do consumo, embasaria os temores quanto a um aumento de inflação e a elevação da Selic para 11,75%. Sem grandes expectativas quanto a novidades na ata do Copom, o professor explica que, com o salto das reservas internacionais do país no ano passado, houve um aumento significativo na dívida pública que também fez subir a quantidade de moeda circulante.

Expectativa em queda

Gonçalves acha que a autoridade monetária brasileira manterá a explicação no tom de que a crise nada tem a ver com o Brasil, é gerada por fatores externos de instabilidade que justificariam uma medida preventiva. E que o “pancadão” na taxa de juros será apresentado como cautela, para conter o consumo, evitar a defasagem com a oferta e, assim, impedir novas elevações da taxa.

– Na próxima reunião, em julho, eles provavelmente dirão que persistem os fatores de instabilidade e poderão manter a política de arrocho – relatou Gonçalves. – O resultado de tudo isto é que, mesmo as correntes econômicas brasileiras que embutem um otimismo estrutural em seus modelos de análise, estão revisando para baixo suas expectativas quanto ao PIB. Já baixaram a estimativa de 4,7% para 4,5%.

A partir deste quadro, explica o economista, o único beneficiário da medida é o sistema financeiro, favorecido pela falta de calibragem no uso de instrumentos de política monetária e fiscal.

Quem ganha

O quadro de incongruência resume-se assim: aumentam-se os juros, mas ficam sem serem tocados os mecanismos que tem feito o crédito crescer velozmente, como o aumento de prazos, ao mesmo tempo em que também nada se altera no volume do empréstimo compulsório, o percentual dos depósitos feitos em banco que deve ser recolhido ao Banco Central.

Com isto, conclui Gonçalves, eleva-se mais, agora para a faixa de 20% em 12 meses, o volume de circulação de moeda na economia. O que significa maiores lucros do sistema financeiro, aumento das vantagens do capital estrangeiro com a arbitragem de taxas juros – toma-se dinheiro a 4% ou 5% no exterior, para aplicá-lo aqui a 11,75% sem equiparação de compensação tributária, como adequação das alíquotas do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), por exemplo. E eleva-se ainda mais a dívida interna, apontada como fator de risco, impeditivo de o país obter o chamado grau de investimento, que atrairia grandes investidores institucionais do exterior, com aplicações de prazo mais longo e maiores vantagens para a economia produtiva sem os riscos da intermediação parasitária.

 

 

 

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