Blog do Desemprego Zero

Remessas superam investimentos

Posted by Beatriz Diniz em 24 abril, 2008

Imprensa normalmente divulga volume de investimentos estrangeiros diretos e remessa de lucros e dividendos, contudo, apenas essas rubricas não expressam a real situação do Balanço de Pagamentos nacional. Quando incorporados à análise as amortizações de empréstimos e o retorno de capital, o BP revela uma diferença negativamente muito grande entre o volume de recursos enviados e os recebidos pelo Brasil em todos os setores da atividade econômica…

*Por Elizabeth Cardoso

Publicado originalmente no Jornal do Brasil

Por Ubirajara Loureiro

Multinacionais enviaram ao exterior pelo menos R$ 9 bilhões a mais do que aplicaram no Brasil

Percorrer os labirintos do site do Banco Central e esmiuçar a numerália leva às vezes a fatos aparentemente surpreendentes no que se refere à presença do capital estrangeiro no Brasil. O cotejo dos investimentos diretos com as remessas de lucros, amortizações de empréstimos e retorno de capital mostra que o Brasil é, realmente, país de excepcional rentabilidade para investidores do exterior.

Se computadas algumas das rubricas através das quais os recursos estrangeiros são retirados do Brasil, verifica-se a saída de um total de US$ 43 bilhões, contra investimentos diretos que fecharam o ano na casa dos US$ 34,3 bilhões. E que a indústria é o setor que permite maior retorno de capital aos investidores externos e mais remessas às matrizes.

Algo bem distante do noticiário normal, em que é divulgado apenas o investimento direto e remessas de lucros e dividendos. Por esta metodologia, no ano passado, a entrada de capitais externos no Brasil foi de US$ 34,3 bilhões, ficando a impressão de que o total de saídas teria sido de apenas US$ 16,7 bilhões.

A partir desses números, verifica-se que o movimento corrente de capitais externos tem sentido inverso ao que vem sendo divulgado continuamente. Ou seja, as remessas de capital são bem superiores ao volume de investimentos concretizados no país.

Isto mesmo sem a inclusão dos totais referentes ao uso de patentes e à compra de tecnologia, parte considerável do item Serviços, no qual se registra um déficit de US$ 8,7 bilhões no balanço de pagamento do país. O fato se verifica tanto no setor agrícola, como no industrial e de serviços.

Na agricultura, sempre considerados números de 2007, o investimento estrangeiro direto foi de US$ 4,7 bilhões, enquanto as remessas via as quatro rubricas consideradas (amortização de empréstimos, retorno de investimento, remessas de lucro e dividendos e pagamento empréstimos entre companhias – realizados entre matrizes e respectivas filiais) chegaram a US$ 9,9 bilhões.

Na indústria, a partir do mesmo método, observa-se a existência de investimentos diretos de US$ 13,4 bilhões, contrapostos a saídas de recursos de US$ 16,5 bilhões. Nos serviços, a diferença é menor: ingressos de US$ 16,3 bilhões, e remessas de 16,5 bilhões.

Os Países Baixos ocupam o primeiro lugar no volume de investimentos no Brasil, com US$ 8,1 bilhões, seguidos pelos Estados Unidos, com US$ 6 bilhões; Luxemburgo (sede de algumas multinacionais) com US$ 2,8 bilhões; Espanha, com US$ 2,2 bilhões; seguem-se Ilhas Cayman, com 1,6 bilhão e Bermudas, com US$ 1,4 bilhão; França, com 1,2 bilhão, Inglaterra, com US$ 1 bilhão e Suíça e Canadá, com US$ 905 milhões e US$ 819 bilhões, respectivamente.

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