Blog do Desemprego Zero

Banco Central diz que juro subiu para consolidar aportes

Posted by Beatriz Diniz em 25 abril, 2008

“O Copom está de olho em cenários futuros, ou seja, na inflação prospectiva. Estão mais preocupados com a inflação futura do que com a corrente.”

*Por Luciana Sergeiro

Publicado em: DCI – Comércio, Indústria & Serviços (restrito a assinantes)

Por: Luciano Máximo

O Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) sinalizou que a elevação dos juros básicos da economia brasileira na semana passada, de 11,25% para 11,75% ao ano, dará tempo para que as empresas possam maturar os investimentos feitos durante um período de inflação controlada e câmbio desvalorizado, enquanto um novo aperto monetário irá interferir no risco de elevação da pressão inflacionária.

De acordo com a ata da última reunião do colegiado, divulgada ontem, o BC está preocupado com o nível de ‘utilização da capacidade instalada da indústria’ (Nuci) nacional, que se elevou bastante nos últimos meses com a importação de máquinas para a renovação das fábricas do País, mas pode não ser suficiente para atender à atual demanda aquecida da economia e, assim, gerar pressão sobre os preços.

O documento aponta que o Nuci calculado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) atingiu 85,2% no mês passado, 2,1 pontos percentuais acima do nível registrado no mesmo período de 2007. Se considerar os dados da Confederação Nacional da Indústria (CNI), o nível da capacidade do setor está hoje um pouco abaixo do recorde da série, de 83,3%, registrado em novembro do ano passado.

De acordo com a ata, “embora o investimento venha contribuindo para suavizar a tendência de elevação das taxas de utilização da capacidade, não tem sido suficiente para conter tal processo. Nesse contexto, a maturação tempestiva de projetos de investimento será fundamental para circunscrever os descompassos entre a evolução da oferta e da demanda doméstica no horizonte relevante para a política monetária”. Entidades de classe do setor industrial contradizem o BC (leia matéria ao lado).

Na interpretação de Luís Augusto Monteiro, conselheiro da Brazilian Business School, apesar da atividade robusta, o setor produtivo pode não dar conta de manter a estabilidade dos preços. “O BC subiu os juros para esfriar a economia e dar um tempo maior para a maturação dos investimentos, que vieram com o benefício do câmbio em baixa e como reflexo dos cortes dos juros nos últimos três anos”, comenta Monteiro.

Já Miguel Ribeiro de Oliveira, vice-presidente Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), não vê descompasso entre oferta e demanda. “A inflação é hoje um processo mundial, puxada principalmente pelas commodities. O BC nunca vai conseguir controlar esses preços via política monetária. Não vejo desequilíbrio, os alimentos pressionam mas outros produtos estão estáveis”, argumenta Oliveira, se referindo aos produtos e aos preços industriais. Segundo ele, eventual encarecimento dos combustíveis poderá gerar efeito em cadeia para vários setores, alastrando o peso da gasolina, por exemplo, na composição do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), base oficial usada para medir a inflação.

Segundo Pedro Vartanian, professor de economia da Trevisan Escola de Negócios, a taxa Selic ajuda a emperrar os investimentos. “Os empresários vinham afirmando que não era necessário subir os juros porque havia investimento, agora o BC argumenta que os investimentos não eram suficientes, mas com a Selic mais alta ele está dificultando ainda mais a contratação de novos investimentos”, diz Vartanian.

Futuro

O economista afirma também que a ata demonstra que o Copom está de olho nos cenários futuros. “Quando os diretores falam em inflação prospectiva quer dizer que estão mais preocupados com a inflação futura do que com a corrente. A idéia é ter o centro da meta como foco e cortar pela raiz qualquer ameaça de pressão inflacionária”, explica Vartanian. Essa tese está ressaltada no documento divulgado ontem, na qual o Copom projeta um IPCA acima do centro da meta de inflação, de 4,5%, também em 2009: “… a trajetória da inflação mantém estreita relação com os desenvolvimentos correntes e prospectivos no tocante à ampliação da oferta de bens e serviços para o adequado atendimento à demanda”.

Conforme Luiz Rogé Ferreira, economista-chefe do departamento de análises da CMA, “para o Copom é melhor exagerar agora e ter eficácia imediata sobre as pressões inflacionárias. Isso demonstra que não há intenção de aumentos em longo prazo. Apesar disso, o mercado está prevendo uma taxa de juros para 14,30% ao final de 2009. É uma previsão exagerada”, indica Rogé.

Segundo ele, as altas taxas de juros operadas pelo mercado não estão relacionadas ao incremento da Selic ou às observações da ata. Caracterizam-se pela perspectiva de um aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), da inflação e mesmo, dos combustíveis. “É uma preocupação a ser considerada. Não houve reajuste nos últimos três anos. O preço do petróleo está alto e o câmbio desvalorizado. O aumento certamente virá. Não sei se será, entretanto, ainda para este ano.”

 

 

 

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3 Respostas to “Banco Central diz que juro subiu para consolidar aportes”

  1. Heldo Siqueira said

    Tem doido pra tudo né??!?! O Petróleo está alto vá lá, mas o câmbio está desvalorizado?!?!? Só em Mercadolândia…

    Abraços

  2. pois é Heldo,
    é impressionante o grau de picaretagem da mercadolância…

  3. Segundo o IEDI (www.iedi.org.br):

    A despeito de, em grande medida, a inflação brasileira estar sendo influenciada pelo fator global, o Banco Central elevou a taxa básica de juros em sua última reunião do dia 16/04/2008. Não faltaram análises e advertências por parte do setor produtivo de que relevantes novidades vinham ocorrendo na economia brasileira desde o último trimestre de 2007. O IEDI participou desse debate e advertiu sobre esses pontos: (a) a estabilidade ou ligeira queda da utilização da capacidade de produção da indústria desde os meses finais de 2007, indicando que a oferta na economia passou a acompanhar o crescimento da demanda; (b) a elevação da produtividade da indústria em 2007 e sua continuidade no primeiro trimestre deste ano, seguido do aumento da taxa de emprego e da remuneração média do pessoal ocupado no setor. Em outras palavras, esses novos dados indicam um crescimento não inflacionário da economia. Cabe notar que os eventuais incentivos da política industrial não servirão de contraponto à valorização da moeda.

    Anteriormente, o IEDI já questionava se o BC brasileiro desejaria conter a inflação global. O IEDI apresentou um estudo com a análise da variação do índice de preços ao consumidor em 26 países industrializados e emergentes.

    Apesar de o petróleo ter registrado uma alta de 57% no ano passado, os preços dos alimentos pressionaram mais a inflação em 11 países dos 26 pesquisados. São eles: Brasil, Chile, México, Rússia, Polônia, África do Sul, China, Índia, Taiwan, Indonésia e Malásia.

    Em cinco países, o item alimentação registrou a segunda maior variação em 2007, atrás de educação (na Alemanha), transporte (Itália), aluguel (Hong Kong) e bebidas alcoólicas e cigarros (República Tcheca e Turquia). Nos Estados Unidos, Japão, Reino Unido, Cingapura, Tailândia e Venezuela, o grupo alimentação registrou a terceira maior variação anual.

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