Blog do Desemprego Zero

Empresas brasileiras mostram sua força

Posted by Beatriz Diniz em 25 abril, 2008

Empresas brasileiras conseguem se consolidar no mercado, competindo com as multinacionais, tais empresas são denominadas de “dínamos”, como é o caso das Casas Bahia, Boticário, Positivo, Totys. E o sucesso de tais empresas é a combinação de “negócios com modelos muito bem montados do ponto de vista de geração de valor”.

Por Katia Alves

Publicado na: Gazeta Mercantil

Por Ana Carolina Saito

Com estratégias agressivas e modelos de negócios inovadores, nove empresas brasileiras defendem o seu território do ataque de multinacionais e novos concorrentes. B2W, Casas Bahia, Cosan, Gol Transportes Aéreos, Positivo, O Boticário, Totvs, TV Globo e Votorantim Finanças fazem parte de um grupo de 50 companhias de países emergentes que desafiam – e, em muitos casos, até superam – grandes corporações nos mercados locais. A seleção foi feita pelo Boston Consulting Group (BCG) no estudo intitulado The BCG 50 Local Dynamos, baseada no desempenho das companhias em 2006.  Das 50 empresas de dez países emergentes relacionadas no estudo, 37 lideram o mercado local no seu setor. Em 2006, o grupo de companhias, denominadas “dínamos”, registrou receita combinada de US$ 60 bilhões, sendo que vinte delas atingiram pelo menos US$ 1 bilhão, e crescimento de 52%, superior ao do conjunto de companhias que compõem a S&P 500, da Standard & Poors, (10%) e a Fortune Global 500 (8%). Só no Brasil, as nove empresas tiveram expansão de 25% em relação a 2005.

O destaque, no entanto, é a rentabilidade das empresas dos mercados emergentes, o que mostra potencial de crescimento futuro. Segundo o estudo do BCG, 32 das 50 empresas apresentaram margem operacional, combinada, de 20%, contra 14% das S&P 500, 8% do índice Nikkei e 7% do índice DAX, da Bolsa de Frankfurt. Já a margem média das brasileiras foi de 15%. “São negócios com modelos muito bem montados do ponto de vista de geração de valor. Isso é um bom indicativo de que vamos ouvir falar mais dessas empresas no futuro”, ressalta o sócio diretor do BCG no País, Marcos Aguiar.  O BCG identificou seis chaves para o sucesso dessas companhias. O primeiro deles é capacidade de adequar a sua oferta às necessidades do mercado local.

É o caso das Casas Bahia, que decidiu apostar no mercado de baixa renda. “O legado de inflação no Brasil faz as pessoas pensarem em prestação e não no valor total do bem. O consumidor também é muitas vezes intimidado pelas lojas tradicionais de shopping e ele quer ser bem tratado. Essa combinação faz com que a empresa tenha uma vantagem competitiva sustentável nesse segmento de baixa renda”, diz.

Brigando com as americanas HP e Dell, a Positivo conquistou a liderança do mercado brasileiro de computadores pessoais, também aproveitando o crescimento do consumo pela classe C. Com uma oferta com preço e qualidade capaz de competir com os PC piratas, que dominaram por muito tempo o setor no Brasil, e com os serviços de players globais, a empresa conseguiu substituir esse mercado cinza e ganhar mais participação. “A partir de 2004, decidimos apostar no varejo brasileiro e alinhamos a empresa para atender a classe média”, afirma o diretor de marketing da Positivo, César Aymoré. De 2003 para o ano passado, a empresa ampliou as suas vendas de 23 mil para cerca de 1,4 milhão de unidades. 

A fabricante de software corporativo Totvs é outro exemplo de empresa que consegue defender seu território das gigantes SAP e Oracle, explorando demandas específicas do mercado local. Com foco em pequenas e médias empresas, criou um modelo capaz de atender as necessidades do segmento, do qual é líder. “Temos uma oferta flexível e de qualidade, e com preço mais acessíveis. Além disso, conhecemos o mercado em que atuamos e criamos um sistema de distribuição que nos coloca muito próximos dos clientes, com unidades próprias ou franquias”, explica o vice-presidente de gestão da Totvs, José Rogério Luiz.

Tanto a Totvs como a Positivo declaram que há ainda muito espaço para crescer no mercado local. Segundo o diretor da fabricante de PC, apenas 22% dos lares da classe média tem computador. Menos de 10% do mercado de software corporativo para pequenas e médias foi explorado, diz o executivo da Totvs.

O Boticário, por sua vez, encontrou um modelo de negócio inovador que de alguma forma supera restrições locais, outro segredo para o sucesso. Com uma fábrica em São José dos Pinhais (PR) e 2.465 lojas no Brasil, a empresa criou a maior rede de franquias do setor de cosméticos em todo o mundo. “Foi uma maneira de vencer restrições locais, criando uma capilaridade grande e rapidamente. Se não consigo investir para abrir inúmeras lojas, então eu vou usar franqueados para isso. Esse modelo superou suas restrições e estabeleceu vantagem fabulosa”, afirma Aguiar.

 Outra estratégia adotada pelas empresas é alavancar tecnologias mais avançadas. A Gol, por exemplo, decidiu usar a internet como plataforma, ou como canal de interação com o consumidor, reduzindo custo de serviços e agilizando o atendimento. As vendas realizadas por meio do site atingiram 78,9% do total de passagens comercializadas em 2007. No período, o grupo controlador registrou queda de 60,8% no lucro líquido, para R$ 268,52 milhões, resultado influenciado pela aquisição da VRG (Varig) e pela crise do setor aéreo. “Os dínamos são empresas que estão mostrando modelos de negócios resilientes aos ataques de players estabelecidos. Não estamos dizendo que eles nunca passarão por percalços ou vivenciarão ocasiões em que os resultados não serão bons. A Gol alavancou tecnologia na sua gênese, um dos fatores-chave de sucesso que identificamos nos dínamos”, afirma Aguiar. 

De uma forma geral, os “dínamos” também souberam se beneficiar do baixo custo de mão-de-obra e superar restrições de qualificação. Usam ainda o seu modelo como motor de crescimento para ganhar escala. E, por fim, conseguiram construir um negócio sustentável. “Grande parte disso é mostrar que não se trata apenas de uma onda, que o modelo tem uma solidez interna”, comenta Aguiar.  

Desafios

Os dínamos demonstraram sucesso em defender mercados domésticos e resistir ao ataque de multis, mas ainda tem grandes desafios pela frente. “Em algum momento há um limite de escala e a empresa tem de ter uma estratégia mais estruturada para seu movimento de internacionalização. A questão é como sustentar o seu atual modelo a partir da expansão internacional, que talvez tenha de ser mais agressivo”, afirma Aguiar.  As empresas também precisam manter o motor de criatividade e inovação, sendo capaz de reinventar o seu negócio. Aguiar destaca ainda a necessidade de desenvolver a habilidade de fazer parcerias para complementação de competências. “Fazer isso sem perder o que trazem de único é o grande desafio”, comenta.

Presença nacional indica potencial de crescimento

Publicado no: Gazeta Mercantil

Por Ana carolina Saito

A presença brasileira entre as 50 companhias que se destacam nos mercados emergentes é bom indicativo do potencial de crescimento da economia do País. A avaliação é do sócio diretor do Boston Consulting Group (BCG) no Brasil, Marcos Aguiar.  

As nove empresas nacionais selecionadas, de diversos setores como varejo, finanças e software, colocam o Brasil na terceira posição entre os países com maior número de participantes da lista feita pelo BCG. Em primeiro lugar, aparece a China, com 15 empresas, seguida pela Índia (11).  

Apesar da desvantagem em relação aos indianos e chineses, a presença brasileira é expressiva, ao se considerar a representatividade do País nos mercados emergentes.

“O Brasil tem quase 20% das empresas selecionadas, mas o nosso PIB, geração de valor e crescimento não representam 20% do total dos países selecionados”, avalia Aguiar. Para o sócio diretor do BCG no Brasil, essa participação de empresas superior à proporção da economia entre os emergentes é um sinal positivo do potencial de crescimento do Brasil. “É um sinal relevante da capacidade empresarial de gerar crescimento, a despeito do País em si”, comenta Aguiar.

As empresas foram selecionadas a partir de uma avaliação do tamanho do grupo, rentabilidade, participação de mercado com base em dados de 2006 e criatividade do modelo de negócios. “São aqueles mais promissores para continuar se defendendo do ataque de multinacionais e eventualmente se tornar desafiantes globais”, resume o diretor do BCG.  

Além de Brasil, China e Índia, na lista do BCG figuram México, com seis empresas, Rússia (3),Polônia (2), Eslováquia (1), Malásia (1), Indonésia (1) e Tailândia (1).

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