Blog do Desemprego Zero

Agricultura familiar + agronegócio

Posted by Beatriz Diniz em 28 abril, 2008

“A agricultura familiar segura o homem no campo e garante renda ou de sobrevivência ou para o consumo e pode ser uma excelente alavanca para grandes empreendimentos, quando organizada em torno de cadeias produtivas.”

*Por Luciana Sergeiro

Publicado em: Blog do Nassif

Por: Luis Nassif

Desdobramento da grande revolução demográfica mundial, a crise de alimentos/energia vai trazer algumas mudanças relevantes.

Primeiro, nas relações norte-sul.

Não será possível resolver a crise de alimentos sem um amplo estímulo à agricultura tropical e uma redução nos subsídios dos países avançados.

Depois, nas relações agronegócios-agricultura familiar.

Nos países emergentes-avançados – como o Brasil – não será possível resolver a crise dos alimentos sem um estímulo forte à agricultura familiar.

É um paradoxo interessantíssimo. O agronegócio critica a falta de eficiência da agricultura familiar; os defensores da agricultura familiar criticam o caráter concentrador do agronegócio.

Só que um depende do outro. O agronegócio gera divisas, empregos, riqueza. Mas expõe os preços internos aos preços internacionais, provoca êxodo no campo (substituído por emprego de melhor qualidade, mas em menor número e pegando um público distinto daquele da agricultura familiar).

A agricultura familiar está próxima aos centros urbanos, não está exposta às intempéries dos movimentos internacionais de commodities. Segura o homem no campo e garante renda ou de sobrevivência ou para o consumo. Além disso, pode ser uma excelente alavanca para grandes empreendimentos, quando organizada em torno de cadeias produtivas – como a do frango e do leite.

Essa será a grande síntese final da agricultura brasileira: o agronegócio convivendo com a agricultura familiar.

Por Antonio Carlos Nogueira

Origem da produção agropecuária

Um fator a ser considerado no relacionamento entre o agronegócio e a agricultura familiar é a valorização da origem da produção. Essa valorização tem dois aspectos distintos: a certificação e a diferenciação.

A certificação está relacionada à exigência crescente dos mercados internacionais em conhecer condições de sanidade, relações de trabalho, e uso anterior da área, principalmente em relação a desmatamentos e liberação de carbono contido na vegetação anterior. Esse aspecto interessa principalmente às corporações na indústria de alimentos e no varejo. Neste aspecto a inclusão da agricultura familiar tem potencial pela possibilidade de melhorar o controle da origem em escalas menores.

A diferenciação está relacionada à associação de produtores em torno de marcas coletivas vinculadas a determinadas regiões. Neste caso existe ainda um longo caminho a ser percorrido no Brasil, em termos institucionais e de controle de qualidade para a construção dessas marcas. Os agricultores familiares necessitam de suporte em tecnologia e treinamento para que possam aproveitar as oportunidades em nichos como orgânicos, mercado justo ou certificações de origem.

Por Wilson

Nassif, concordo com você que a agricultura familiar se desenvolveria muito melhor dentro de um projeto econômico viável, como é o caso do frango, leite e acho que do porco também.

Para dar certo, é preciso juntar várias partes interessadas, os pequenos produtores, os fornecedores de tecnologia, os compradores, etc, para montar um plano estratégico estudando as potencialidades e a viabilidade de cada região.

Para mim, se bem organizada, esta seria a verdadeira reforma agrária, justiça social dentro de um projeto econômico viável no longo prazo, para criar um classe média rural.

No ano passado, li um artigo no Estadão, do excelente José de Souza Martins, sobre a mudança radical que o pessoal do José Rainha estava fazendo no Pontal do Paranapanema, deixando a briga puramente ideológica e sem preocupaçãoes com resultados do MST e passando a estudar projetos viáveis para a região. O resultado foi um projeto de explorar o Pinhão Manso para explorar o biodiesel.

Achei o artigo aqui: clique aqui

Achei este link no Terra, com um pequena entrevista com o José Rainha: clique aqui

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