Blog do Desemprego Zero

O rastro do Aedes

Posted by Beatriz Diniz em 28 abril, 2008

A dengue realmente está assustando, já foram mais de 90 mortes no Estado do Rio de janeiro. E Outros Estados tiveram um crescimento do número de casos notificados bem maior como: Sergipe, Bahia, Rio Grande do Norte, Amazonas e Rondônia.

Por Katia Alves

Por Rodrigo Martins 

Publicado na: Carta Capital

A epidemia de dengue no Rio de Janeiro já é a mais letal da história do estado. Na terça-feira 22, a Secretaria Estadual de Saúde confirmou a 93ª morte atribuída à doença desde o início do ano. Há outros 96 óbitos em investigação. O número é superior ao verificado no último grande surto da doença no estado, quando foram registradas 91 mortes para um universo de 250 mil infectados. Nas contas das autoridades de saúde do Rio, até a penúltima semana de abril, foram contabilizados mais de 110 mil casos de dengue, um terço do total registrado no Brasil em 2008. Como se não bastasse, novos focos da moléstia começaram a aparecer e a trazer preocupação em outras unidades da federação.

Apesar desse quadro grave, um relatório do Ministério da Saúde identifica uma redução de 27% na incidência da doença em todo o País nos três primeiros meses de 2008, demonstrando um retrocesso considerável em relação aos dois primeiros meses do ano. Em janeiro e fevereiro, a queda em relação a 2007 era superior a 40%.

Os números são expressivos, mas o Rio de Janeiro não é o estado que protagonizou o maior aumento da incidência de dengue neste ano. Sergipe, Bahia, Rio Grande do Norte, Amazonas e Rondônia tiveram um crescimento do número de casos notificados bem maior.

Em Sergipe, foram 8.446 casos, dos quais 3.952 estão confirmados, incidência considerada elevadíssima: mais de 415 casos para cada 100 mil habitantes. O número de notificações no estado é quase 1.000% superior ao registrado no mesmo período de 2007. Trata-se do estado nordestino em que a doença mais avançou. Oito infectados morreram e outros dez óbitos estão sendo investigados. “Neste momento, estamos em uma situação epidêmica, o que nos obriga a tomar medidas mais agressivas no sentido de não deixar se prolongar essa situação”, diz Rogério Carvalho, secretário estadual de Saúde. Entre as ações anunciadas pelo governo sergipano está a liberação de uma verba de 650 mil reais para os municípios combaterem o vetor e para ampliar o número de leitos em hospitais. Oficialmente, são duas as justificativas para o aumento da incidência. A primeira seria o descuido da população, que “baixou a guarda” para as medidas preventivas.

A segunda tem relação com o clima atípico verificado nos últimos meses e a cultura da seca no sertão nordestino. As elevadas temperaturas teriam favorecido a proliferação do mosquito, assim como ocorreu no Rio. A baixa incidência de chuvas em Sergipe levou a população das regiões áridas a reservar água em depósitos improvisados nem sempre de maneira adequada.

O governo do Ceará também admite que o estado vive uma epidemia de dengue hemorrágica. Até 18 de abril, foram confirmados 9,3 mil casos, dos quais 122 evoluíram para a febre hemorrágica. O número de casos de dengue clássica é muito menor que os 25 mil verificados ao longo de 2007. Ainda assim, a incidência da febre hemorrágica aumentou 319% em relação ao mesmo período do ano passado.

Responsável pela Coordenadoria de Promoção à Saúde, vinculada à Secretaria Estadual de Saúde do Ceará, Manoel Dias da Fonseca Neto afirma que o governo estadual tem investido na capacitação de médicos e alertado os hospitais para se preparar para a expansão da febre hemorrágica. “Graças ao rápido diagnóstico e tratamento, tivemos apenas oito mortes confirmadas até agora. Isso representa um índice de letalidade de 1,2%, oito vezes menor que a média nacional”, compara. “O estado não pode controlar o aparecimento de um vírus mais letal, mas pode melhorar o atendimento. Hoje, os médicos são orientados a tratar qualquer virose com o auxílio de soro, o que evita a desidratação em caso de dengue”.

Nem sempre o esforço para combater o mosquito é premiado com uma redução do número de casos graves. Em Pernambuco, as notificações de dengue clássica caíram 30% nos três primeiros meses de 2008, se comparado ao mesmo período do ano passado. Em compensação, a dengue hemorrágica avançou 44% e foi responsável por um óbito. Em 2007, ninguém morreu.

O infectologista Anastácio Queiroz, professor do Núcleo de Medicina Tropical da Universidade Federal do Ceará, avalia que não basta planejar as ações de combate ao vetor sem se preocupar com a assistência de quem contrai dengue hemorrágica. “Esse tipo de complicação exige sérios cuidados clínicos. O sujeito que fica em casa tem poucas chances de sobreviver”.

Quanto à seriedade das epidemias que se alastram pela região, ele alerta para o risco de comparações mal formuladas. “A dimensão da epidemia no Rio parece maior por conta da elevada população, que sobrecarrega o sistema de saúde. Mas eu diria que vivemos uma situação semelhante no Nordeste. A incidência da doença também é elevada e a rede de hospitais não é tão grande”.

Além do descuido no combate ao mosquito transmissor, o Aedes aegypti, tanto do poder público como da população, a epidemia fluminense tornou-se dramática por conta de dois fatores, segundo os especialistas. O primeiro é o reaparecimento de um tipo de vírus ausente na região desde os anos 90. Boa parte da população, principalmente os mais jovens, não teve contato com essa variante de vírus. Por isso, está mais vulnerável a adquirir a febre anos. O mesmo fenômeno também ocorre em outros estados, como o Ceará. hemorrágica. Essa é a razão de quase metade dos mortos ter menos de 15

O outro aspecto diz respeito à precária rede de atendimento básico de saúde nos municípios, a começar pela capital, que concentra mais da metade dos casos de dengue no estado.

As filas de até seis horas nos hospitais cariocas levaram o governo estadual a criar, em caráter emergencial, cinco tendas de hidratação na cidade. As Forças Armadas, por sua vez, montaram hospitais de campanha para auxiliar no atendimento primário, mas ainda faltam médicos para atender todos e há longos períodos de espera para o início do tratamento.

Não por acaso, praticamente metade das mortes confirmadas é atribuída a complicações da dengue clássica, que pode ser facilmente curada se diagnosticada a tempo, e não da dengue hemorrágica. Na capital, o índice de letalidade chega a 20% dos casos de dengue hemorrágica em algumas regiões, taxa 20 vezes superior à tolerada pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

O problema é admitido pelo secretário estadual de Saúde, Sérgio Côrtes. “Melhoramos muito, mas ainda temos filas e tempo de espera. Então, a epidemia não está sob controle”, disse. A afirmação foi feita exatamente uma semana antes de o Rio bater seu trágico recorde de mortes por dengue.

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