Blog do Desemprego Zero

Vale faz parceria com Columbia para criar centro de pesquisa

Posted by Beatriz Diniz em 30 abril, 2008

Por Marli Olmos

Publicado no Valor

O presidente da Vale, Roger Agnelli, dividiu a cena ontem com o economista americano Jeffrey Sachs, durante conferência de membros dos países emergentes, em Nova York. Agnelli anunciou que a Vale vai dar US$ 1,5 milhão para a criação, na Universidade Columbia, de um centro de formação e pesquisa para promover o investimento estrangeiro sustentável. Em seguida, Sachs fez comovente discurso sobre a responsabilidade que todas as economias do planeta têm com os problemas que virão com o crescimento das regiões emergentes.

O avanço dessas economias, num momento em que a exploração dos recursos naturais requer um planejamento sustentável, começa a dar motivos para os países desenvolvidos se interessarem mais pelo bem-estar das nações mais pobres. Ao mesmo tempo, carentes de mão-de-obra especializada para crescer dentro e fora das suas fronteiras, empresas dos países emergentes buscam apoio da área acadêmica dos países ricos.

O presidente da Vale, segunda maior mineradora do mundo, diz que enfrenta problemas da falta de formação técnica em duas frentes. De um lado, na contratação dos seus próprios trabalhadores. De outro, nos profissionais do setor público, como, por exemplo, os encarregados de tratar dos projetos ambientais nas áreas que a empresa explora. O objetivo do convênio com a Universidade Colúmbia é enviar brasileiros para cursos nos EUA. A Colúmbia tem interesse em desenvolver o crescimento sustentável nos países emergentes, que apresentam hoje as maiores taxas de crescimento econômico. E percebe que a falta de recursos humanos é aflição comum em todos os países emergentes em processo de internacionalização.

Agnelli disse ontem que precisa da “ajuda de gente inteligente” como os acadêmicos da universidade americana, porque a Vale acaba tendo de fazer o papel do governo no apoio ao desenvolvimento das comunidades das regiões pobres. Ele citou o caso de Carajás (PA), onde o próximo programa de investimentos da companhia atrairá o deslocamento de pelo menos mais 800 mil pessoas à região. “Para continuar crescendo como empresa, sabemos que as regiões que exploramos precisam ter casas, asfalto, saneamento e educação”, disse Agnelli a uma platéia de acadêmicos e empresários dos EUA, Europa, Brasil, Rússia, Índia e China. “É preciso contar com o conhecimento de fora”, disse.

Agnelli foi elogiado por Sachs, autor de livros como “O Fim da Pobreza” e diretor do Instituto Earth, da Universidade Colúmbia. O economista defendeu uma nova forma de cooperação global entre as nações para buscar de forma sustentada os recursos naturais necessários para acompanhar o dinamismo do crescimento das economias emergentes. “Será preciso uma parceria global como nunca se viu antes” , disse. “É necessário muito mais conexões do que tínhamos no passado, porque daqui para a frente não é mais questão de encontrar reservas minerais ou commodities, mas também água, biodiversidade e acabar com a pobreza extrema de regiões como a África. Se não fizermos isso teremos conflitos.”

Para Sachs, não existe ainda uma resposta para o desafio de manter a dinâmica do crescimento global sem perder de vista a estabilidade das políticas e a busca de espaço para todos os povos no desenvolvimento econômico sem danificar o planeta. “Nem a CIA tem um relatório para isso, mas temos que pensar a respeito. porque somos todos responsáveis.”

Mas a cooperação mundial que Sachs prega parece ainda distante da realidade. Depois de dois dias de discussões num ciclo de debates sobre a internacionalização das empresas dos países do Bric (Brasil, Rússia, Índia e China), na Universidade Columbia, os representantes das nações desse grupo reclamaram das barreiras que encontram ao cruzar fronteiras.

As empresas dos países emergentes enfrentam dificuldades em formar e, principalmente, manter bons profissionais quando investem em filiais fora dos seus países de origem. Esses investidores fazem questão de ter executivos do país de origem para comandar os negócios no exterior. Mas os problemas começam com a barreira da língua, dificuldade de adaptação aos costumes locais e falta de familiaridade com as políticas e instituições locais.

Não é só isso. Paulo Resende, do departamento de pesquisa da Fundação Dom Cabral, lembra do caso de um executivo de uma empresa brasileira que desistiu de trabalhar fora do país depois de passar um ano e meio distante da esposa e a filha, que não conseguiam visto.

Alguns enfrentam discriminação e a falta de credibilidade, como é o caso de empresas russas, segundo Alexander Mansilya-Kruz, do departamento de pesquisa da Skolkovo, escola de negócios em Moscou. “Há ainda muita falta de recursos humanos nos negócios internacionais”, diz Karl Sauvant, diretor executivo do programa de investimentos internacionais da Columbia. Mas, lembra, é preciso aprender com a experiência dos japoneses, quando decidiram conquistar mercados como o dos EUA, na década de 70.

Eddie Chen, conselheiro de uma associação para investimento chinês no exterior, aponta o problema da imagem. Diz que a mídia ora enaltece e ora critica o investimento estrangeiro de empresas dos países emergentes. “E isso influencia a opinião pública”, diz.

 

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

 
%d blogueiros gostam disto: