Blog do Desemprego Zero

Grau de investimento traz temor ao setor exportador

Posted by Beatriz Diniz em 1 maio, 2008

Em relação à classificação de risco Fitch Ratings que promoveu o Brasil para grau de investimento, preocupou os exportadores de manufaturados, pois com isso haverá maior a entrada de dólares “derretendo” a moeda americana.

*Por Katia Alves

Publicado originalmente no DCI

Por Robson Gisoldi

O anúncio da agência de classificação de risco Fitch Ratings promovendo o Brasil para grau de investimento agradou muitos analistas do País, mas também gerou preocupação no setor exportador quanto a possibilidade de queda “drástica” do câmbio. O temor existe porque a classificação pode gerar uma entrada maior de dólares no País, “derretendo” ainda mais a moeda americana.

O vice-presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro, quando soube do anúncio foi categórico: “para o setor exportador de manufaturados a notícia é muito ruim. Para os representantes de commodities é ruim”, afirma. O argumento pessimista do representante leva em conta a possível queda do dólar num cenário futuro. “Não é apenas o grau que derruba o câmbio, mas ele cria expectativas de entrada maior de recursos. As commodities como estão com o preço elevado no mercado ainda continuam bem”, defende.

O medo vem do fraco desempenho da balança comercial brasileira, que tem caído mês a mês. No apanhado do ano, houve um avanço de 20,2% nas exportações somando US$ 67,5 bilhões. Porém, o crescimento das importações foi bem superior, chegando a 48,7%, contabilizando US$ 60 bilhões. Com esse resultado, a balança recuou de US$ 16,3 bilhões em 2007, para apenas US$ 7,5 bilhões em 2008.

O presidente da Associação Brasileira de Comércio Exterior (Abracex), o economista Roberto Segatto, comemora o grau de investimento, entretanto, vê com preocupação a postura do governo. “Eu acho que é uma boa notícia. O problema é que o governo não está fazendo nada. Essa política industrial não é boa, ele privilegia alguns setores quando deveria beneficiar todos”, ataca.

Segatto acredita que o governo deveria se empenhar em trazer investimentos e “reaparelhar” o parque industrial. “O que rege a cotação do câmbio é a lei da oferta e da procura. Quando tem excesso de investimento o dólar cai. A inatividade do governo pode fazer uma notícia boa ser prejudicial”, conclui.

No entanto, para o presidente da Associação Brasileira de Consultoria e Assessoria em Comércio Exterior (Abracomex), Marcus Vinicius Tatagiba, o exportador não deve ter receio. “Eu acho que vai contra balancear os pontos positivos e negativos. Mesmo com o risco de queda do dólar, o grau de investimento vai gerar mais negócios”, acredita. Além do mais, conforme Tatagiba, uma empresa que quiser entrar em outro mercado pode ter mais facilidades pela imagem do País. “O exportador deve encarar como um item positivo, uma abertura que facilita a própria venda do produto”, finaliza

 Na opinião do presidente da Associação dos Importadores de Máquinas e Equipamentos Industriais (Abimei), Thomas Lee, seu setor irá comemorar. “Sem dúvida vai influenciar no câmbio com a entrada de mais dólares. O preço da máquina vai ficar mais barato, mas a exportação vai ficar bem mais apertada”, sinaliza. O representante acrescenta que o dólar tem caído nos últimos meses, portanto, o cenário pode não ser uma grande surpresa.

 Pelo ponto de vista do professor de Governança Corporativa da Trevisan Escola de Negócios, Roberto Gonzalez, a nota coloca o País num seleto grupo de 60 países considerados seguros para se investir. “Uma gama enorme de investidores só pode investir em grau de investimento. Com certeza um volume de recursos deve vir, talvez não tão grande como muitos imaginam”, afirma.

Gonzalez destaca que o temor quanto à queda do câmbio não deve ser levado à risca. “O dólar já vinha nesse caminho e eu acredito que o governo vai aplicar, sem medidas protecionistas, instrumentos para ajudar o setor exportador”, finaliza.

Seqüência de avaliações

O anúncio da Fitch segue o da Standard & Poor’s, que há um mês se tornou a primeira entre as três maiores agências de rating do mundo a conceder o grau ao País. A outra grande agência, a Moody’s, mantém o rating um nível abaixo. Em abril, a agência de classificação japonesa Rating and Investment Information (R&I) também elevou o rating do Brasil.

 

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