Blog do Desemprego Zero

‘Baixo QI dos baianos’ leva coordenador da UFBA à renúncia

Posted by Beatriz Diniz em 6 maio, 2008

O coordenador do curso de medicina da UFBA, Antônio Natalino Manta Dantas, alegou que o baixo desempenho dos alunos de medicina no Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes, é causado devido ao baixo QI dos próprios alunos, tal declaração levou o coordenador a renunciar o cargo.

Por Katia Alves

Publicado no Vermelho

Menos de uma semana depois de atribuir o mau desempenho dos alunos ao “baixo QI (quociente de inteligência) dos baianos”, o coordenador do curso de medicina da UFBA (universidade Federal da Bahia), Antônio Natalino Manta Dantas, 69, renunciou ao cargo nesse fim de semana. Em nota divulgada no domingo (4), Dantas pediu desculpas pelas declarações.

De acordo com a assessoria de imprensa da UFBA, o pedido foi feito no dia 30 de abril. No entanto, devido ao feriado do Dia do Trabalhador o pedido só pôde ser encaminhado nesta segunda-feira (5).

Os alunos de medicina da UFBA obtiveram conceito dois no Enade (Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes). Na semana passada, Dantas disse que o corpo docente da faculdade é qualificado e não seria justificativa para o mau resultado no exame. O coordenador afirmou ainda que o suposto baixo QI dos baianos é hereditário e verificado “por quem convive [com pessoas nascidas na Bahia]”.

O Enade avalia o conhecimento dos alunos do primeiro e do último semestre de medicina. A nota varia de 1 a 5. O curso da UFBA obteve menção igual a 2, índice considerado baixo pelo Ministério da Educação (MEC).

Para o professor, que é baiano, “o baiano toca berimbau porque só tem uma corda. Se tivesse mais [cordas], não conseguiria”.

Na lista divulgada pelo Ministério de Educação na última terça-feira (29), os cursos de medicina das Universidades Federais do Pará, de Alagoas e do Amazonas também tiveram notas baixas.

De acordo com a vice-reitora da Universidade Federal do Pará, Regina Feio, as declarações de Dantas foram infelizes. “A gente como educador não pode afirmar que somente uma pessoa é culpada. É preciso fazer um diagnóstico para identificar os erros”, disse.

O MEC obriga as instituições de ensino superior que tiveram notas baixas a fazer um relatório que aponte medidas para sanar as deficiências identificadas.

A vice-reitora atribuiu o baixo rendimento do curso de medicina da Universidade Federal do Pará a um boicote dos alunos ao exame.

“Temos um bom projeto pedagógico, dependências aceitáveis e laboratórios importantes para a operacionalização do curso. Ainda estamos identificando os problemas. Já identificamos que houve um boicote dos alunos”, afirmou.

Supervisão

Na semana passada, o Ministério da Educação divulgou a lista dos 17 cursos de medicina que serão supervisionados porque tiveram baixas notas no Enade e no IDD (Indicador de Diferença entre os Desempenhos Observado e Esperado). Entre elas estão quatro instituições federais.

Ao todo, 103 cursos (particulares e públicos) foram avaliados. Os que apresentaram resultados insatisfatórios nos processos de avaliação terão de apresentar um diagnóstico sobre o desempenho, e medidas para resolver os problemas identificados.

O diagnóstico deve levar em conta medidas didático-pedagógica, integração do curso com os sistemas local e regional de saúde, o perfil dos alunos, a oferta de vagas em 2008, infra-estrutura e produção científica.

Entre todos os cursos avaliados, as únicas a obter nota máxima nos dois foram as federais do Rio Grande do Sul, de Goiás, de Ciências da Saúde de Porto Alegre, de Santa Maria, do Piauí e de Mato Grosso.

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