Blog do Desemprego Zero

Ciranda financeira: lucro fácil para bancos e multinacionais

Posted by Beatriz Diniz em 8 maio, 2008

“O País capta recursos no exterior a um custo baixo e, depois, cobrando dos consumidores brasileiros uma taxa maior, grandes empresas ampliam seu resultado financeiro à custa de um modelo que eleva a vulnerabilidade do país e, em última análise, penaliza o trabalhador.”

*Por Luciana Sergeiro

Publicado em: Vermelho Online

Por Dafne Melo

A expressiva diferença entre a elevada taxa de juros da economia brasileira e as pequenas taxas dos países ricos está turbinando o lucro dos bancos e das transnacionais no país. Captando recurso no exterior a um custo baixo e, depois, cobrando dos consumidores brasileiros uma taxa maior, grandes empresas ampliam seu resultado financeiro às custas de um modelo que eleva a vulnerabilidade do país e, em última análise, penaliza o trabalhador.

Isso tem ocorrido mesmo em um cenário teoricamente adverso para as captações externas, com a crise do setor financeiro internacional. Números do primeiro trimestre deste ano confirmam esse movimento expressivo de captações externas dos grupos privados. Segundo o Banco Central, as empresas trouxeram do exterior US$ 4,680 bilhões. No mesmo período de 2007, foram US$ 5,097 bilhões. Esses valores são bem superiores às necessidades de financiamento externo dos grupos privados. Também no primeiro trimestre deste ano, a dívida do setor privado estava em US$ 1,907 bilhão, mas teve uma taxa de rolagem de 231%. Ou seja, o setor privado tomou no exterior muito mais dinheiro do que em tese precisaria.

Empréstimos pessoais

Todo esse ingresso de recursos externos tem impulsionado a ampliação de oferta de crédito aos consumidores brasileiros. Como, hoje, o Brasil possui a mais alta taxa de juros real do mundo (7,25% ao ano), o montante obtido pelos bancos devido às diferenças entre as taxas garantem a eles enormes lucros. “As taxas de juros do cheque especial e do crédito pessoal, por exemplo, na melhor das ofertas cobra 2% ao mês de juros. Se eles captam a 2% ao ano, você imagina a diferença de que os bancos se apropriam, isso sem contar as taxas bancárias. Seja qual for o destino desse dinheiro no Brasil, os lucros que eles conseguem aplicando esse dinheiro é enorme”, explica Leda Paulani, economista da Universidade de São Paulo (USP).

O alto ritmo de crescimento dos créditos para pessoas físicas corrobora essa visão. Em 2007, a concessão de crédito a pessoas físicas cresceu 33,7%. E a expectativa do Banco Central para este ano é que haja um aumento de cerca de 20% para o setor. Para se ter uma idéia do ritmo desse crescimento, o Grupo Itaú, que em 2007 se destacou como o maior coordenador de captações externas, trouxe 1,199 bilhões de dólares ao Brasil, contra 434 milhões de dólares que tinha captado em 2006.

Já as captações feitas por empresas tanto são utilizadas para realizar movimentações no mercado financeiro, com compra de ações ou títulos da dívida pública brasileira, por exemplo, como para investimentos e aquisições. Esse foi o caso da mineradora Vale que, no final de 2006, fez um empréstimo de US$ 13,7 bilhões para financiar a compra da produtora de níquel canadense Inco, operação importante que ajudou a levar a empresa ao posto de segunda maior mineradora do mundo.

Rendimentos recordes

Reinaldo Gonçalves explica que, a princípio, a grande oferta de créditos pelos bancos beneficia o trabalhador, que consegue realizar operações a juros mais baixos. “Por isso que, aqui, você financia carros em 72 meses com uma taxa de juros baixa nos padrões brasileiros”, explica o economista da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Entretanto, quem sai verdadeiramente fortalecido com esse modelo econômico são os bancos e as transnacionais. Os lucros dos bancos em 2007 confirmam a visão do economista: o Itaú, segundo maior banco privado brasileiro, teve, no primeiro semestre de 2007, o maior lucro semestral já registrado por um banco brasileiro, R$ 4,016 bilhões. Já o Bradesco anunciou ganhos de R$ 4,007 bilhões no mesmo período.

Quando questionado, na época, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que a lucratividade foi decorrente do crescimento do crédito no país. “Vocês vão perceber que o crédito cresceu, mais que quadruplicou, desde o consignado ao crédito para as empresas”, disse, em agosto de 2007.

 

 

 

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