Blog do Desemprego Zero

Em descompasso com a Nação, Meirelles tenta frear crescimento

Posted by Beatriz Diniz em 9 maio, 2008

O Banco Central ao tentar explicar o motivo, pelo qual teve que se aumentar os juros, alegou existir um desequilíbrio entre a oferta e a procura e devido a isso, foi necessário aumentar os juros para diminuir o consumo. Mas Meirelles se enganou em “acreditar” que isso existia, porque foi comprovado que a capacidade produtiva das empresas está aumentando. E essa atitude acaba freando, travando política de crescimento, emprego e recuperação de renda da população.

Por Katia Alves

Por Carlos Lopes

Publicado originalmente na Hora do Povo

Em ata do Copom e no Boletim Focus, BC faz campanha aberta pelo aumento dos juros para impedir o desempenho da economia

O Banco Central divulgou a ata da reunião de seu Comitê de Política Monetária (Copom). Incrivelmente (ou previsivelmente, o que, nesse caso, é a mesma coisa) o aumento de juros do dia 16 foi atribuído à “persistência de descompasso importante” entre a oferta e a procura. Ou seja, o consumo do povo (a procura) estaria crescendo mais do que a capacidade da indústria e da agricultura (a oferta) em satisfazê-lo. Por isso, seria necessário diminuir o consumo – e daí o aumento de juros.

MAIS INVESTIMENTOS

O presidente Lula, com razão, afirmou que não é freando o consumo que se resolve um possível problema desse tipo, mas aumentando a oferta de produtos, investindo mais para aumentar a capacidade de produção da economia. Realmente, só cabeças deformadas, pervertidas pela rotineira agiotagem, podem achar que o lógico e normal é fazer o contrário.

No entanto, o mais aberrante é que esse “descompasso importante” (e, mais ainda, sua suposta “persistência”) não existe. Meirelles & cia. ignoraram, deliberadamente – a rigor, dolosamente – todos os dados de que o investimento no aumento da capacidade produtiva das empresas está crescendo mais aceleradamente do que o consumo; de que essa capacidade produtiva expandiu-se nos últimos anos; e, sobretudo, de que, devido a essa expansão da capacidade produtiva (capacidade instalada), a parcela dela ainda não utilizada pelas indústrias para a produção (capacidade ociosa) aumentou nos últimos meses. Segundo a CNI, a capacidade ociosa cresceu 5 pontos percentuais nos três primeiros meses deste ano em relação aos três últimos meses do ano passado. Ou seja, o limite da capacidade da indústria para “ofertar” bens aos consumidores não somente está longe de ser alcançado, como está mais longe de ser alcançado do que estava no ano passado, apesar da produção haver aumentado.

Então, resta saber qual é a razão verdadeira do aumento de juros e da atual campanha para aumentá-los ainda mais. Pois, com o mesmo mote do BC, os quadrilheiros da mídia, a começar pela “Veja”, advogam agora o aumento de juros contínuo, permanente e, talvez, interminável. Uma situação peculiar, mas não casual: são os inimigos do governo que defendem Meirelles e o aumento de juros – e são os que apóiam o governo que são contra esse aumento.

O notório Mendonça de Barros, pajem de Fernando Henrique demitido no escândalo da privatização das teles, propugnou a suposta necessidade de uma série consecutiva de aumentos nos juros, “entrando pelos primeiros meses de 2009”, até chegar a uma taxa além dos 14%. Mendonça é asinino o suficiente para colocar no papel e publicar as intenções da canalha de que faz parte. Por exemplo, ele coloca entre os motivos para a elevação dos juros o “aquecimento” do mercado de trabalho, ou seja, o aumento do emprego, segundo ele altamente deletério, pois, na medida em que os desempregados se tornem mais escassos, acabará levando a um aumento de salários…

Esta é a questão: o objetivo dos advogados do aumento de juros é, precisamente, o de frear, travar e, se possível, acabar com a política de crescimento, emprego e recuperação de renda da população, empreendida pelo atual governo. Não existe outra explicação para essa ladainha, uma vez que não existe qualquer fundamento econômico, mesmo do ponto de vista do estrabismo usurário que eles entendem por economia. Não é por outra razão que, na ata do Copom, Meirelles não conseguiu um pretexto para o aumento de juros: foi obrigado a mentir de forma absolutamente descarada sobre um “descompasso” entre oferta e procura, mesmo sabendo que essa mentira seria percebida com facilidade. Simplesmente, não lhe restou outra coisa a fazer para que cumprisse a sua tarefa.

Há nesse descaso completo com a verdade dos fatos e com o público, além de sem-vergonhice abissal, um desespero por impedir o crescimento do país e tudo o que hoje é sintetizado pela sigla PAC (Programa de Aceleração do Crescimento). Não é uma coincidência que estejamos em ano eleitoral – e que a popularidade cada vez maior do presidente Lula seja o fato mais relevante da situação política, um fato que poderá ser decisivo na determinação do futuro do país, ou seja, na escolha do próximo presidente.

Mais ou menos como Mendonça, ainda que menos estuporados, agiram os demais corifeus tucanos ou filo-tucanos na imprensa. Porém, foi o próprio BC que divulgou um novo “Boletim Focus”, no último dia 27, com mais uma previsão de aumento da inflação e dos juros até dezembro. Não é espantoso, portanto, que no cassino do mercado futuro as apostas em aumentos de juros tenham se tornado uma frenética dança de São Guido – naturalmente, sem a devida santidade.

CASSINO

Mas, por que o BC está provocando a voracidade dos especuladores? Certamente, o negócio de Meirelles sempre é passar mais e mais dinheiro público para os bancos, principalmente os externos. Porém, eles já estavam ganhando muito e não pareciam estar em polvorosa por elevá-los. Mesmo os 0,25 de aumento nos juros que alguns noticiaram, antes do último dia 8, que seria a “expectativa do mercado”, eram uma invenção do BC, através de seu “Boletim Focus”. Naquele dia, essa “expectativa” passou de repente para 0,5. O único motivo foi a edição do Boletim Focus daquela semana, prevendo um aumento de 1,5 ponto até dezembro.

Logo, é fato que a atual campanha de alguns proxenetas pelo aumento de juros foi disparada pelo próprio BC. Para isso servem as edições semanais do Boletim Focus e a ata do Copom.

Entretanto, por quê? Por que justo agora?

Somente os 0,5 de aumento do dia 16 significaram um aumento na dívida pública de R$ 2,9 bilhões (fonte: Secretaria do Tesouro). Um aumento contínuo de juros nos próximos meses significaria um aumento cada vez maior nas transferências do Tesouro para os bancos, um estrangulamento progressivo das finanças do governo. Ou seja, um aumento contínuo da parcela do Orçamento que é empregada para pagar juros. E, como conseqüência, uma redução contínua da parcela disponível para investimentos.
O crescimento deslanchado pelo PAC teve como motor, precisamente, os investimentos estatais. Foram as verbas públicas designadas pelo governo para o Programa de Aceleração do Crescimento que mudaram o ambiente econômico, fazendo com que os empresários acompanhassem – ou por sua participação nas obras do PAC ou pela perspectiva de que seus negócios prosperassem com o crescimento – essa ação pelo desenvolvimento do país.

É evidente que os investimentos estatais e o crescimento serão jugulados se os juros aumentarem continuamente – e o limite, supõe-se, é o infinito, já que até a “expectativa” de 13,75% em dezembro, que um economista como Delfim Netto considerava “fantásticos” há apenas três semanas, já foi superada. Fala-se agora, como propalou Mendonça de Barros, em “mais de 14%” até o início do ano que vem.

Se não há fundamento econômico algum, nem mesmo do ponto de vista deles, não há como deixar de concluir que a ação do BC e a atual campanha jurássica são de natureza política. Em síntese, seu alvo é o crescimento econômico alcançado pelo governo Lula. Seu objetivo é travá-lo e fazer o Brasil voltar às – nas palavras do presidente – medíocres taxas de crescimento anteriores, quando o BC estabeleceu que o máximo que o país poderia crescer seria 3,5% ao ano. Isso, na melhor das hipóteses. Deixando Meirelles à solta, é discutível se existirá, em breve, alguma taxa de crescimento.

São óbvias as conseqüências políticas. Os recordes de popularidade do governo e do presidente Lula, merecidamente, têm como base o fim da estagnação do país, ou seja, o crescimento da economia – o aumento do emprego, da renda e da produção. Mas é com isso que eles querem acabar. Melhor será que, antes, acabemos com eles. Pelo menos, dentro do governo.

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Uma resposta to “Em descompasso com a Nação, Meirelles tenta frear crescimento”

  1. […] Em descompasso com a Nação, Meirelles tenta frear crescimento […]

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