Blog do Desemprego Zero

Lula se diz ‘abismado’ com classificação dos EUA por agências

Posted by Beatriz Diniz em 9 maio, 2008

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva comemorou a classificação de grau de investimento concedida pela Standard & Poor’s ao país, ele falou também sobre a classificação do risco americano, que o país está vivendo num período conturbado e o risco desse país continua zero. E comemorou a nova estimativa de safra agrícola brasileira, defendendo o aumento da produção de alimentos, e disse que não considera grave a elevação dos preços dos alimentos.

Por Katia Alves

Por Tânia Monteiro

Publicado originalmente no Estadão

‘Eu fico abismado de ver que o risco americano é zero. Estão numa crise desgraçada e não têm risco’, afirma

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva comemorou mais uma vez a classificação de grau de investimento concedida ao País pela agência de classificação de risco. Ele disse, porém, que fica “abismado” com os cálculos feitos por essas agências, na avaliação dos riscos de outros países, como os Estados Unidos.

 “Eu fico abismado de ver que o risco americano é zero. Estão numa crise desgraçada e não têm risco. Aumenta o risco no Brasil, aumenta o risco na Rússia e os americanos estão entupidos de dívida até aqui – sinalizando o pescoço – e o risco é zero. É uma inversão das empresas que medem esse risco, na minha opinião”, disse, no discurso de improviso, de cerca de 30 minutos, na cerimônia simbólica de lançamento das obras do gasoduto Cacimbas-Catu.

 Lula voltou a dizer que o Brasil vive hoje um momento de magia e afirmou que “nunca trabalhou com a idéia de que o Brasil poderia crescer 10 ou 15% ao ano. Segundo ele o país já cresceu isso na década de 70 e que a idéia, agora, é de que possa crescer “5%, 5,5%, 6% e 4,5%”. “Mas que cresça por longo período , porque nós vamos construir uma base sólida de um país industrializado para que não retroceda quando acontecer uma crise asiática”, afirmou.

O presidente defendeu que instituições poderosas como a Petrobras,o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal não pensem só em lucro próprio, mas que sejam capazes de repassar os benefícios para a população. “A Petrobras não pode pensar só no custo benefício para a empresa. A Petrobras é a menina de ouro dos nossos olhos. Mas ela não tem que pensar no lucro que tem, mas no benefício que vai criar no Pais. Se não for assim a gente não vai desenvolver”, afirmou, dirigindo-se ao presidente da empresa,. José Sérgio Gabrielli, que participou da cerimônia.

 Lula lembrou a resistência que houve no mercado ao nome de Gabrielli para a presidência da Petrobras. “É engraçado. Eu ganhei as eleições não foi pedindo voto para o mercado. Eu pedi voto foi para o povo. Como eu não poderia indicar o Gabrielli?”, indagou o presidente que a partir daí fez rasgados elogios ao presidente da Petrobras.

O presidente acrescentou, porém, que quando Gabrielli tenta fazer alguma coisa errada, a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, que é presidente do Conselho da Petrobras, e que também estava presente à cerimônia, trata de enquadrá-lo. Quando não, ele próprio, o presidente, o enquadra.

Safra

No discurso, Lula comemorou ainda a nova estimativa de safra agrícola brasileira, de 142,6 milhões de toneladas, na pesquisa de abril do IBGE. Segundo ele o Brasil poderá chegar a 150, 160 e 180 milhões de toneladas. Ele voltou a defender o aumento da produção de alimentos, e disse que não considera grave a elevação dos preços dos alimentos. Para o presidente esse aumento não pode ser encarado como desastroso, porque reforça mais uma chance de se fazer uma revolução agrícola.

 

Anúncios

3 Respostas to “Lula se diz ‘abismado’ com classificação dos EUA por agências”

  1. Lula mandou muito bem nessa!!
    se nós temos um déficit muito menor do que eles porque eles tem risco zero???
    cabe aos ortodoxos explicar isso.

  2. Há outras coisas que são complicadas de se explicar pela perspectiva ortodoxa. Vejamos bem: desde 1776 são poucos os períodos de equilíbrio fiscal nos EUA. Quem tiver dúvidas, consulte o livro: WRAY, L. R. ‘Trabalho e moeda hoje’. Rio de Janeiro: Contraponto, 2003. A norma tem sido déficit fiscal nos EUA e alguns parcos momentos de equilíbrio.

    Como eles fizeram isso sem apelar para juros altos à la Brasil? Pois bem, o Norte ganhou a guerra civil da primeira metade da década de 1860 e derrubou o livre-comércio de base escravocrata sulista. Não haveria um país e dois sistemas econômicos. O liberalismo político do Norte progressista venceu o livre-comércio conservador e o Sul precisou aceitar consumir manufaturas de menor qualidade produzidas na União. Gradualmente evoluiram a produtividade e a qualidade do sistema industrial norte-americano. As idéias de Alexander Hamilton, um dos “Pais Fundadores” que não era senhor de escravos, triunfaram.

    Os investimentos estrangeiros cumpriram e (ainda cumprem) um papel complementar e praticamente marginal no processo de desenvolvimento norte-americano.

    Sobre os interesses dos países mais desenvolvidos pela promoção do liberalismo econômico é interessante a leitura do livro ‘Chutando a escada’ (UNESP, 2004), do professor Ha-Joon Chang. As receitas neoliberais de enxugamento do Estado e de liberalização da conta de capitais fazem parte desse drama.

    No que diz respeito às políticas liberalizantes ainda recomendadas ao Brasil, nada melhor do que o diagnóstico de um prêmio Nobel de Economia: “O que torna a especulação lucrativa é o dinheiro proveniente dos governos, apoiados pelo FMI. Quando o Fundo e o governo brasileiro, por exemplo, gastaram aproximadamente 50 bilhões de dólares para manter a taxa cambial em um nível supervalorizado no fim de 1998, para onde foi o dinheiro? Ele não desaparece no ar, acaba indo para o bolso de alguém – grande parte desse dinheiro foi para o bolso de especuladores” (STIGLITZ, J. ‘A globalização e seus malefícios’. São Paulo: Futura, 2002. p.245). A liberalização da conta de capitais causou, por sua vez, uma evasão de US$139 bilhões entre 1996 e 1999, sem comprovação de origem (Cf. NASSIF, L. ‘Os cabeças-de-planilha’. 2.ed. Rio de Janeiro: Ediouro, 2007). Não se pode deixar de observar que a dívida pública per capita brasileira aumentou de R$1.000,00 para R$5.300,00 entre 1995 e 2002 (Cf. GONÇALVES, R.; POMAR, V. ‘A armadilha da dívida’. São Paulo: Fundação Perseu Abramo, 2002).

    Segundo dados da CEPAL, no Brasil, assim como no restante da América Latina, gira em torno de 50% a taxa de precarização das relações de trabalho (desemprego mais subemprego). Inclusive para o Chile. O que dizem agora os neoliberais sobre a Argentina, um paradigma que o Brasil deveria seguir na década de 1990?

    A estratégia da “sabedoria convencional” de que se deve buscar crescer com poupança externa, custe o que custar em termos de balanço de pagamentos, não pode ser levada a sério. Idéias são de fato mais perigosas do que os interesses explícitos. Principalmente quando elas buscam ocultá-los e lhes dar um ar de superioridade científica.

    Keynes demonstrou na década de 1930 que poupança e investimento são os dois lados da mesma moeda. Se um Estado possui soberania monetária, ele pode desenvolver políticas keynesianas. Basta, no entanto, que o tripé de políticas fiscal, monetária e tributária esteja bem calibrado.

    Em sua Nobel Lecture, Stiglitz foi claro quanto à perspectiva ortodoxa: “But one cannot ignore the possibility that the survival of the paradigm was partly because the belief in that paradigm, and the policy prescriptions, has served certain interests”. Concordo com ele.

  3. Bruno said

    Também adorei o que o Lula falou. Vou por na epígrafe da minha tese. Ou pelo menos do capítulo 2. O lula é realmente um cara inteligente. O problema são os economistas que ele anda: Belluzzo, Delfim etc. Vcs viram que o Belluzzo recomendou o aumento do superávit primário para 5%?

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

 
%d blogueiros gostam disto: