Blog do Desemprego Zero

Burocracia e poder

Posted by Beatriz Diniz em 12 maio, 2008

“O presidente dos Estados Unidos, George Bush, faz pressão para que a Rodada de Doha termine ainda este ano. Pois seria um legado honroso, posto que ele não obteve uma passagem digna de admiração na Casa Branca. Porém os produtores de commodities, como o Brasil, têm mais força.”

*Por Luciana Sergeiro

Publicado em: Carta Capital

Por: Márcia Pinheiro

Acabo de chegar de Genebra. Uma semana imersa nos imensos e luxuosos prédios, sedes das organizações multilaterais do comércio, trabalho, direitos humanos e das crianças.

O arcabouço burocrático é monstruoso. Meus colegas jornalistas, latino-americanos de países pobres, sempre sacavam a pergunta: para que serve tudo isso, se não funciona para as nações desprotegidas? Pergunta, obviamente, que não obteve resposta satisfatória.

A última reunião da Rodada de Doha está emperrada. Lacrada. Há uma enorme pressão do presidente dos Estados Unidos, George Bush, para que ela termine neste ano. Seria um legado político honroso, de um comandante que não teve uma passagem, digamos, digna de admiração na Casa Branca. Mas, desta vez, os produtores de commodities, como o Brasil, têm mais força. Todos os palestrantes concordaram com isso. Os pobres sofrem com a falta de comida, mas os ricos também (estes por causa da inflação).

Um sentimento geral de indignidade tomou conta dos jornalistas, porque sempre China e Índia eram consideradas responsáveis pela escassez de alimentos. Claro, hoje comem mais arroz, mais cereais, até frango. “Que desfaçatez, daqui a pouco vão querer carne bovina”, ironizou um colega. Com toda a razão.

Leia a primeira matéria da série na edição desta semana, número 495, disponível nas bancas. É importante entender os jogos políticos, pesados, em questão. E a reação forte do Brasil nas negociações.

(…)

Na batida da semana

A China enfrenta um problema sério de inflação, que ronda os 8,5% ao ano. Por isso, hoje o governo decidiu elevar o recolhimento do depósito compulsório sobre os depósitos à vista de 16% para 16,5% (o dinheiro que os bancos têm de recolher ao Banco Central e não podem usar para conceder crédito). O crescimento demasiado forte explica a atitude.

Aqui, formou-se o tal consenso em torno da próxima reunião do Copom, em 4 de junho. Nove entre dez analistas dos bancos apostam que o BC nativo vá elevar a Taxa Selic em um ponto porcentual, de 11,75% para 12,75% ao ano. Durma-se com um barulho deste.

Os dados mais relevantes saem na quarta 14 e quinta-feira 15. Nos Estados Unidos, o governo divulga os dados de inflação referentes a abril. Esses indicadores sempre têm potencial explosivo. Na quinta, o presidente do Federal Reserve, Ben Bernanke, volta a falar, desta vez sobre Gestão de Riscos em Instituições Financeiras. Vamos ver como ele se sai desta, em meio à cabeluda crise irresponsável do crédito imobiliário (subprime).

No Brasil, o IBGE divulga o resultado das vendas no varejo de março na quinta-feira 15. Vão bombar. Estima-se que tenham crescido 12,20% na comparação com igual mês do ano passado, ante os 11,20% de fevereiro. Boa semana.

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Uma resposta to “Burocracia e poder”

  1. Como, assim????
    está certo esta abaixo parte do texto (?):
    “Aqui, formou-se o tal consenso em torno da próxima reunião do Copom, em 4 de junho. Nove entre dez analistas dos bancos apostam que o BC nativo vá elevar a Taxa Selic em um ponto porcentual, de 11,75% para 12,75% ao ano. Durma-se com um barulho deste.”

    1 ponto percentual, o Meirelles está passando de todos os limites!!

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