Blog do Desemprego Zero

Bônus demográfico deve ser bem aproveitado

Posted by Beatriz Diniz em 15 maio, 2008

“O Brasil apresenta um quadro favorável a economia, se bem aproveitado, que poderá gerar ganhos econômicos e alavancar a qualidade de vida dos brasileiros. A estrutura etária da população apresenta mais pessoas em idade de trabalhar do que jovens e crianças. Contudo esse aumento da população economicamente ativa gera a necessidade de alteração das diretrizes das políticas publicas de um país. O Brasil nunca apresentou tantas pessoas em idade ativa. E esse é o bônus do país.”

Por Luciana Sergeiro

Publicado em: Projeto Brasil

Publicado em: Felipe Lessa

O período de “bônus demográfico” que o Brasil atravessa foi discutido em uma reunião, no início do mês, em São Paulo. Realizada no Instituto Fernand Braudel, o evento teve como palestrantes José Diniz Alves, coordenador da pós-graduação do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Rubens Ricupero, ex-embaixador, e Norman Gall, jornalista e diretor do Instituto.

Para os presentes, o fenômeno em que a estrutura etária da população apresenta mais pessoas em idade de trabalhar do que jovens e crianças, pode trazer benefícios para a economia e para a população. Se esse momento for bem aproveitado, pode gerar ganhos econômicos e alavancar a qualidade de vida dos brasileiros, já que a produtividade média das pessoas é mais alta. Estima-se que esse ciclo de bonança esteja ativo desde 2000 e chegue até o ano de 2030.

Com o aumento da população economicamente ativa, se faz necessária a alteração das diretrizes das políticas públicas de um país. Por exemplo, o investimento na geração de empregos e de educação continuada tende a aumentar em relação aos da educação básica – destinada a crianças e jovens. Isso aconteceu em países como o Japão e a Coréia do Sul, nos anos 1980 – que renderam bons frutos nas décadas seguintes. 

As decrescentes taxas de mortalidade infantil aliadas ao aumento da esperança de vida ao nascer, além das melhores condições de vida, significa disponibilidade de pessoas aptas a contribuírem com o desenvolvimento econômico e social do país.

O balanço dessas tendências indica que nunca foram tão poucas as crianças e os idosos dependentes dos demais ou, inversamente, nunca houve tantas pessoas em idade ativa (PIA) capazes de trabalhar. Enquanto na fase de 1950 a 1980 havia 82 dependentes para cada 100 em idade de trabalho, a cifra cai, em média, para 47 de 2000 a 2030. É isso, simplificadamente, o bônus. 

Contudo, essas condições demográficas favoráveis só se transformarão em ganhos econômicos efetivos para o bem-estar dos brasileiros se houver um ambiente macroeconômico de crescimento do produto e da produtividade e políticas sociais adequadas nas áreas de educação, previdência e emprego. 

“Não há meio de se aproveitar uma população com uma boa inserção no mercado de trabalho em função do maior nível educacional, se não houver boa políticas para o emprego, por exemplo. Caso contrário, a força de trabalho dessas pessoas seria subaproveitada pelo mercado de trabalho com empregos de baixo nível, influindo assim no crescimento econômico do país”, explica José Alves.

Um ponto levantado por Ricúpero foi a previdência, já que a tendência é que, com o envelhecimento da população, o número de benefícios pagos aumentará. Se não houver uma contrapartida, ou seja, mais pessoas contribuindo para o sistema público, este provavelmente entrará em colapso. “Teoricamente o número de contribuintes tende a aumentar com o crescimento da população economicamente ativa. 

Movimento histórico 

Entre as décadas de 1960 e 1980 a economia brasileira cresceu a uma média de 7% ao ano. O período foi chamado de “milagre econômico”, no qual o Brasil apresentou os maiores índices de crescimento de sua história. A época também foi considerada como um bônus demográfico, decorrente da transição que o país vivia, passando de uma nação rural para urbana. De acordo com estudos do IBGE, a transição demográfica daquele período foi responsável por 30% do crescimento econômico apresentado durante o milagre. 

Um dos fatores para a fartura econômica foi a mudança do perfil demográfico brasileiro, já que houve um intenso deslocamento da população rural para as cidades. Se por um lado gerou problemáticas mega-cidades, como São Paulo e Rio de Janeiro, por outro mudou os padrões de consumo e de vida, que ajudaram a impulsionar a industrialização do país. Com isso, tecnologias modernas importadas possibilitaram um grande salto no PIB e na produtividade do trabalho. 

A comparação entre o milagre econômico e o momento atual acaba sendo inevitável, não só pelos índices de crescimento que a economia brasileira vem apresentando nos últimos anos, mas também pela melhora na qualidade de vida e pela modernização da indústria. De acordo com Alves, o bônus demográfico pode ser o grande fator propulsor do crescimento nas próximas três décadas do novo milênio.

Leia o estudo de José Alves na íntegra

 

 

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