Blog do Desemprego Zero

Novo ministro não quer interferência para montar equipe

Posted by Beatriz Diniz em 22 maio, 2008

Carlos Minc afirmou ter recebido “carta verde” do presidente Lula para montar a sua equipe no Ministério do Meio Ambiente, o novo ministro deverá manter parte dos nomes que acompanhavam Marina Silva.

Por Luciana Sergeiro

Publicado em: Agência Carta Maior

Por: Maurício Thuswohl

A posse está oficialmente marcada para o dia 27 de maio, mas o novo ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, já começa a montar sua equipe e a mover algumas peças no comando da política ambiental do governo. Com bom trânsito entre ambientalistas de diversas correntes do PT, o ex-deputado dialoga com o partido para alterar ao mínimo a condução da política estruturada na gestão de sua antecessora, a também petista Marina Silva. Alguns nomes da atual equipe devem continuar no Ministério do Meio Ambiente (MMA) ao lado de Minc, enquanto outros acompanharão Marina em seu retorno ao Senado.

Além da ex-ministra, pediram demissão o secretário-executivo do MMA, João Paulo Capobianco, e o presidente do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Bazileu Margarido. Figura destacada no movimento socioambientalista brasileiro antes de ir para o governo, Capobianco ainda não tem seu futuro definido, podendo tanto voltar para o “outro lado do balcão” quanto se tornar assessor de Marina Silva no Senado. Margarido, por sua vez, já recebeu da ex-ministra, de quem é homem de confiança, o convite para assessorá-la no Congresso.

No lugar de Capobianco, Minc já anunciou que vai colocar Isabela Teixeira, que era subsecretária estadual do Ambiente do Rio de Janeiro na gestão do agora ministro. A confirmação do nome de Isabela, considerada um excelente quadro técnico, foi, segundo uma fonte próxima a Minc, uma maneira de o novo ministro sinalizar que não pretende lotear os cargos do ministério a partir de indicações meramente políticas.

Para ocupar a presidência do Ibama, o novo ministro chamou o experimentado Roberto Messias Franco, que ocupa atualmente a Diretoria de Licenciamento do instituto. Ex-superintendente do Ibama em Minas Gerais, Franco ocupou nos anos oitenta a Secretaria Nacional de Meio Ambiente, que viria a se transformar no atual MMA, e também já foi diretor regional do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma).

O discurso do novo presidente do Ibama está afinado com o desejo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de agilizar a concessão de licenças ambientais no país: “O licenciamento tem que ser o mais ágil possível, mas sem comprometer a qualidade do trabalho e o nível de exigência”, disse. Franco, no entanto, ressaltou que não pretende “facilitar” os licenciamentos: “Vamos continuar a trabalhar com grande rigor técnico e científico que será, como diz o ministro Minc, ainda maior e mais forte. O que não for essencial, o que não beneficiar nem a sociedade nem a natureza, será descartado”.

Mudanças

Ainda não se sabe se Minc vai alterar a composição e o comando das outras secretarias do MMA. A tendência é manter alguns nomes, já que uma reforma foi efetuada por Marina há apenas um ano. Quadros de peso no PT, como Hamilton Pereira (secretário de Cidadania Ambiental e Articulação Institucional) e Egon Krakhecke (secretário de Extrativismo e Desenvolvimento Sustentável Rural) devem permanecer em seus postos. Segundo fontes de Brasília, outro secretário petista, Luciano Zica (Recursos Hídricos e Meio Ambiente Urbano), teria pedido para deixar o ministério.

A situação das outras secretarias do ministério permanece indefinida, mas o certo é que Minc ainda conversará com todos os membros da atual equipe antes de definir eventuais mudanças. Segundo fontes do MMA, o novo ministro deve convidar para que permaneçam em seus postos alguns nomes de destaque como, por exemplo, o diretor do Departamento de Cidadania e Responsabilidade Socioambiental, Pedro Ivo Batista, que foi o principal articulador político das três Conferências Nacionais de Meio Ambiente realizadas na gestão de Marina.

Minc deve anunciar nos próximos dias um nome para a presidência do Instituto Chico Mendes, posto que também era ocupado por João Paulo Capobianco. Criado no ano passado a partir de uma divisão do Ibama, o instituto é responsável pela administração de todas as unidades de conservação do país e, para a sua chefia, Minc deve optar também por um quadro técnico. Alguns nomes estão sendo analisados, e o mais cotado é o atual presidente do Instituto Estadual de Florestas do Rio de Janeiro, André Ilha, que cumpre uma gestão elogiada à frente do órgão.

Ligação

Antes de assumir o MMA e definir a equipe que o acompanhará no ministério, Carlos Minc fez questão de deixar clara sua ligação com Marina Silva e com outros setores do movimento socioambientalista brasileiro. Admitindo “não conhecer a Amazônia em detalhes”, o novo ministro afirmou que espera ter na senadora uma grande conselheira: “Sou amigo fiel e admiro a Marina. Acho que ela foi a melhor ministra do Meio Ambiente que o Brasil já teve. Partimos das mesmas idéias”, disse, antes de visitar a ex-ministra, a quem presenteou com uma camisa verde comprada na França.

Outro que recebeu afagos públicos de Minc foi o ex-governador do Acre, Jorge Viana, que chegou a ser sondado por Lula para ocupar o comando do MMA. Na reunião com o presidente realizada na segunda-feira (19), Minc propôs que Viana ocupasse a coordenação do Programa Amazônia Sustentável (PAS) no lugar do ministro da Secretaria de Assuntos Estratégicos e Ações de Longo Prazo, Mangabeira Unger. O pedido, no entanto, foi recusado por Lula, pois o presidente teria afirmado que, com isso, todos iriam pensar que a nomeação de Unger para dirigir o PAS teria servido apenas para “forçar” a demissão de Marina.

Minc também já conversou com outras lideranças do movimento socioambientalista como, por exemplo, o deputado federal Sarney Filho (PV-MA), que é presidente da Frente Parlamentar Ambientalista na Câmara. Em meio a tanto diálogo, no entanto, o novo ministro garante que dará a palavra final sobre a montagem de sua equipe: “Ainda não começaram as pressões de gente querendo meter alguém aqui ou ali no ministério, mas comigo isso não vai acontecer. O Lula me deu carta verde para montar minha equipe”, disse.

 

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