Blog do Desemprego Zero

País precisa de inovação para aproveitar oportunidades na AL

Posted by Beatriz Diniz em 22 maio, 2008

Publicado originalmente na Gazeta Mercantil

Por Jaime Soares de Assis

As empresas brasileiras têm capacidade de gestão, consideram a tecnologia importante mas investem pouco em pesquisa e inovação. De acordo com Carlos Arruda, professor e assessor de relações internacionais da Fundação Dom Cabral (FDC), países como o Brasil, que têm riquezas naturais em níveis confortáveis, passam a desprezar os processos e enfraquecem a cadeia de valor. “O País vai muito bem na hora de aproveitar os ativos. Nosso ponto fraco está no longo prazo”, afirma Arruda.

O continente latino-americano atravessa um período de crescimento importante. De acordo com dados apresentados pelo professor Jorge H. Forteza, da Universidade de San Andrés, da Argentina, a expansão da economia nos países emergentes é a maior dos últimos 30 anos. Enquanto a economia mundial aponta para um incremento de 4,9% em 2008, as economias emergentes devem crescer, em média, 7,1%, nível que supera a projeção de 2,7% das economias desenvolvidas. Neste contexto, a América Latina deve conseguir obter uma avanço de 5%, abaixo dos demais países emergentes.

Forteza, que veio ao Brasil para participar do Fórum de Estratégias Empresariais Integradas para a América Latina, coordenado pela Fundação Dom Cabral, acrescenta que os países emergentes devem também apresentar uma expansão representativa nas exportações. As taxas devem alcançar 12,2% nas nações em desenvolvimento e superar os 5,8% previstos para os países desenvolvidos. Um desempenho que se posiciona acima da média mundial de 7,4%.

“Os mercados latino-americanos têm condições favoráveis, mas há problemas sérios institucionais”, assinala Arruda. Os níveis de pobreza e a distribuição de renda não alcançam os níveis dos países asiáticos e da Europa Oriental. Segundo dados do Panorama Social da América Latina 2007/Eclac, existiam 62 milhões de pessoas abaixo da linha de pobreza em 1980 e a estimativa é de que este contingente tenha alcançado 69 milhões em 2007. O aproveitamento de oportunidades fica restrito no continente por questões internas dos países. “É difícil ter uma internacionalização bem sucedida sem uma classe média, sem um mercado interno mais exigente”, comenta Forteza.

A distância que separa os países latino-americanos de outras economias mundiais pode ser medida pela renda per capita. Os indicadores do Banco Mundial, citados por Forteza, mostram que a renda per capita no Brasil, em 2005, era de US$ 8.140, no Chile chegava a US$ 10.920 e a 13.800 na Argentina. Na comparação com países como Portugal e Grécia, com média de US$ 21.500 e Espanha (US$ 26.730). Para alcançar esses países a América Latina precisaria de 15 a 23 anos, se comparada à média dos portugueses e gregos, e de 22 a 33 anos, no caso dos espanhóis. “Temos de analisar quais são os mecanismos de geração de novas elites políticas para acelerar o crescimento”, comenta Forteza.

Além da necessidade de construir instituições de qualidade, a América Latina terá de fortalecer sua capacidade de adotar tecnologias de informação e comunicação avançadas, criar um bom ambiente de negócios, e aumentar os investimentos em educação. Desta forma, as nações latino-americanas poderão aumentar sua participação na economia mundial de 23%, em 2005, para 31% em 2030, conforme projeções do Banco Mundial.

De acordo com Arruda, há um grupo crescente de empresas brasileiras em processo de expansão que conseguem aproveitar as oportunidades na América Latina. Ainda é um grupo restrito. Há um grupo crescente de empresas investindo fora do Brasil, a Argentina é um bom país para investimento. O ambiente de negócios no continente latino-americano piorou de acordo com a Sondagem Econômica da América Latina realizada pela Fundação Getulio Vargas (FGV) e o Institute for Economic Research at the University of Munich (IFO). O Índice de Clima Econômico (ICE) caiu de 5,2 pontos para 4,9 pontos entre janeiro e abril. A deterioração acompanha a tendência mundial que recuou de 5,1 pontos de janeiro para 4,6 pontos em abril.

No ranking de países, a Argentina caiu da 5ª posição para a 11ª, pela média do ICE do último quadrimestre fechado em abril de 2008. O Paraguai subiu da 11ª posição para a 7ª, o que indica melhora no clima da economia. O Brasil saltou do 3 posto para o 3 lugar por conta da conquista do grau de investimento e das descobertas na área de petróleo.

Para Arruda, o País tem baixo investimento em pesquisa e desenvolvimento e não se prepara para o futuro. Este comportamento é parte da orientação de curto prazo das empresas brasileiras e afeta a sustentabilidade do crescimento.  Há um grupo crescente de empresas brasileiras em processo de expansão que estão aproveitando as oportunidades na América Latina, comenta Arruda. Ainda é um grupo restrito e “não é algo em volume significativo, são as boas exceções”, afirma o professor da Fundação Dom Cabral. 

Um dos motivos é a atração do mercado doméstico, em crescimento. “As margens de resultado no mercado brasileiro são positivas”, diz Arruda, e a atração pelo investimento no exterior diminui. “A Argentina está em uma situação ruim e isso é péssimo para o Brasil. Precisaríamos de um parceiro comercial mais sólido para ajudar as empresas brasileiras a fazer esse movimento”, avalia Arruda.. O mercado argentino poderia ser uma plataforma interessante para o aprendizado internacional.

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